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Anderson Carvalho

Shows do Lollapalooza: quem bombou e quem flopou?

Este foi o Lolla em que os funkeiros subiram no palco (MC Carol no show de Karol Conka e MC Bin Laden no show do Jack Ü), em que o palco Ônix sediou momentos catárticos (Mumford & Sons no sábado e Jack Ü no domingo), em que artistas largaram o palco ainda com tempo sobrando (Noel Gallagher e Albert Hammond Jr.). No saldo geral, os shows do Lollapalooza (aqueles que eu dei conta de ver depois de cruzar Interlagos de ponta a ponta inúmeras vezes) me deixaram uma gama variada de impressões: decepção, surpresa, apatia, catarse, satisfação.

Opine no fim do post: quem bombou e quem flopou?

Catarse

Vamos começar pelo que é bom. Pelo que é ótimo, para ser mais justa. O Mumford & Sons fez um dos shows mais belos deste Lolla. Banda e público reagiram mutuamente à entrega que cada uma das partes tinha reservado para aquela noite e o resultado foi uma celebração intensa. Os fãs cantaram e vibraram o tempo todo; a banda tocou o que todos queriam ouvir sem muito jogo (“Little Lion Man, por exemplo, veio logo no início) e ainda fez graça ao chamar uma fã para subir no palco.

A outra catarse, desta vez nada messiânica mas sim deliciosamente caótica, foi o Jack Ü. Diplo e Skrillex não conseguiriam fazer menos que isso sendo as duas forças que são e tendo descoberto uma fórmula que (ainda) não dá sinais de esgotamento. O diálogo com o repertório popular brasileiro (e, portanto, o diálogo direto com o público) que tanto Diplo quanto Skrillex já demonstraram dominar em outras apresentações no país foi bem sucedido mais uma vez: Wesley Safadão e MC João (“Baile de Favela”) entraram no set. MC Bin Laden foi além e não só entrou no set como participou do show com seu hit “Tá Tranquilo, Tá Favorável”, redendo um dos melhores monentos do Lolla. Ever.

Satisfação

Satisfatório foi ver Groove Delight e Karol Conka lotarem o palco Perry bem cedo, logo depois da abertura da programação. Karol arrastou uma porção ainda maior do público e transformou o novo palco numa grande pista. A participação de MC Carol e o discurso feminista do final do show completaram o incêndio que Karol provocou.

Florence deixou um sentimento de satisfação por mais uma vez parecer entregue e tão honesta ao vivo.

Noel Gallagher também deixou um sentimento de satisfação por ter mostrado que é, antes de tudo, um bom compositor, mestre das melodias e, depois disso, aquele cara que um dia foi do Oasis. Boa parte do público já sabia disso e cantou junto as boas canções que Noel já fez em sua carreira solo. Wonderwall, Champagne Supernova e Don’t Look Back in Anger, hits gigantes do Oasis nos anos 1990, foram bônus.

Decepção

A turma econômica: Noel encerrou o show faltando cinco minutos (tempo suficiente para aumentar meu grau de satisfação com mais uma música). Albert Hammond Jr. foi ainda mais austero e largou o palco com ainda sete minutos de folga. Não tem repertório? Faz um cover, gato.

Apatia

O Cold War Kids não conseguiu envolver o público, ou simplesmente não era exatamente essa a banda que as pessoas queriam ver. O público pequeno não chega a ser uma desculpa. Albert Hammond Jr., apesar de ter tocado para menos gente ainda, no mesmo palco Axe, consegiu estabelecer mais empatia.

Eminem fez o que mandava o protocolo e embolou os hits num pout-pourri apressado. Me pergunto qual terá sido a impressão dos fãs mais ardorosos (me pergunto também como deve ter sido o show da Marina, que eu escolhi de última hora não ver).

O Tame Impala vai sempre soar ótimo e a viagem sonora da banda fica ainda melhor ao vivo, com toda a viagem visual do telão que completa o espetáculo.Mas público e banda não estiveram na mesma sintonia o tempo todo e não houve um momento em que o show tenha de fato engrenado.

Supresa

A maior surpresa foi o Seeed, uma dezena de alemães que colocaram um bocado de brasileiros pra dançar (desta vez, os alemães fizeram a gente dançar no melhor sentido). Pouco conhecidos, e diante de uma plateia pequena, a big band, que toca reggae, dancehall e derivados, ganhou o público com muita facilidade pelo ritmo, pela entrega em palco e com uma mãozinha do quarteto de percussionistas norte-americanos convidados – bons de ritmo e de performance, com direito a coreografia com baquetas.

O Eagles of Death Metal também foi uma surpresa, não pela banda em si – que é naturalmente foda, mas sim pela empolgação incessante do vocalista Jesse Hughes, que não cansava de demonstrar, na performance e verbalmente, como estava a fim de fazer aquele show.

Com todos esses sentimentos diversos, fico feliz que eu tenha conseguido ver tudo isso. Mas lamento profundamente por ter tido que perder e sacrificar tantos outros shows, seja por conta dos clashes de horários, seja por conta da limitação física. Chega uma hora que você simplesente tem que parar de andar e se recompor, do contrário você não chega vivo ao fim do dia. O Lolla tem sempre lineups bons, mas em contrapartida uma logística exaustiva para qualquer um.

Você é quem fala agora: quem bombou e quem flopou nos shows do Lollapalooza?

Nossa enquete está aí esperando a sua opinião. PS: Como Eminem não liberou a divulgação de imagens de seu show, não temos fotos de divulgação. Slim Shady fora da nossa enquete :/

O Festivalando é Embaixador Oficial do Lollapalooza Brasil.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

10 comments

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  1. Nayra Lnm 14 março, 2016 at 22:21 Responder

    Faltou falar do Bad Religion, que eu amo!!! :-/ Eu senti que a banda ficou completamente perdida no lineup, talvez muito rock, muito punk para um público pop demais. Foi triste ver que o povo nem conhecia os maiores hits deles. Mas provavelmente a maioria não tinha nem nascido quando os hits estouraram rs De resto, queria ter visto Emicida, alguém pode comentar também? E amei Florence com todo amor do mundo

    • Priscila Brito 14 março, 2016 at 22:39 Responder

      Ai, Nayra! Nem fala :/ Queria muito ter citado o Bad Religion, mas este foi um dos shows que eu não consegui ver por conta de esgotamento físico (e que menciono no fim do texto). Cheguei no Lolla às 10h30 e lá pelo meio do Eagles of Death Metal eu já estava com a bateria (do corpo rs) zerada. Tive que ir comer algo e descansar. Mais ouvi que vi o show do Bad Religion e, por isso, achei melhor não comentar. Gostei do que eu ouvi de longe, e concordo com você que a banda é relativamente “velha” para a média do público do Lolla.

  2. Rodrigo Airaf 15 março, 2016 at 00:30 Responder

    MUMFORD AND SONS E RL GRIME DONOS DO MEU LOLLAPALOOZA
    DIPLO DONO DO MEU OUTRO LOLLAPALOOZA Q EU NAO POSSO ESPECIFICAR QUAL EH PRAS CRIANÇAS NAO LEREM
    MARINA ATRASOU 15 MINUTOS PRA COMEÇAR FIQUEI PUTO FUI EMBORA PRO KASKADE PQ NE QUERIDA VC NAO ME FALTA UM SHOW NUM ANO PQ TAVA BEBADA EM NY E ATRASA O OUTRO EM PLENO FESTIVAL COM HORARIOS ESCROTOS PERDEU MEU RESPEITO
    ZEDD E JACK U DONOS DO LOLLAPALOOZA
    FOGOS DE ARTIFICIO TOP
    ESTRUTURA TOP
    COMIDINHAS TOP
    AGUA A 4 REAL 1 REAL A MENOS Q NO OUTRO ANO
    KAROL CONKA LINDA NEGRA FODA FEMINISTA ROUPA COLORIDA TOMBOU LACROU
    KASKADE FAZ MONOLOGO NO MICROFONE MAS EH FODA MSM ASSIM
    FLOSSTRADAMUS SO PASSA FOTO DE MACONHA NO TELAO
    MC CAROL SDDS

    O CAPS LOCK E FALTA DE VIRGULA EH PRA ENFATIZAR MINHA SAUDADE

  3. Luciana 15 março, 2016 at 11:59 Responder

    Fiquei sábado no palco skol.

    Estava cansada no show do the Baggios da corrida pela grade e não prestei atenção.

    Minha maior surpresa foi o show do Matanza. Não esperava nada, mas o vocalista era muito carismático e, apesar de não curtir o estilo musical da banda, aproveitei a experiência.

    Gostei do Bad Religion, mas critico o fato do vocalista não ter deixado em nenhum momento o lado direito do palco. Ele não sabia que isso era permitido? Eu e outras pessoas cantando as músicas ficamos decepcionados.

    Quanto ao show do tame impala, adorei o uso do telão e as músicas tinham uma vibe incrível. Mas, de fato, a maioria ali na grade estava esperando o Eminem e extremamente cansada já para aproveitar direito.

    Sobre o Eminem… Respondendo a pergunta, sou fã fervorosa e o show superou minhas expectativas. Não tocar várias músicas inteiras, permite que ele misture hits com músicas mais obscuras dos primeiros álbuns. E a energia dele me surpreendeu. Único artista da noite que ia até os cantos do palco rsrs. E, no fim, ele tocou Fack pela primeira vez, uma piada interna entre ele e os fãs, por isso a galera pirou.

    Curti o Lolla 2016!

    • Priscila Brito 15 março, 2016 at 13:10 Responder

      Oi, Luciana. Não me toquei que no dia do Tame Impala tinha muita gente ali na frente já esperando pelo Eminem. Isso realmente pode ter sido uma razão pra ter esfriado o show da banda. Devia ter uma galera já destruída a essa hora, porque sei que teve gente que até acampou dias antes na porta de Interlagos para pegar grade por causa do Eminem. Que bom que você, como super fã, não saiu decepcionada do show do seu ídolo e teve uma boa experiência no geral durante o Lolla. Isso é o que importa 🙂

  4. Fink 15 março, 2016 at 17:32 Responder

    Realmente o show do Mumford foi impressionante, na minha opinião eles e a Florence foram as melhores apresentações desse lolla. Sobre o Cold War Kids, acho eles muito bons, mas o que aconteceu foi que naquele palco ia ter Halsey e Marina, e os fãs delas acamparam lá na grade, típico de fã que vai num festival só pra ver uma coisa é quando tão tocando outros ficam lá com cara chata. Mesmo com isso o da Halsey foi muito bom. Cheguei nas cinco últimas músicas do Of Monsters And Men e me arrependi muito de não ter visto inteiro, aquela vibe tava muito boa, foi a melhor vibe do lolla inteiro a colina inteira cantando o que lembrou imagine Dragons em 2014. O show que eu mais queria ver também não me decepcionou que foi o Walk The Moon, o show que eu mais pulei e cantei com a galera foi divertido demais. Twenty One Pilots não tenho o que dizer simplesmente sensacional. Os que me surpreenderam foram o Vintage Trouble e o The Joy Formidable, super divertidos, simpáticos e com vibes diferentes. Noel não tenho o que Dizer, Dont Look back in anger ainda ressoa na minha cabeça. Planejei ver o alabama Shakes mas minhas pernas não permitiram. O da Marina foi bom, o atraso incomodou um pouco mas deu pra relevar. E pra finalizar, ah, a Florence é simplesmente a Florence ela por si só já quer dizer que vai ser incrível e foi

    • Priscila Brito 16 março, 2016 at 09:12 Responder

      Eu preciso ouvir Twenty One Pilots com mais atenção, Fink! Simplesmente todo mundo que viu o show deles saiu falando muito bem. Sobre o Vintage Trouble, eu dei um vacilo enorme. É uma banda que tem chamado minha atenção há algum tempo e considerei vê-los. Me programei para ver Groove Delight, que era no mesmo horário, e me esqueci completamente deles (dava pra ter pegado metade do show pelo menos). Quando eu estava saindo do palco Perry eu ouvi o som vindo do Axe e me lembrei que era o show deles, mas já estava no final :/

      Quando eu vi que o show do Cold War Kids não ia engrenar eu cogitei ir ver o OMAM, mas era tão longe que desisti 😛 Mas não tenho dúvidas de que deve ter sido uma das coisas mais lindas do Lolla. Não sei não, mas acho que aquela colina do palco Ônix tem algo de especial e deixa todos os shows mais mágicos que o normal!

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