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O dia em que a Hungria “szambou”

Num festival como o Sziget, em Budapeste, na Hungria, com quase 1.500 eventos ao longo de uma semana, há espaço pra tudo. Até para o Molejão. Ou melhor, para uma banda que tem em seu repertório os clássicos do Molejo, do Exaltasamba, os clichês musicais do Brasil no exterior (“Mas Que Nada” e “País Tropical”) e os hits do momento no país, como “Beijinho no Ombro”.

A banda em questão é a Walking Samba, que integrou a programação do festival húngaro este ano, em um dos zilhões de palcos/tendas do evento. O grupo é formado por estudantes do Ciências Sem Fronteiras, o programa de intercâmbio do governo federal que abrasileirou a Hungria: do ano passado pra cá, cerca de três mil estudantes do Brasil foram estudar lá.

A Paula era uma dessas estudantes até agosto deste ano, e fomos ver o show do Walking Samba porque tinha muita gente que ela conhecia lá. Na verdade, praticamente todo mundo que estava no show era brasileiro, mas notei que havia alguns gringos embasbacados olhando pra gente com uma cara de: “como eles conseguem se divertir tanto?”.

Com exceção da Gra, que por motivos de metaleiragem abandonou o show assim que pode (mas não sem antes, muito profissionalmente, fazer as imagens do vídeo deste post), o resto da equipe do Festivalando se acabou de tanto dançar, cantar e passar por debaixo da cordinha (porque rolou É o Tchan também, ordinária!).

Particularmente, acho que foi o melhor show daquela primeira noite de Sziget. A gente tinha acabado de ver o Queens of the Stone Age no palco principal, e é claro que um show da Josh crew tem tudo para ser sempre muito bom. Mas a gente começava a descobrir ali que o festival era uma grande cilada, muito em função dos visitantes (se a gente soubesse, não tinha cantado “Cilada” do Molejo com tanta empolgação). O público estava apático, chapado e só queria saber de empurra-empurra. Resultado: o QOTSA fez um show apenas burocrático.

Já lá na tenda onde o Walking Samba tocava era só diversão. E no fim das contas, em um certo nível, é disso que se tratam os festivais, não é mesmo?

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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