Altos e baixos do wacken 2014

Altos e baixos do Wacken 2014

Apesar de amarmos a maioria dos festivais em que estivemos presentes – tira o Sziget fortemente desse conjunto dos amados, por favor – nós precisamos ser sinceras. Nem tudo são flores em tais eventos. Há várias coisas que nos surpreendem de forma positiva, daí a gente fala: caramba, que legal! E várias coisas que nos esgotam a paciência e felicidade. É, eu sei que vai depender do dia, do nosso humor, da fase da lua. Mas você não está esperando uma lista imparcial aqui também, né?  Hoje separei 5  pontos altos e baixos do Wacken Open Air, um dos meus festivais mais queridos, para te dar um pouco da dimensão do que estamos falando. Talvez tenha sido esse o festival que mais deixou explícito em mim esse sentimento contrastante de alegria e esgotamento da paciência.

A princípio, desmereci o line up do festival, quando eu não tinha o ingresso ( sim, sou dessas!). Falei que queria mesmo é ter ido no Hellfest na França, que teve um line up matador em 2014… mas, quando consegui o ingresso para o Wacken, mudei de status de criança emburrada para criança empolgada, reverenciando e endeusando o festival ao extremo, achando que ele era o muso absoluto dos festivais de metal rsrsrs. Mas foi apenas um pico de adrenalina que durou quase 1 mês. Hoje, com distanciamento de quase 500km e umas 4 horas de viagem, posso fazer uma avaliação diferente sobre o Wacken, ainda que não imparcial. Então vamos lá, saber o que foi bom e o que foi ruim no festival carro-chefe dos festivais de metal na Europa.

 

água no wacken

Água para todos no Wacken. Official Press. Photo: Rolf Klatt

Altos

1.Shows marcantes

Apesar de lá no começo eu ter pensado que o Wacken em 2014 seria mais um destaque pela fama do que pela qualidade do conjunto de atrações – inveja e recalque com o lineup lindo do Hellfest em 2014, tenho que admitir que o Wacken 2014 fez bonito. Foi memorável ver King Diamond, o show especial dos 20 anos de In the Nightside Eclipse do Emperor, no mesmo dia uma apresentação fantástica do Behemoth e depois um show bem animado do Amon Amarth. Nem se fala em ver o Lemmy empolgando aquela multidão, ver os clássicos Exodus, Sodom… teve Carcass também, Children of Bodom, Apocalyptica, Arch Enemy…

2.Comida barata

Depois de ter as piores experiências financeiras possíveis nos festivais da escandinávia – o guaraná antártica equivalente a 16 reais, o copo de chocolate quente que equivalia a 35 reais, entre outros, o Wacken me pareceu algo muito digno, barato se medirmos o tamanho dos pratos e bebidas. Apesar de a maioria das coisas terem sido vendidas a 5 euros, o que equivale a mais ou menos 15 reais, falamos de sanduíches gigantes com carne de verdade, pratos de massa para pedreiro nenhum botar defeito.

3.Água para todos e de graça (com squeeze gracinha)

Água com fartura, gosto melhor do que o gosto da água da escandinávia e ainda por cima, te davam um squeeze lindo e prático do Wacken, para você carregar seu líquido precioso pelo festival. O Wacken e o Roskilde brilharam ao liberar a água para a galera nos festivais.

4.O metal market mais completo

Para prezar o nome de ser o melhor festival de metal do mundo, o Wacken também tinha que ter o maior metal market, comparando com os demais festivais que fui. Inúmeras barraquinhas e lojas com venda de CD, Vinil, artigos de moda, artigos de decoração e muito mais. E tudo com preços incrivelmente baratos se comparado com aquilo que é vendido nos sites especializados. A combinação de couro preto com spike ou tachinha estava na sua melhor forma de qualidade e preço.

5.Estacionamento distante da portaria principal

Caso eu fosse muito egoísta, falaria que esse foi um ponto baixo, uma vez que usei carro para ir e vir do festival em 2014. Porém, como adulta e pessoa consciente, tenho que admitir que isso é uma grande jogada. Colocar os estacionamentos afastados da entrada principal faz com que a mesma esteja livre para a circulação de pedestres, elimina o risco de atropelamentos e acidentes nesse local em que geralmente existe um acúmulo muito grande de pessoas – e pessoas extremamente bêbadas, diga-se de passagem. Você já imaginou se fosse tudo junto? Um tanto de imbecil buzinando em cima da galera treslocada que vai e vem da portaria, ou então um tanto de imbecil treslocado no volante, ameaçando a segurança dos pedestres. Assim, mesmo que eu tenha andado horrores dentro e fora do festival para chegar e voltar para casa, achei uma medida muito inteligente.

distâncias infinitas no wacken

Distâncias infinitas e multidão no Wacken: imagina procurar um amigo aqui? Photo: Rolf Klatt p/ Wacken Official

Baixos

1.Distâncias absurdas dentro do festival

Não sou preguiçosa, gosto muito de andar, para falar a verdade. Mas em ocasião de festival algumas coisas mudam de figura. Afinal, os shows nos exigem muita energia. Assim, ficava assinalado nesse quesito um dos pecados mais mortais do Wacken: as distâncias absurdas entre os palcos, atrações, saídas, entradas, camping e tudo mais. Aí você me diz: mas o que você queria do maior festival de metal do mundo, minha filha? E eu respondo: queria sim menos distância. Por exemplo, não vejo sentido no fato de que todas as pessoas, independente das que acampam ou não no festival, terem necessariamente que atravessar a área de camping inteira para ter acesso aos palcos. Outro problema: ao chegar aos palcos, as entradas estava muuuuito distantes das saídas. E, toda vez que você saía de uma área de palco, nem que fosse para comprar uma cervejinha mais barata (outro ponto negativo, inclusive, era o preço da cerveja que subia significativamente na área dos palcos principais), você tinha que dar voltas imensas. E quando boas atrações vinham seguidas umas das outras, em palcos completamente opostos? Aí tinha que mostrar preparo físico absoluto! Quase humanamente impossível não perder a abertura ou o encerramento de um e de outro…

2.Overdose de atrações

Mais de 50 shows por dia. Apenas shows, pois ainda tinha muito mais firula rolando no festival inteiro. Quem consegue ver tudo? Que público e comunidade de preferência consegue se dividir a tal ponto? Muitas atrações ficaram com audiência reduzida, claro. Sem contar que isso gera uma puta depressão e ansiedade de festival – você sabe que não conseguirá ver tudo, mas quer ver tudo, morre de curiosidade! Como faz? =/

3.Falta de comida saudável

Não havia uma banca sequer que vendesse frutas e vegetais frescos. Percorri a área de comida quase que inteira no festival e não havia uma banquinha com uma salada de fruta que fosse, um paozinho integral, um sanduíche leve, sucos etc. A comida era tipicamente alemã, bem pesadinha e gordurosa. Tinha muita massa, doces e chocolates espalhados. Coisa saudável definitivamente não era uma opção. Achei que sairia do Wacken com alguma veia ou artéria entupidos, e que teria um infarto a qualquer maior empolgação num show ou outro depois de tanto comer salsicha e carnes de porco mergulhadas em gorduras.

4.Poeira

Sério mesmo que não existe nenhuma saída para a poeira? Reclamo ainda com plena consciência de que a alternativa seria a lama, o que também é péssimo. Mas fiquei me perguntando o que leva o pessoal do Wacken a não cultivar um gramado mais bonito ( ok, sei que será destruído durante o festival), ou então não colocam tapumes, peças de plástico no chão, algo que impedisse a poeira de ser agitada a todo o momento. No primeiro dia cheguei com uma blusa branca que saiu marrom. Minhas mãos, cabelos, vias aéreas eram pura poeira. E por mais que eu tomasse banho, a coisa tem poder de resiliência tão gigantesco que ficou em mim por semanas após o festival.

5.Horários de transporte público limitados

Parece que estou até contanto mentira, né? Mas sim, temos que lembrar que apesar de ser na Alemanha, Wacken é apenas um vilarejo que depende de algumas conexões de transporte com outro distrito um pouco maior, o de Itzehoe. Você tinha os ônibus do Wacken saindo e chegando em uma oferta até regular. Porém, certos momentos da madrugada os mesmos não funcionavam com tanta frequência. Da mesma forma, os trens para levar aos locais um pouco maiores, paravam ou se tornavam muito escassos na parte mais crítica da madrugada, tipo entre 2 e 5 da manhã. Portanto, o Wacken meio que é feito para você acampar, dormir no vilarejo ( o que é complicadíssimo de conseguir, pois da mesma forma como os ingressos se esgotam num piscar de olho, a estadia no vilarejo também fica totalmente lotada com um ano de antecedência), ou então usar carro particular. Havia táxis também, mas não tantos.

E você, já foi ao Wacken? Teria mais algum ponto para acrescentar, concorda ou discorda? Comente =)

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

2 comments

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  1. Helder Silva 12 maio, 2015 at 22:16 Responder

    Bom, em 2014 depois que eu descobri uma tenda que vendia comida chinesa que era quase igual à brasileira (arroz, frango e salada), só comia por lá. Ela ficava dentro da área de shows, mais perto do Black Stage. Que pena que você não achou esse tipo de comida por lá.

    • Gracielle Fonseca 14 maio, 2015 at 08:29 Responder

      Então, Helder, eu só via o povo saindo com noddles de lá =( . Não vi uma tenda com frutas, ou somente salada fresca. Deveria ter prestado mais atenção nessa para ver a opção de salada. Ficarei atenta e mais paciente nas próximas! =)

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