governors ballGovernors Ball/Divulgação

O Governors Ball é um festival pra guardar no potinho

Não há distinção de banheiros femininos e masculinos no Governors Ball. Todo mundo entra numa mesma fila e usa os temíveis banheiros químicos de festival. É apenas um detalhe, mas diz muito sobre o lugar e a época em que o festival nasceu. O festival nasceu em 2011, na sempre moderninha Nova York. Está amadurecendo junto com os millenials e a geração Z, no auge da bolha de festivais e na corrente de discussões sobre gênero e representatividade.

É um festival do momento, com a cara do seu tempo. Não sei se ele vai ser engolido pela enxurrada de festivais que inundam esse mundo mais e mais e cair no esquecimento, ou se ele vai evoluir para um formato ainda mais maduro e consolidado. Mas do jeito em que se encontra agora, o Governors Ball está num ponto ótimo. Dá vontade de guardar num potinho para conservar e não estragar.

É um festival do tipo que aqui no Festivalando a gente costuma dizer que é na medida. Nem grande nem pequeno demais. O público flui livremente pelo Randall Park, e em cinco minutos você alcança os palcos mais distantes (são quatro no total). Os patrocinadores não estão berrando com suas logomarcas pela área do festival e sua participação é discreta, também na medida. As ativações são menos encheção de linguiça e agregam mais à experiência. Clientes do cartão patrocinador têm um deck com visão privilegiada para o palco principal. Outro patrocinador comanda um espaço de meet and greet. A água é de graça. O gramado convida todo mundo a se espalhar no chão.

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Governors Ball/Divulgação

~Agregando valor~

E ainda tem um coringa nessa história toda: Nova York. De um lado, a ponte RFK, que conecta Manhattan, Queens e Bronx e dá acesso à Randall’s Island, onde acontece o festival. De outro, o skyline de Manhattan, plano de fundo do palco principal do festival. No meio, um passeio de ferry pelo rio East para ir e voltar do festival. É impossível ignorar que você está em Nova York, e isso, digamos, agrega muito valor ao festival.

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Governors Ball/Divulgação

Privilégios

No quesito musical, o Governors Ball é um dos inúmeros festivais mistos que se tem hoje, com uma mistura de artistas de gêneros variados. Mas há alguns privilégios por ser um festival no país mais influente do mundo, na cidade mais badalada do mundo.

Por exemplo, ouvir Lorde cantando “Perfect Places” no exato dia em que o single foi lançado. Ou ouvir ao vivo algumas faixas do disco novo do Phoenix uma semana antes do lançamento oficial. Todos sabem da vitrine que um festival desse tipo representa e se preparam estrategicamente para isso. É também interessante notar como os artistas enchem a boca pra falar “hello New Yoooork!” (inclusive os locais).

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Governors Ball/Divulgação

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Governors Ball/Divulgação

O que (provavelmente) só um festival nos Estados Unidos também proporciona é a possibilidade de ver artistas de peso do hip hop, por razões óbvias. O Wu-Tang Clan fez um dos shows mais envolventes do festival (só o Cage the Elephant briga de igual pra igual). Chance the Rapper e Wiz Khalifa foram headliners de palco, e o último ainda teve a honra de encerrar o festival, juntamente com o Tool, que tocava em outro palco, soltando uma pedrada atrás da outra e abduzindo todo mundo com uma produção visual caprichada. A propósito, outro privilégio foi ter visto o Tool, cujo show no Brasil é quase uma utopia, mas algo natural para o mercado americano.

No saldo final, o Governors Ball segue a cartilha do que se espera dos festivais atuais e faz tudo certinho, com o benefício de alguns coringas que só um evento em Nova York pode oferecer. Como diz minha mãe, Deus conserva 🙂

Acompanhe a tag do Governors Ball aqui no Festivalando para mais conteúdos (já publicados e futuros) sobre o festival. Dá uma olhada no Instagram também pra ver fotos e vídeos de alguns shows do festival

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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