" /> Iniciativas inspiradoras para mulheres na música | Festivalando
Girls Rock Camp – Divulgação

Iniciativas inspiradoras para mulheres na música

Nesse post aqui você aprendeu que o mundo dos festivais nem sempre tem sido o espaço mais aberto para a produção musical feminina, uma vez que elas não somam, na maioria desses eventos, nem a metade das atrações anunciadas. É preciso, então que a gente dê bronca e faça alarde, pois essa situação não é nada justa. Desigualdade de gênero não é uma fábula!

Porém, às vezes quando a gente reclama demais, esquecemos que também é possível arregaçar as mangas e fazer acontecer um mundo mais justo. Às vezes enxergamos tantas dificuldades que nos tornamos pessoas frustradas com tais arranjos sociais do cotidiano e não fazemos nada para melhorar.

Portanto, para fechar todas as nossas broncas dadas durante a semana especial da mulher aqui no Festivalando, achamos importante fazer esse post que se segue. O intuito é apresentar algumas iniciativas inspiradoras para mulheres na música – e de forma desejável, também os homens, para que possam contribuir para promover a igualdade de oportunidades entre os gêneros no mundo da música e dos festivais.

São 8 inciativas escolhidas: 7 brasileiras e 1 gringa. Espero que mais pessoas possam se inspirar para mudar a realidade!

Girls Rock Camp Brasil

Lembra de quando falamos da importância da Wacken Foundation para a multiplicação das bandas de heavy metal e das iniciativas culturais voltadas para esse segmento musical? Pois é, a organização Girls Rock Camp é de extrema importância para incluir e incentivar as mulheres no rock e heavy metal e, consequentemente, fazer com que elas se multipliquem nesse âmbito. Quanto mais mulheres passarem pelas experiências promovidas por essa organização e se interessarem por esse estilo de música, pode ter certeza que as bandas de mulheres e/ou com mulheres tem grandes chances de proliferar.
Nem sempre a falta das bandas de mulheres se deve apenas à má vontade de organizadores dos eventos de rock e heavy metal. O problema é que as vezes falta banda de mulher. Pois, temos que encarar a realidade: em várias famílias a formação musical das mulheres, e principalmente aquela voltada para a música pesada, não é prioridade. No Brasil, ainda vivemos em estruturas sociais que criam as mulheres para as atividades domésticas, o que fica bem claro nessa reportagem feita pela jornalista Eliziane Lara.

A proposta e missão da Girls Rock Camp é empoderar e promover a autoestima dessas futuras mulheres, usando a educação musical, o incentivo ao pensamento crítico e a colaboração entre elas. Na prática, trata-se de um acampamento diurno de férias, em que meninas de 7 a 17 anos se juntam para aprender a tocar um instrumento, compor e formar um conjunto musical, promovendo ao fim da experiência shows com apresentações inéditas.

O Girls Rock Camp acontece desde janeiro de 2013 e já está na sua terceira edição.

Girls Rock Camp 2015
Onde: Sorocaba, São Paulo, Brasil.
Quando: 14 a 24 de janeiro.
Contato: [email protected] ou (15) 997 692 563
Mais: http://www.girlsrockcampbrasil.org/

guitarra para meninas

Projeto Guitarra para Meninas – Girls Rock Camp Brasil

 

Metal Female Voices Fest

Criado em 2003 na Bélgica, o festival nasceu para promover e dar espaço às vocalistas do metal e bandas formadas por mulheres. Nightwish, After Forever, Lacuna Coil, Girlschool, ReVamp, Arch Enemy, Tristania, Epica, Doro, Theatre of Tragedy e outras são exemplos de atrações frequentes no festival. Além dos grandes nomes, o festival também recebe inscrições de bandas femininas de todo o mundo para compor o line up. Todo organizado por voluntários desde o início, o Metal Female Voices fest é um evento sem fins lucrativos e auto sustentável.

Onde: Oktoberhallen, Wieze – Bélgica.
Quando: Todos os anos, em Junho – porém, 2015 não haverá festival. Mas eles prometem voltar em 2016.
Mais: http://www.metalfemalevoicesfest.be/about.html

metal female voices

Metasl Female Voices 2013 – Divulgação

 

She Shakes the Earth

Organizado por Rosane Galvão, uma das maiores baixistas do Brasil, o She Shakes the Earth é um projeto que une a mulherada da cena metal de Brasília para interpretar um repertório com grandes clássicos do heavy metal internacional. O que era um encontro descontraído em 2009, depois acabou virando um pequeno festival de mulheres no metal. Infelizmente, 2012 parece ter sido uma das últimas edições. Esperamos que o projeto volte!

https://www.facebook.com/SheShakesTheEarth/timeline?ref=page_internal

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Caetité Metal Open Air

O Caetité Metal Festival é um evento apoiado pela lei de incentivo a cultura da Bahia e vai ter a sua segunda edição esse ano. Além de workshops e sessões com filmes e debates, o festival vai ter um dia específico (10/04) dedicado só às atrações cujas bandas são formadas por mulheres ou possuem mulheres que integram a banda. Das 12 bandas, 5 são possuem mulheres na formação: Ragnarocker, de Guanambi, Amnost, de Caratinga, Sweet Storm, de Uberaba e Rhizoma, de Vitória da Conquista. Domingo, dia 12/04, outra banda com vocal feminino subirá ao palco, a Born of Desire, de Feira de Santana.
Além disso, uma das sessões de cinema e debate do festival vai trazer o documentário Mulheres no Metal, que discute gênero e heavy metal entre as bandas femininas pioneiras desse segmento musical no Brasil.

Caetité Metal Open Air
Heavy metal, rock e cultura underground.
Onde: Caetité,Bahia.
Quando: 10 a 12 de abril.
Mais: https://www.facebook.com/CaetiteMetalOpenAir

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Caetité metal open air tem dia exclusivo só de bandas femininas

 

Hi Hat Girls Magazine

Essa é a primeira publicação brasileira sobre mulheres bateristas. A edição de estreia foi em 2012, organizada pela baterista carioca Julie Sousa, da banda Mortarium, a revista traz entrevistas exclusivas com mulheres bateristas nacionais e internacionais. Já passaram pela publicação, por exemplo, Nicki Wicked, baterista da Crucified Barbara e Vera Figueiredo, uma das maiores bateristas do Brasil que transita entre vários estilos, bandas e projetos.
O objetivo da revista é divulgar o trabalho das bateristas e também contribuir para a formação das mulheres interessadas por esse instrumento. A publicação é online e gratuita e já está na sua terceira edição. Dentre os vários planos para as Hit Hat Girls, Julie Souza também pretende em breve organizar um festival somente com mulheres bateristas. Não é demais?

Hi Hat Girls Magazine
Onde:http://issuu.com/hihatgirlsmagazine/docs/hhg_magazine
Contato: [email protected] ou [email protected]
Mais: https://www.facebook.com/HiHatGirlsMagazine

Hit Hat Girls Magazine divulgação.

Hit Hat Girls Magazine divulgação.

 

Documentário Mulheres no Metal

Esse é o primeiro documentário que começa a discussão sobre gênero dentro da cultura do heavy metal. Lançado no final de 2012, também o primeiro documentário a contar como foi a trajetória de algumas das bandas femininas de heavy metal pioneiras no Brasil. Curto, simples e manda o recado- o documentário é feito também por uma mulher, eu =) Jabá mais do que justo!

Em parceria com a Associação Imagem Comunitária, o documentário chegou à Rede Minas de Televisão e fez parte de uma série de programas do projeto Rede Jovem de Cidadania, patrocinado pela Petrobras e exibido na TV Brasil. Também foi exibido em uma série de mostras e festivais.

Como uma das tônicas da discussão, o documentário mostra como as mulheres também ajudaram a construir a história do heavy metal brasileiro, sem contudo receber os devidos créditos e atenção. A ideia é que as mulheres possam se apropriar dos meios de discussão audiovisuais para construir suas próprias representações e mostrar suas contribuições e trabalhos para o mundo.

https://mulheresnometal.wordpress.com/about/

 

Livro Mulheres do Rock 

Esse aqui caiu na minha mão durante a produção do “Mulheres no Metal”. É um livro  lançado em 2010, que fala sobre a cena rock e metal de Brasília – DF e entorno, do ponto de vista das mulheres que também fizeram a cena acontecer. Achei muito fantástica a publicação, não só por ter sido escrita apenas por mulheres, por ter representantes de muitas bandas fodas, como a Valhalla e Flammea(metal), Bulimia e Estamira (punk), mas também porque em alguns relatos dava para sacar o quanto a cena metal de Brasília estava muito próxima à cena de Belo Horizonte. As mulheres contam de viagens que faziam, das dificuldades para se montar e fazer durar uma banda de metal na década de 80 e 90. recomendo demais essa leitura! Infelizmente, acho que não é tão tranquilo comprar. Quando adquiri, haviam poucos exemplares disponíveis na Berlin Discos, no edifício Conic.

De qualquer forma, vale a pena entrar em contato com a “editora”  por e-mail:
[email protected] ou
[email protected]

mulheres do rock

Mulheres do rock – livro organizado e escrito por mulheres de Brasília.

 

Documentário Mulheres do Rock no Nordeste

A jovem fotógrafa piauiense Aquila Aira também não ficou de braços cruzados e decidiu mostrar a vida de algumas mulheres nordestinas que gostam de rock, são presentes e atuantes na cena da música pesada da região. Sozinha, ela entrevistou, filmou e editou histórias de várias mulheres que resitem na cultura do rock e metal, mesmo dentro de uma das regiões brasileiras em que a cultura popular e o forró são predominantes.

 

Empolgadxs? Mãos à obra para tentar fazer um mundo mais igualitário, em que homens e mulheres tenham acesso às mesmas oportunidades e sejam reconhecidos com os mesmos critérios!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário no mundo sobre Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Comecei a ir em festivais de metal internacionais em 2009. Desde então, viajar em busca da música, essa outra paixão, tornou-se um projeto profissional que hoje chamamos de Festivalando.

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