experiencia do governors ballGovernors Ball Music Festival/Divulgação

A grande experiência do Governors Ball é o deslumbre de estar em Nova York

Pode o elemento mais marcante de um festival estar fora do festival? Melhor dizendo, não necessariamente fora, mas no entorno. Na verdade, verdadeira, o festival está dentro do elemento X, ao invés do elemento X estar dentro do festival. Desconfundindo: o elemento mais marcante da experiência do Governors Ball é Nova York. Ou seja, algo que contém o festival e não algo que está contido no festival (aulas de matemática, alguém?).

É praticamente impossível estar no Governors Ball e não lembrar a quase todo instante: OMG, estou em Nova York! No caso desse sentimento esmaecer por algum momento, tem um totem gigante entre dois palcos que faz o lembrete pra você: “I’M OVER HERE NOW”. Mesmo alguns dias depois do festival, a lembrança mais afetiva que tenho da minha experiência de três dias na Randall’s Island é o privilégio de ter estado em um festival em Nova York. Ok, o fato de o Governors Ball ter sido praticamente o único contato que tive com a cidade nos meus três primeiros dias lá também pode ter influência nisso.

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Cheguei na sexta-feira na hora do almoço. Fui para o hotel, esperei meu quarto ficar pronto, me arrumei e fui para o festival. Repeti o mesmo caminho de ida e volta na sexta, no sábado e no domingo. A exceção foi uma ida ao supermercado, há dois quarteirões do hotel, no sábado de manhã. As minhas primeiras 72 horas em Nova York foram todas dentro do Governors Ball.

Um festival-exaltação

Mas é de se reconhecer que de modo às vezes inevitável, às vezes intencional, tudo no Governors Ball é um convite para exaltar ou mergulhar em Nova York. De modo inevitável, tem a travessia da RFK Bridge pra se chegar ao festival (dependendo de onde você está). Logo uma ponte, um tipo de construção tão icônica e fundamental para uma cidade como Nova York, que é um conjunto de ilhas.

Ou ainda, a travessia do East River de ferry (outra forma de se chegar ou sair do festival). É um passeio panorâmico de 20 minutos que te presenteia ao vivo com a visão impressionante do skyline apinhado de arranha-céus. Mais bonito ainda no trajeto de volta, à noite, quando é possível admirar tudo iluminado. É aquela mesma imagem que a gente cresceu vendo em fotos de cartão postal ou nos episódios de Friends. Uma vez dentro do Governors Ball, na Randall’s Island, esse skyline vira a moldura do festival.

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De modo intencional, tem o palco Big Apple; uma reprodução da Estátua da Liberdade (com look festivaleiro, que fique claro – óculos de aro grosso, tatuagens) e da Manhattan Bridge; painéis de street art criados especialmente para o festival que homenageiam a cidade. Ah, e os artistas, que adoram dizer: hello New Yoooork! Alguns vão além, como o Whiz Kalifa, que colocou “New York, New York”, do Sinatra, pra tocar no fim do show, enquanto o público esvaziava o festival.

Brilho próprio

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Estamos falando de um festival xóvem, nascido em 2011. Ele ainda está encontrando seu lugar e construindo sua identidade (numa época tão difícil de se destacar na multidão, dada a profusão de festivais). Por essa razão, fica realmente difícil o Governors Ball brilhar sozinho. Mais ainda quando tem à sua disposição uma estrela de brilho próprio e tão grandioso como Nova York para pegar emprestado um pouco de brilho.

Mas é preciso ser justa e destacar como as coisas lá dentro estão andando no passo certo, resultando em um festival super agradável: área com tamanho adequado, um gramado convidativo, ações que aproximam o público dos artistas (a sessão diária de meet and greet), patrocinadores sabendo expor sua marca sem serem agressivos. Tem tudo para andar firme com as próprias pernas. Mas se algo der errado no meio do caminho, no problem. O Governors Ball, eu, você, nós todos, nós sempre teremos Nova York.

[fade in de New York, New York enquanto sobem os créditos]

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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