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Souvenir de viagem: as bandas que eu trouxe na mala

Consta na cartilha de clichês de festivais de música que estes são um ótimo lugar para se descobrir novos artistas. Tenho colocado o clichê à prova intensamente por motivos de Festivalando e a essa altura já está mais que clara a veracidade do mesmo. Especialmente nas minhas viagens para festivais na Suécia (Popegoja), República Tcheca (Brutal Assault) e Colômbia (Estereo Picnic), descobri artistas que me agradaram de imediato e hoje escuto com frequência. São um novo tipo de souvenir de viagem que passei a trazer na mala junto com os imãs de geladeira que minha mãe sempre pede para eu trazer.

Constato isso com uma certa felicidade por ter conhecido tantas coisas legais, mas também com um sentimento de shame on me, pois acho um pouco vergonhoso que em plena era da informação abundante e de fácil acesso eu tenha que ter viajado pra tão longe pra só então ouvir coisas novas. Escuto bastante coisa, e coisas diferentes, mas, no fim das contas, acaba ficando muito limitado aos artistas daqui do Brasil ou ao que jorra dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Colômbia – doses duplas no Estereo Picnic

Da Colômbia, por conta da minha ida ao Estereo Picnic, voltei com dois souvenires. Primeiro, a dupla Pedrina y Río (na foto acima), dona de um pop delicado e gracioso, recheado com camadas eletrônicas e guitarra. A primeira música do duo, “Enamorada”, foi lançada despretensiosamente no ano passado, sem nenhum artifício promocional, em uma rádio independente de Bogotá, e logo se converteu em hit nacional, daquele tipo que os ouvintes pedem nas rádios. Neste ano saiu o primeiro disco dos dois, “Canciones Sin Ropa”.

Já o La Tostadora é um coletivo audiovisual que faz o que eles denominam de “rayacoco bailador”, uma definição para aquele tipo que é capaz de se acabar de dançar tanto com cumbia, regaetton, quanto com house. Ou seja, um encontro esperto de música eletrônica com elementos populares e folclóricos. A performance de palco da dupla também entrega essa união de tradição e modernidade. Como é de costume na cena eletrônica hoje, eles se apresentam mascarados. Mas de uma maneira bastante singular, os adereços os transformam em “dois caciques de rave”, nos próprios termos da dupla. Foi legal ver como, lá no Estero Picnic, a galera compareceu para ver a dupla, mesmo com a concorrência pesadíssima do Jack White, que tocou no mesmo horário.

Suécia – novo indie no Popegoja

Da Suécia era fácil sair com uma descoberta, já que o Popegoja, o festival que motivou nossa viagem até o país do ABBA, é exclusivamente voltado para novos e novíssimos artistas da cena indie sueca. Tanto que os achados musicais do Popegoja renderam um post, mas de todo mundo que ouvi lá eu me apeguei mesmo foi ao PMtoyou, que tenho acompanhado desde então. Eles fazem um indie eletrônico que abusa de vocais suaves e sintetizadores para criar uma atmosfera onírica. Ao vivo, o sonzinho low profile ganha um certo contorno dramático com a banda toda uniformizada de preto e rostos pintados. Além do primeiro EP, “Hours” (2013), saiu há pouco tempo o primeiro álbum do grupo, “Me Mine Gone”.

República Tcheca – fronteiras com a Noruega

Era fácil também ouvir coisa nova no Brutal Assault, na República Tcheca, já que o heavy metal não é minha especialidade. De lá saí com duas bandas queridas do coração, coincidentemente ambas com origens na Noruega.

Primeiro, o Shining. Ah, o Shining. <3 O visual indie-friendly, com elegantes peças de alfaitaria e modelagem sequinha no jeitão do Interpol e do Franz Ferdinand, foi a isca pra que eu prestasse mais atenção no show. Mas o que me conquistou mesmo no Shining foi o híbrido ousado de industrial com black metal e jazz, este último onipresente no sax do vocalista Jørgen Munkeby. O disco “Blackjazz”, de 2010, sintetiza em seu nome o som que a banda vem fazendo desde então. Antes disso, a banda fazia jazz instrumental, com um flerte para o rock e sintetizadores, no meio do caminho que acabou culminando no som atual. Vale a pena ouvir os trabalhos desde o início para entender como eles chegaram até o seu único e peculiar black jazz. Vivo sonhando com o dia que vou ver um outro show do Shining.

Lembro de logo depois do Shining ter sido apresentada ao ~rave metal~ (zuera por minha conta) do Combichrist. Foi realmente uma noite ótima pra mim lá no Brutal Assault. O que me pegou na banda foi a mesma lógica do Shining, a combinação de elementos que normalmente não dialogam muito. No caso do Combichrist, a receita é música eletrônica com vocais e batidas agressivas, o que os entendidos chamam de aggrotech, um derivado do industrial.

E você, quais artistas descobriu em festivais de música? Conta aí! 😉

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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