Como foi o primeiro Maximus Festival

Redondinho. É o que a gente diria se tivesse que resumir em uma palavra como foi o primeiro Maximus Festival. Em sua estreia, o festival que ambiciona ser o hellfest do brasil entregou para o público estrutura e organização corretas e propostas alinhadas com o que se vê nos grandes festivais de heavy metal no exterior hoje: palcos principais lado a lado, melhorando a experiência do público, que não sacrifica shows em função de horários, pulseira de identificação e método cashless, cenografia inspirada na iconografia do heavy metal e atividades diversas.

Falta ainda criar uma identidade que confira “alma de festival” ao Maximus, mas nada que o tempo não permita construir: a edição 2017 já está confirmada para o dia 20 de maio, novamente em Interlagos. Uma oportunidade para o festival se aperfeiçoar.

Pontos positivos Maximus Festival 2016

Estrutura adequada e boa organização

A estrutura e organização geral do festival são o destaque aqui. O festival começou pequeno (se comparado ao espaço que o Lolla ocupa em Interlagos) e com isso evitou de dar passos maiores que a perna. Atividades de entretenimento, oferta de alimentação, nada de filas gigantes e um sistema cashless que funcionaram muito bem contam pontos positivos para o Maximus.

O Maximus também foi um festival muito limpo. As equipes responsáveis pela limpeza estavam sempre atentas e foram eficientes em deixar toda a área com um aspecto muito bom.  Além disso, Maximus pareceu ser um festival muito seguro, com vários pontos de atendimento médico e bom policiamento no entorno de Interlagos.

Rammstein como headliner

Sem dúvidas, esse foi um dos melhores investimentos do Maximus Festival. A banda alemã performou o melhor show da noite, deixando todos os presentes com um gostinho de quero mais deste festival.

Sem conflitos de horários e pontualidade

Merece elogios a pontualidade dos shows do Maximus Festival. A organização foi impecável em cumprir os horários com seriedade. Além disso, montaram a grade de forma que todos os shows pudessem ser assistidos, sem grandes sacrifícos.

Pontos negativos do Maximus Festival

Logística de horário para o transporte público

O término dos shows às 22h30 não favorece muito quem usa o trem + metrô como meio de transporte (a maioria). Uma hora e meia para caminhar quase um quilômetro e fazer as integrações até o fechamento das estações (meia-noite) é bastante apertado. As duas horas de intervalo oferecidas pelo Lollapalooza, ainda que também não sejam satisfatórias, deveriam ser o parâmetro mínimo para os eventos em Interlagos.

A saída também complicou a situação de quem dependia do metrô. O fluxo foi em sua maioria conduzido para o portão 7, obrigando o público a fazer uma caminhada desnecessária até tomar o rumo da estação. O ideal é fazer do portão 8 e K9 como saída principal, mais uma vez tomando de exemplo o Lollapalooza.

Line up sem grandes clássicos

Ainda é necessário trazer alguns grandes clássicos para que o festival ganhe mais cara de um grande festival de metal. Rammstein e Marilyn Manson são grandes artistas, mas ainda não possuem o peso de grandes bandas do heavy metal mundial.

Sabemos que existe uma proposta musical voltada para um público mais jovem. Entretanto, no público haviam pessoas de todas as idades, muitas que certamente não reclamariam em ver  bandas clássicas do metal. Também faltou “pesar a mão” nos subgêneros do metal, trazendo alguns representantes do death e black metal.

Falta de atividades imersivas

A gente sempre insiste que os grandes festivais precisam de atividades imersivas, que envolvam o seu público em outras propostas para além da música, mesmo que ainda relacionadas com elas. Por exemplo, o metaldays oferece o rio, a Ioga, esportes; O Wacken tem a viking village, o Hellfest tem o Vin Bar… e por aí vai.

Faltaram áreas de convivência como bares com assentos e mesas, uma ampla área de mesas para alimentação, como acontece em vários festivais.

O camping é uma das nossas atividades imersivas preferidas. Tomara que o festival considere isso um dia!

O que pode melhorar no Maximus Festival

Ainda falta desenvolver a identidade de festival, o que é natural para um evento que acabou de nascer. Enquanto os aspectos objetivos são fáceis de serem resolvidos, desenvolver a “alma” do festival é da ordem subjetiva e demanda esforços que não necessariamente têm fórmulas. É preciso um trabalho junto ao público, para criar empatia, identificação e desejo. É preciso descobrir e mostrar com clareza qual o aspecto distintivo do Maximus em meio à enxurrada de festivais no mundo hoje.

Para um festival que se espelha em gigantes como Hellfest e Wacken, isso tudo já deve estar claro. Agora é esperar a segunda edição, em maio de 2017, para dar sequência ao trabalho que, a gente, espera, seja bem-sucedido. O Brasil precisa de festivais de metal pra chamar de seu.

 

 

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15 comments

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    • Priscila Brito 9 setembro, 2016 at 13:16 Responder

      Oi, Camila! Escolhemos ver o show do Far From Alaska, que era no mesmo horário, por isso não comentamos a respeito do Shinedown. Ficamos sabendo depois que houve um problema com o som da banda e realmente é uma pena, principalmente porque o show já foi curto :/ Obrigada por acrescentar esse detalhe aqui na discussão!

    • Gracielle Fonseca 11 setembro, 2016 at 12:02 Responder

      Ei Camila! Eu já tinha visto o show do Shinedown no Graspop, e aí fiquei na pilha de ver Far From Alaska. Mas tem uma coisa que eu queria comentar sobre isso. Atrasos e problemas no som acontecem em TODOS os festivais. Ninguém está livre. Em 2014 vi palas no Wacken, 2015 no Hellfest, este ano teve uma pala gigante no Graspop, quando o som da passagem de som do Twisted Sister entrou no meio do show do Iron Maiden. Ou seja, temos que ter um pouquinho mais de paciência com os nossos festivais. Isso pode ter deixado os fãs chateados, não é legal mesmo. Mas, infelizmente é algo que todas as organizações estão sujeitas. Não é magia, é tecnologia e tecnologia falha pra caramba também. hehehehe

  1. Francisco Martins 8 setembro, 2016 at 19:24 Responder

    Não dependi do transporte público, mas não estou nem aí, não moro em SP mesmo kkkkkkk :p brinks
    Falando em pontos negativos, uma questão que não gostei foi das lanchonetes no final do show, já estão no lugar até quase 23hrs, o que custava ficar até pelo menos meia-noite né? A grande maioria dos locais de venda de comida fecharam logo após o término do último show, que é o momento que todos estão varados de fome. A primeira coisa que comentei com minha esposa quando acabou o show do Rammstein foi que aquela seria a hora que os caras iam vender muito, mas só encontramos uma barraca vendendo pastéis, as outras já não tinham mais nada ou já haviam fechado…

    • Priscila Brito 9 setembro, 2016 at 13:19 Responder

      Oi, Francisco! Nossa pressa foi tanta pra pegar o metrô a tempo que nem pensamos na comida na hora de ir embora e portanto não notamos esse problema que você relatou. Mas, realmente, foi uma falta de tato fechar as barracas enquanto ainda tinha público lá dentro. Enquanto há público, é importante que sejam mantidos os serviços oferecidos. E é uma situação em que todos perdem: os comerciantes e o festival deixam de lucrar e o público fica com fome. Obrigada por contribuir com essa observação!

  2. Max Rodrigues 9 setembro, 2016 at 14:07 Responder

    Nossa!, eu gostei bastante do festival, muito embora só tenha ido por causa, exclusivamente, do Manson, não obstante eu goste de Rammstein. Achei muito melhor que o Lolla, mas sou suspeito para julgar, já que entrei tarde no Lolla, e cheguei no autódromo dessa vez antes de os portões abrirem.

    De qualquer forma, não vi nenhuma confusão, o público me pareceu bem comportado; gostei de não haver filas quilométricas, o preço da cerveja poderia ser menor, já que eles não geravam nota fiscal, mas com 120 reais em metais, deu para consumir tranquilamente, quem queria beber, mas não a ponto de perder o show passando mal, ou no banheiro, e comer, a mesma coisa. Cento e vinte reais em 10, 12 horas é muito pouco, mas acaba rendendo pra quem acompanha os shows.

    Foi bom também por ter encontrado com um pessoal que conheci na net, porque conheci Hollywood Undead.

    Agora sobre ter bandas “de mais peso” que Marilyn Manson e Rammstein, seria muito chato ter logo Metallica, Ozzy ou algo do tipo. A grande jogada foi atrair o público jovem e trazer Manson e Rammstein que há muito tempo não tocavam aqui, até para não acabar metendo o pé pelas mãos, para o festival poder crescer aos poucos, como já li aqui, inclusive. No próximo seria bom ter Manson de novo (só sonhando hahaha), mas poderiam trazer Dimmu Borgir e Cradle of Filth, mas sem precisar forçar muito metal também, daí poderiam trazer Korn, Slipknot e tal. Seria muito bom.

    Ponto negativo: BFMV, nossa, muito ruim essa banda, morri de tédio.

    ***
    E a água de graça nada, né.

    • Priscila Brito 9 setembro, 2016 at 15:30 Responder

      Que bom que você teve uma boa experiência no Maximus, Max. Achamos tudo tranquilo também e chegamos à conclusão que o preço da alimentação, ao menos, estava razoável. A gente não esperava nada barato (ingenuidade esperar isso em eventos desse tipo), e realmente não tinha nada que pudesse ser chamado de barato, mas não achamos que nada estava fora da realidade também.

      Vamos ver o que está reservado para o lineup de 2017. Vai ser especialmente interessante esperar por ele, pois 2017 é ano de Rock in Rio também, que sempre tem o(s) dia(s) do metal. Deve rolar uma boa disputa pra ver qual festival consegue trazer quem pro Brasil, mas espero que no fim os fãs saiam ganhando com boas bandas de metal e correlatos em maio em São Paulo e em setembro no Rio.

      Pois é, nada de água de graça. Na semana que vem vamos publicar mais coisas do balanço do Maximus e vamos tentar entender o que aconteceu nesse sentido.

    • Gracielle Fonseca 11 setembro, 2016 at 12:08 Responder

      Pois é, Max. Vc tá certo, não poderiam dar passos maior do que as pernas colocando os clássicos de uma vez. Mas um ou outro da estirpe de Ozzy, acho que não seria tão oneroso ou problemático =)

      Fico feliz que você tenha gostado do festival. De maneira geral, a gente curtiu bastante.Eu quero tanto ter um festival com cara de festival mesmo aqui no Brasil, para chamar de nosso no meio Metal, que sempre estou torcendo para qualquer festival de metal que queira ser assim, hehehe!

      Ai, curti demais sua ideia de ter Dimmu Borgir e Cradle Of Filth – apesar de que me decepcionei imensamente com o show que vi do Cradle of Filth no Hellfest 2015 =(

      Bjão!!!

  3. Renan 10 setembro, 2016 at 00:00 Responder

    Pontos negativos do Maximus: a distância dos portões na hora da entrada e saída. Que no ano que vem eles possam rever esses pontos e aproximar mais os portões para perto do metro, como o Lollapalooza faz. Outro ponto bastante negativo logo de cara foi a falta de bebedouros, principalmente pra quem não podia levar garrafa d´água. Mais um ponto negativo: as pessoas não revistavam como tem que revistar as bolsas e mochilas, o que deixou bastante a desejar porque teve gente que entrou com coisas que não devia entrar. Nessa situação, eu dei sorte de ter entrado com uma garrafa vazia de água, hehe. Teve a questão dos transportes também, já que se acaba, por exemplo, num mesmo horário do Lolla, não teria esse problema. Enfim, espero que esses problemas possam ser resolvidos nas próximas edições. As outras situações que você a Gra levantaram de positivo, eu assino embaixo. Só não consigo concordar com essa ideia de ser um Hellfest no futuro. Pode até ser a longo prazo, mas, por enquanto, tá com cara daqueles festivais de metal alternativo dos Estados Unidos. Mas espero que eles possam crescer ao longo dos anos. Acho que em 2017, o line deve ficar mais fortificado do que foi este ano. A Gra é mais suspeita que eu para falar, mas espero que ano que vem possamos ter Slayer, Gojira, Ghost, Chevelle, Volbeat, Amon Amarth e King Diamond, seria pedir demais? É sonho, mas acho que muitas dessas atrações podem pintar sim. Quanto a questão do show do Shinedown, eles tiveram atraso de uns vinte minutos e ainda tiveram problemas com o som, uma pena! Cheguei a ver você e a Gra na hora do show do Bullet, mas fiquei com vergonha de falar com vocês, já que só as conheço por meio do site e do face. Mas no mais, eu daria um 8,5 pra o festival. Conseguiu cumprir a finalidade.

    • Gracielle Fonseca 11 setembro, 2016 at 11:57 Responder

      Ei, Renan! Então, quando a gente fala de que ele está de certa forma em um caminho de “ser Hellfest”, a gente se refere mais ao visual que eles tentam empregar, principalmente, e também com relação às ambições que eles têm para as próximas edições. Com relação ao lineup, de fato está bem longe de ser Hellfest. Apesar de que, o Hellfest mistura bandas da mesma natureza que o Maximus usou. Porém, entre os headliners há sempre os clássicos no Hellfest. De fato, ao considerarmos apenas o quesito lineup, bem como o fato de ser apenas um dia de festival, aí fica bem próximo dos festivais americanos tipo Knotfest.

      E ter esse lineup que você descreveu aí numa próxima ia gerar muita confiança de que “agora vai” hahaha. Adoraria ver essas bandas num fest aqui, também!

      Você deveria ter vindo falar com a gente! hehehe, aproveitar para a gente ter uma foto sua conosco. Adoramos encontrar [email protected] leitores. bjao!

  4. Priscila Brito 10 setembro, 2016 at 11:20 Responder

    Ei, Renan! Acho que de modo geral está todo mundo concordando sobre os pontos positivos e negativos. Essa questão da água é algo que a gente vai tentar entender o que aconteceu pra explicar nos posts que vão sair sobre o Maximus na semana que vem. A cara que o festival vai ter daqui pra frente fica só na base da especulação mesmo, porque não tem como a gente prever. Mas sinto que há um desejo geral pra que ele cresça, independente das referências de festivais estrangeiros que ele vai replicar.

    Agora que coisa é essa de ficar com vergonha de falar com a gente? hahaha Da próxima vez pode chegar e falar sim! A gente fica super feliz quando isso acontece 🙂

  5. Walter 10 setembro, 2016 at 14:30 Responder

    Teve a questão da distribuição das pulseiras. Deixaram de entregar em vários estados e acumulou muita gente pra tirar a pulseira no dia do evento, o que gerou certa desorganização. Mas no geral, eu considero uma primeira experiência do Maximus muito boa. Que venha 2017!

    • Priscila Brito 10 setembro, 2016 at 20:08 Responder

      Tomara que ampliem a entrega de pulseiras pra mais locais no ano que vem, Walter. Como a pulseira foi um “fato novo” pra todo mundo, pode ser que isso tenha contribuído também pra desorganização que você mencionou. Nos vemos no Maximus 2017!

  6. Paulo Ricardo (@paulo_chaos) 15 setembro, 2016 at 11:00 Responder

    Eu acho que os Palcos principais eles deveriam ter montado em algum lugar que desse para todos verem, exemplo o kinect katedral do EDC independente de onde vc estivesse dava para ver o palco os dj tocando,etc, no Maximus quando chegou a vez do Rammstein tocar o que era super aguardado não só pelas músicas mas pela performance que eles fazem no palco, quem estava na metade pro fundo só conseguia ver o telão ,os outros shows foi ok. mas esse que era a grande atração aconteceu isso. Mas o festival foi muito bom , pretendo ir ano que vem sim.

    • Priscila Brito 15 setembro, 2016 at 13:12 Responder

      Interessante isso, Paulo. Realmente, essa área onde ficou o Knect no EDC oferece outro tipo de visão por conta do terreno mais inclinado e das “arquibancadas” naturais ao redor. Cria todo um clima diferente também. O Maximus ainda deve mudar muito, porque claramente eles têm planos de expansão, então pode ser que em edições futuras eles façam um uso diferente do espaço do Autódromo.

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