licença do trabalhoLászló Mudra/Rockstar Photographers – http://www.facebook.com/festivalphotographers/Divulgação

#Podcast: Licença do trabalho para ir a festival. Pode, produção?

Você já deve ter se visto diante dessa situação: aquele festival que você tanto quer ir vai coincidir com um dia de trabalho. Às vezes, o drama é ainda maior: você precisa viajar para esse festival, o que vai exigir mais dias livres ainda. #ComoFaz? Pede licença do trabalho? O que você faz ou já fez ao se encontrar numa encruzilhada dessas? É o que eu e Gra queremos saber de você.

No podcast de hoje a gente discute alguns “causos” que rolaram com gente daqui do Brasil e do exterior, o que mostra que estamos tratando, de fato, de um ~drama da vida real~. Mais que isso, estamos falando com conhecimento de causa, pois o Festivalando só nasceu porque nós duas decidimos que era hora de deixar nossos empregos pra trás.

Cada uma de nós pediu demissão do emprego por razões particulares, mas de modo geral o fizemos porque vimos que uma viagem de dois meses por festivais na Europa não era simplesmente uma forma de chutar o balde, mas principalmente um projeto profissional estimulante e promissor no qual valia muito a pena investir. E eu acabei fazendo isso duas vezes, pois quando voltei pro Brasil fui chamada para o mesmo emprego mas, meses depois, precisei fazer uma nova viagem para o Festivalando. Como era uma viagem bem mais curta que a anterior, propus uma negociação, mas não foi aceita. Assim, saí do mesmo emprego pela segunda vez.

É claro que isso é uma decisão drástica, e não foi motivada só pelo desejo de ir ao festival em si – tinha um propósito maior por trás. E eu sei também que sair do emprego ou colocá-lo em risco sequer é uma opção pra muita gente. Nem tem que ser, né? Mas ter uma rotina flexibilizada e um ambiente aberto para diálogos e negociações para atender interesses de ambas as partes deveria ser uma opção pra todos nós.

Pena que não é, e toda essa discussão leva inevitavelmente a uma reflexão muito em evidência hoje, que diz respeito à defasagem dos modelos atuais de organização do trabalho.

Há quanto tempo você está de licença da sua vida?

Eu espero muito que a minha geração seja a responsável por romper com esse padrão engessado de bater cartão e que te obriga a organizar toda a sua vida em função do trabalho e se virar para encaixar todas as outras coisas importantes da vida no pouco tempo que sobra fora da empresa, como se a nossa única função nesse planeta fosse trabalhar e as outras atividades fossem meros empecilhos para a realização do trabalho.

Os empregadores precisam começar a entender que produtividade e qualidade do trabalho não estão relacionados com o cumprimento religioso de 40 horas semanais, cinco dias por semana, dentro de um escritório, e sim com o seu comprometimento e eficiência na realização das tarefas que lhe cabem.

Eu passei os últimos dois meses no meu referido emprego fazendo uma quantidade de trabalho maior que a demanda usual, propus produzir mais nos dias em que ficaria fora, mas isso não foi suficiente para servir como moeda de troca à luz das regras de uma empresa tradicional. As formalidades ajudam a organizar o ambiente de uma empresa, mas precisam ser flexibilizadas. Eventualmente, você pode ser capaz de conseguir fazer a mesma quantidade de trabalho, com os mesmos resultados, em um tempo menor. Por que não?

E se você não encontrar espaço para esse tipo de flexibilidade, para negociação e diálogo, talvez seja o caso de arregaçar as mangas e tentar encontrar novos meios de encaixar o trabalho na sua vida (e não de encaixar a sua vida no trabalho). Vai descobrir qual é o Festivalando da sua vida.

Pra resumir, MIGA: não é justo que a gente abdique de uma série de coisas que nos fazem bem para passar a vida inteira atendendo as demandas de uma corporação se a mesma não é capaz de atender as nossas demandas em troca. Reciprocidade é um elemento fundamental das relações humanas. Dinheiro só não basta, até porque, na maioria das vezes, uma empresa vai estar sempre lucrando com a força do seu trabalho e com o que ela deixa de pagar pra você (né, Marx?). Pense nisso.

Mas antes de pensar, claro, ouça o nosso podcast e conte suas histórias pra gente 😉

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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