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Que diferença faz a marca de um festival pra você?

Você se importa com a marca de um festival? Você só consome festivais de marca? A pergunta é meio estranha, eu sei. Afinal, a gente está acostumado a ser confrontado com esse tipo de pergunta quando o assunto são roupas, bolsas, sapatos e outros bens de consumo. Qualidade às vezes é um fator distintivo para marcas; às vezes a diferença está apenas no valor subjetivo agregado (que acaba agregando valore$$$ extras). Mas, com marca ou sem marca, uma roupa, sapato ou bolsa acabam cumprindo a mesma função prática.

Fiquei pensando nisso tudo nesse feriado, depois de ter ido ao Eletronika aqui em BH. Com 16 anos de estrada, o Eletronika é um festival abertamente inspirado no Sónar, meca dos festivais inovadores baseado em Barcelona e que neste ano retorna ao Brasil, de 24 a 28 de novembro, em São Paulo, após edições anteriores esparsadas. A pegada é a mesma: jogar luz sobre a cena de música experimental e de vanguarda.

Quem foi ver os shows gratuitos que o Eletronika levou para a praça da Liberdade viu como nossos vizinhos estão trilhando um caminho semelhante, de trazer elementos de ritmos populares e folclóricos para o mundo da música eletrônica. Menos dançante, com um som de uma viagem interna mais introspectiva, o Chancha via Circuito, projeto do argentino Pedro Canale, levou uma boa turma na praça da liberdade a um semi transe com as referências aos elementos indígenas de seu país. A dupla peruana Dengue Dengue Dengue, com as suas tradicionais máscaras, porém bem menos coloridas que o normal, fez o show mais envolvente e dançante da noite e merecia ter encerrado a noite. Agradou a mistura de ritmos tropicais, inclusive citações do funk carioca, com batidas eletrônicas. Quem fechou a noite mesmo foi o britânico Quantic. A receita também a da mistura de eletrônica com ritmos latinos e também africanos mas, com uma pegada menos dançante, deu uma desacelerada no ritmo que o Dengue Dengue Dengue tinha imposto antes. Faltou a malemolência nativa.

Dengue Dengue Dengue | Eletronika – Praça da LiberdadeUm pouco do electro tropical da dupla peruana Dengue Dengue Dengue, agora a pouco no Eletronika.#eletronika #pistafestivais

Posted by Pista BH on Sunday, October 11, 2015

Enquanto os shows não engatavam, porque o pequeno público só foi aparecer pra valer pouco mais de uma hora depois do horário marcado para o início das apresentações, eu aproveitei a programação estendida do Eletronika, espalhada pelos museus do entorno da praça da Liberdade. Vi duas exposições, em dois espaços diferentes, no fim de tarde. À noite, no intervalo dos shows, vi o Palácio da Liberdade ganhar outro sentido com três intervenções diferentes de videomapping (uma delas bem mindblowing pra quem passou a vida inteira vendo aquele prédio do mesmo jeito). Quem teve mais tempo livre durante a semana teve a oportunidade de participar de palestras com muita gente pensante sobre tecnologia, urbanismo e inovação, workshops e mostra audiovisual, tudo sempre com acesso gratuito.

Tudo aconteceu de forma discreta, sem alarde, sem divulgação badalada e pra pouca gente (e, ainda por cima, o feriado esvaziou a cidade). Mas foi honesto, entregou o que prometeu, no tamanho das expectativas que gerou.

Foi aí que comecei a pensar no Sónar São Paulo – uma referência clara para o Eletronika, conforme eu disse. Foi um alvoroço inevitável ter a notícia de que o festival estava de volta ao Brasil este ano (rola na última semana de novembro). Se não é tão simples assim ir até Barcelona para ter a experiência desse festival tão cobiçado, é um alento saber que ele vem até nós (outra vez).

Mas desde que as informações sobre lineup e programação paralela começaram a sair o alvoroço foi se contendo. Tenho visto nos grupos que acompanho muita gente insatisfeita com os nomes escalados (porque são poucos, porque não seriam tão adequados assim pra proposta do festival), com o preço do ingresso (porque é alto), com a demora na divulgação da programação audiovisual e de palestras (prometida pra setembro). Enfim, com a distância do que é o Sónar em Barcelona e do que vai ser aqui no Brasil.

Voltando àquela discussão da marca do início do texto, nesse fim de semana foi como se eu tivesse ido a um Sónar “sem etiqueta”, sem o Chemical Brothers pra dar mais apelo pro lineup e sem o valor agregado que a marca Sónar traz. Ou como se o Sónar São Paulo estivesse aproveitando o valor agregado da etiqueta para dar mais verniz a um produto muito semelhante. Um veredicto só é possível depois que o Sónar acontecer de fato aqui no Brasil, e espero muito estar errada e que as quatro edições futuras prometidas aqui caminhem na direção de um evento mais próximo do formato de Barcelona. Até lá, vou ficar aqui pensando. Que diferença faz a marca de um festival pra você?

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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