Phil Anselmo não é mais aquele. Mas ninguém é.

13h. Mais uma vez eu estava no fatídico palco Arena, do Roskilde Festival, reservado para dar lugar ao show de uma das figuras mais importantes do metal mundial, sr. Philip Anselmo, ex- vocalista de nada mais nada menos que uma das melhores bandas de Thrash metal que já existiram, o Pantera. Enquanto a creche-metal se aglomerava no front pit vazio (não havia visto ainda em nenhum outro show do Roskilde tanta molecada junta), eu achava muito estranho que o público estivesse tão pequeno ainda para a ocasião.

O show atrasou. Muito provavelmente para ver se os herdeiros do Reino da Dinamarca davam o ar da graça. Provavelmente estavam todos numa ressaca festiva das noites de insanidade do festival. A música, mais uma vez, parecia ficar em segundo plano para o público. Demorou um pouco até a  Arena ficar cheia.Já para que ela ficasse animada, foram outros quinhentos.

Uma música estilo western/filmes tarantinescos versava sobre as aventuras de um certo Philip e seus comparsas. Achei interessante. E logo, apareceu irreverente no palco um dos homens mais nervosos que já vi na música, segurando um candelabro, tropeçando nos próprios pés, e com uma barriga intrigantemente grande, para quem lembra do abdome tanquinho que esse cowboy from hell usava ter.

Tudo isso não importa. Afinal, ansiosa estava mesmo pela oportunidade de escutar ao vivo, além do projeto solo de Phil, clássicos imortais do Pantera, e outras cançoes do Down e Superjoint Ritual.

Bêbado, chapado, confuso cansado e rouco. Mesmo assim não perdeu o brilho. A voz já não é mais a mesma, de fato. Decepçao? Um pouco! Da mesma forma que esperava ver um ser saltitante e enérgico no palco, e vi um sr. Phil Anselmo que levou uma derrapada e caiu de bunda no chão.

Ainda sim, Phil foi muito simpático. Vários objetos foram atirados no palco. Com dificuldades ( sim, dificuldades quase de um idoso!) ele pegou um a um e interagiu. Primeiro, o cap símbolo e prova de que não estava falando bobagem a respeito da creche metal – o chapéu é usado pelo estudantes secundaristas em ano de formatura. Depois, uma blusa de banda tamanho P, que levou Phil a se mostrar desapontado, enquanto mostrava a própria panca e reconhecia que nao tinha o manequim de outrora.

phil 2

E por aí de alguma forma ele conseguiu conquistar as pessoas, que contidamente se arriscaram em algumas rodas de mosh comportadas, desafiando as instrucoes da atenta crowd safety crew.

Quem esteve lá, assim como eu foi agraciado por performances que, apesar de todos os pesares, foram boas e sinceras para duas grandes músicas do Superjoint Ritual – “Fuck Your Enemy” and “Waiting For The Turning Point”,  uma cover do Arson Anthem- Wrecked like a Clockwork, e também uma cover de Agnostic Front – United and Strong.

E o ápice da comocao ( e nao falo da minha, pois já estava comovida desde o início), foi quando o tio Phil emendou 4 músicas e meia do Pantera! Death Rattle, um pouquinho de Hollow com um pedaco de Domination, Hellbound e para fechar só na alegria, New Level, que segundo ele era uma música nossa, não mais sobre ele…

E sabe-se lá por que cargas dágua, aliás, cargas de álcool talvez, Phil solta um trecho de Stairway to heaven e se despede de nós.

Seria injusto e egoísta exigir mais do Phil. As pessoas têm o direito de envelhecer e cansar desse trampo todo do metal. Mas o meu sentimento ao final foi de que, realmente, não vi o Pantera, nunca vou ver e preciso aceitar as coisas como elas são.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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