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festival imuneDenise Ricardo

Festival IMuNe: uma live-espetáculo como você ainda não viu e a proporcionalidade nos festivais

Era para ser uma programação itinerante por Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, mas a pandemia obrigou o Festival IMuNe – Instante da Música Negra a concentrar os shows, sem público, no Centro Cultural Lá da Favelinha, no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, neste sábado (26). A potência da programação, no entanto, se manteve.

Dando um passo além no formato das lives que têm sido o refúgio da música ao vivo nessa pandemia, o Festival IMuNe vai entregar ao público, a partir das 20h, uma live-espetáculo pelo YouTube e com projeções no Algomerado da Serra e no centro de Belo Horizonte. Os shows de Elza Soares com Flávio Renegado, banda IMuNe, Favelinha Dance, Meninos de Minas e MC Dellacroix vão ser um híbrido de música e teatro.

festival imune 2020

Juntos, eles vão representar a saga do contador de histórias, que será encenado pelo rapper Djonga, que assumirá a figura de um griot durante a transmissão. Na narrativa, a proposta de reiniciar a experiência negra em solo inimigo por meio da imunização das pragas do apagamento histórico.

“Estamos todos perdendo nessa pandemia, principalmente o povo preto, que tem morrido mais, mas a gente se adaptou do jeito que deu e eu espero que o público sinta nossa honestidade no trabalho apresentado”, diz Bia Nogueira, idealizadora do coletivo IMuNe, plataforma que, além do festival, realiza há quatro anos ações para fomentar e amplificar carreiras de artistas negras e negros.

Com texto de Marcos Fábio de Faria, direção de Lucas Costa e argumento de Bia Nogueira, todos do Grupo dos Dez, grupo de pesquisa do teatro musical brasileiro, e baseado na Teoria Afroapocalíptica do multiartista Rodrigo Jerônimo, a live-espetáculo dialoga diretamente com um momento em que se intensificou a visibilidade da luta antirracista.

“Nós tínhamos o desejo de fazer uma reflexão sobre o momento em que estamos vivendo, sobre a questão dessa política de estado de extermínio do povo preto, do racismo estrutural, que é um assunto que as pessoas têm finalmente dado atenção, mas que a nossa militância vem desde sempre denunciando e eu acho que é o momento perfeito pra gente fazer essa discussão”, reforça Bia.

Proporcionalidade nos festivais

Ao longo de agosto e setembro, o festival realizou a série Rolezinho IMuNe, com debates no YouTube sobre cultura e antirracismo. Um dos temas que atravessou as conversas foi a proporcionalidade nos festivais de música, uma perspectiva que vai além da ideia de representatividade.

“É essencial que os festivais, os editais, as curadorias sejam não representativos, mas proporcionais, um termo que a Joice Berth tem falado. Temos mais de 50% de pessoas negras, então tem que ter mais de 50% de pessoas representadas no lineup, tem que ser proporcional. A mesma coisa para mulheres, para pessoas LBTQIA+, para pessoas com deficiência”, explica Bia.

A artista defende que esse deve ser um questionamento e um compromisso a ser assumido ativamente por quem organiza festivais. “Estamos vivendo uma grande mudança social e eu acho inclusive que o que nós estamos vendo nesse governo com orientação fascista, o discurso fascista crescendo, é uma resposta aos avanços dos nossos direitos civis e eu acho que a gente não pode retroceder. Não temos mais tempo de reproduzir machismo, racismo, capacitismo, LGBTfobia. Os artistas e produtores têm que se comprometer cada vez mais”, afirma.

Veja aqui e aqui os debates do Rolezinho IMuNe

Imunidade Sonora e novos clipes

A live-espetáculo com os shows deste sábado encerram a programação de 2020 do Festival IMuNe, mas as ações da plataforma continuam.

Até o dia 4 de outubro a campanha Imunidade Sonora arrecada doações para gerar renda para artistas negras e negros, doar recursos para instituições que atendem a população negra e contribuir para a equipe envolvida na construção do Festival IMuNe.

Até o momento, 17 artistas receberam um auxílio-carreira e outros cinco foram selecionados para a live de abertura que deu início às atividades do festival.

Você pode fazer sua doação, em qualquer quantia, neste link.

O coletivo também vai lançar novos clipes, quinzenalmente, até novembro, no YouTube. Eles se somam aos clipes já lançados de “Podemos fazer”, “Me deixa dançar” e “Movimento é poder”. Veja abaixo a agenda de lançamentos e a playlist com os clipes já lançados:

5/10 – “Quem é você?”
19/10 – “Pra limpar terreiro”
2/11 – “Preta Iabá”
16/11 – “Taurina”
30/11 – “Minha Gang”

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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