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Afinal, o que é uma pulseira de festival RFID?

Aqui no Festivalando nós nos tornamos super entusiastas das pulseiras de festival desde a primeira vez que entramos em contato com elas nos festivais da Europa. Basicamente uma tirinha de pano com o nome do festival bordado, uma coisa quase hippie… Mas tão legal de se colecionar! Já ficaríamos satisfeitas pra sempre com esse mimo, desse jeitinho simples, mas eis que, tempos depois, assim como Pokemóns, o souvenir hippie evoluiu para a forma pulseira de festival RFID, mais tecnológica. Lá no Lolla Chile eu já fiquei encabulada quando vi que a pulseira tinha um código de barras envolto em plástico para registrar minha entrada.

 

Os festivais brasileiros demoraram para aderir ao acessório que substitui o ingresso, vamos combinar. Eu e Gra tivemos que xingar muito no VideoSelfie para poder ter a oportunidade de substituir ingressos de papel por uma pulseira que imediatamente pode se tornar seu primeiro souvenir do festival. Mas, finalmente, eles resolveram adotar as pulseiras, pulando direto para a sua forma tecnológica. Em 2016, Tomorrowland e Maximus usaram a tecnologia RFID para tornar possível operações sem dinheiro dentro do festival.

Este ano, particularmente, podemos dizer que é o ano em que o uso das pulseiras com tecnologia RFID se consolida no festivais brasileiros. Já anunciaram o uso das mesmas o Lollapalooza e Rock in Rio, os dois maiores, mais populares e mais estáveis festivais em atividade hoje no país. Enfim, os festivalgoers do Brasil, em larga escala, vão poder ter acesso a essa ferramenta que lá fora já está em uso pelo menos desde 2011.

Mas o que é uma pulseira de festival RFID, miga?

A pulseira de festival RFID é equipada com um pequeno chip que identifica informações por meio de um sinal de radiofrequência (a sigla significa Radio-Frequency IDentification). Basicamente, essa tecnologia transforma aquela tirinha de pano de estilo hippie em um gadget interativo e multifunções. Na condição de Pokemón evoluído, a pulseira de festival bombada pela tecnologia RFID vira uma ~smart pulseira~.

Diferenças práticas

Os festivais que decidem adotar as pulseiras RFID de imediato alegam melhorias práticas para o público. Normalmente, a redução de filas na entrada e na compra de comidas e bebidas é a principal delas. A redução de fraudes de ingressos é outro argumento. Como cada pulseira tem um código único, que é vinculado ao proprietário, caso ela se perca ou seja roubada, pode ser imediatamente desativada e substituída por outra, como se faz com cartões de crédito perdidos ou roubados, por exemplo.

Quem foi ao Maximus e Tomorrowland aqui no Brasil em 2016 já conhece também a outra funcionalidade prática dessas pulseiras, que é o sistema de pagamentos cashless. Você faz o cadastro da sua pulseira em um site fornecido pelo festival e lá mesmo pode carregar a pulseira com dinheiro através do cartão de crédito. Nós tivemos uma boa experiência com esse sistema no Maximus. A transação é bastante rápida e você visualiza o saldo remanescente na tela.

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Maximus Festival/Divulgação

Há ainda uma tranquilidade maior de não ter aquele medo de perder as fichinhas de papel que normalmente eram usadas para a troca de produtos nos bares e lanchonetes. Melhor ainda é saber que o dinheiro que sobra no saldo será reembolsado depois – ao contrário das fichinhas de papel, que tornavam-se inúteis e sem nenhum valor logo após o fim do festival. Alguns eventos vão até um pouco além na questão do reembolso, como o Taste of Toronto, no Canadá, que doou saldos remanescentes para organizações ambientais, mediante autorização dos usuários.

Para que essa praticidade fosse de fato plena, seria legal se os festivais informassem de antemão, no site de registro das pulseiras, o preço dos produtos para que cada um pudesse fazer sua previsão de gastos. Fica a dica de honestidade e transparência com o público. Ouviram, festivais? 😉

Expansão da experiência de festival para um nível ainda mais tecnológico

Até onde foi divulgado, Lolla, Rock in Rio e Maximus vão oferecer em suas pulseiras RFID os serviços práticos listados acima. Mas o fato é que essa tecnologia tem muito mais funcionalidades, e alguns festivais gringos já estão tirando partido delas.

A pulseira de festival RFID pode ser conectada a redes sociais e ser usada para ações interativas. Com isso, um mundo de possibilidades se abre. Olha só o que já fizeram lá fora:

  • No Bonnaroo de 2012, quem conectou sua pulseira à conta do Facebook teve descontos no merchandising oficial do festival e acesso a setlists e downloads gratuitos de artistas que tocaram naquela edição. Com totens espalhados pelo festival, bastava apenas posicionar a pulseira nos mesmos para atualizar status no Facebook, Twitter, Instagram e compartilhar playlists no Spotify
  • No Coachella 2014, quem fazia checkin com a pulseira em estações espalhadas pelo evento ganhava uma playlist personalizada no Spotify. No fim do festival, recebia um cartão postal digital chamado My Coachella Story. Ele continha um resumo das atividades no festival com base nos dados coletados pela pulseira
  • No Tomorrowland Bélgica, transformaram a pulseira em uma espécie de Tinder! Elas tinham um ícone no formato de coração. Se duas pessoas estranhas se aproximassem e pressionassem o ícone ao mesmo tempo, os dados do Facebook de cada uma eram enviados para a outra. Assim, todos tinham o registro das pessoas que conheceram ao longo do festival. Uma boa estratégia pra achar depois aquele crush que se perdeu no meio da multidão, néam?

Para pensar

Em seu formato simplesinho de pano, as pulseiras já eram motivo de muita treta. Eram chamadas de feias, nojentas (porque muita gente deixa no braço por muito tempo, o que leva ao acúmulo de germes e bactérias). Imagina então o que se discute em torno da pulseira de festival RFID, que é vinculada a dados bancários e de redes sociais?

Há claramente uma questão de acesso a dados pessoais aí. Mas o fato é que já revelamos muito sobre nós com uma simples conta do Google, ativação de cookies ou curtidas em redes sociais e também nas inúmeras maneiras que todos esses dados podem ser combinados. Na era do Big Data, estar conectado é também, em algum nível, estar exposto. Como lidar?

Na dúvida, leia os termos de uso do serviço para tentar entender minimamente o que você estará compartilhando sobre você e como isso será usado. Mas não deixe isso interferir na sua experiência de festival. Com pulseira ou sem, com tecnologia ou não, isso é o que importa no fim e é pra isso que estamos aqui 😉

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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