estrutura do popload festivalOswaldo Corneti/Popload/Divulgação

Estrutura do Popload Festival: quem te viu, quem te vê

Atualizado em 28/11/2018 – Sempre que possível, convém incluir no Festivalômetro a revisão da estrutura de um festival caso a gente volte a visitá-lo. Afinal, estamos tratando aqui de arranjos dinâmicos, que podem mudar, e muito, com o passar do tempo. Chegou a hora de a estrutura do Popload Festival passar por essa revisão, não só porque a primeira avaliação foi feita lááá em 2014 como também porque hoje ele é um festival completamente diferente neste aspecto.

O perfil musical segue o mesmo. Mas as mudanças de local, da Audio Club para o Memorial da América Latina, e de horário, do início à noite para o início na hora do almoço, naturalmente transforaram a estrutura do festival.

Infelizmente, foi uma transformação que progressivamente levou embora muitas das características que fizeram o festival figurar até então como um dos pouquíssimos do nosso Festivalômetro a ter uma nota média acima de 9. A média caiu e, com isso, só o Sweden Rock e o Montreux Jazz Festival seguem com essa rara média. Pelo menos até que a gente tenha a oportunidade de visitá-los outra vez.

Transporte

Este é um ponto de destaque da estrutura do Popload Festival. Além de acontecer ao lado de uma das estações do metrô de São Paulo (Barra Funda), o que facilita a chegada do público, o festival é programado para acabar em um horário que permite o retorno fácil também pelo metrô, antes que os trens parem de rodar.

Em 2018, ainda houve a parceria com um aplicativo de recargas do cartão de transporte público de São Paulo. Ela dava um crédito extra para quem utilizasse o app.

Informações

O site do Popload Festival e as redes sociais foram bem nutridos com informações básicas, porém importantes. No dia do festival também havia distribuição de guias impressos em pontos estratégicos e uma boa sinalização.

No entanto, faltou o festival trabalhar melhor a comunicação com o público. Principalmente quando choveram críticas contra a cobrança diferenciada de preços para a pista comum e pista prime (mais detalhes no tópico seguinte).

A esse respeito, dias depois da publicação deste post, uma seguidora lembrou no Twitter que uma promoção relâmpago foi criada nas redes sociais do festival no calor das críticas à cobrança diferenciada de preços, conflitando com as reclamações do público. O mais correto naquele momento seria dar um parecer e não criar um movimento para desviar atenção dos posts com reclamção.

estrutura do popload festival

Oswaldo Corneti/Popload/Divulgação

Hidratação e Comida

Aqui chegamos em um ponto crítico da estrutura do Popload. Um monte de food trucks com oferta variada de comida e bares com oferta de cerveja, drinks e água. Até aí, tudo dentro da média.

Mas o festival decidiu cobrar preços diferenciados para bares e trucks da pista comum em comparação ao cobrado para os mesmos estabelecimentos na prime. Esta é uma prática que não se alinha aos direitos do consumidor. Mais precisamente, quem foi de pista pagou R$ 2 a mais por bebidas e, em média, R$ 5 a mais por alimentos.

Muita gente reclamou e o Procon-SP está apurando o caso, juntamente com as queixas individuais que chegaram até o órgão pela internet. Fora as reclamações formais, quem não quis ficar refém desta política de preços também pode entrar com comida e copos de água.

Havia bebedouros, mas poucos. Apenas dois e muito bem escondidos, somente na área da prime. Assim, não é possível dizer com todas as letras que havia água de graça no festival. Mais ainda quando a facilidade estava disponível somente pra quem podia comprar água mais barata. Hidratar-se custava R$ 6 nos bares da prime contra R$ 8 nos bares da pista comum.

EDIT em 28/11/18: no Twitter, uma seguidora informou que havia bebedouros também na área da pista comum, mais precisamente do lado esquerdo palco, próximo à escultura símbolo do memorial (a mão com o mapa da América Latina), embaixo de uma escada.  

Conectividade

A Heineken disponibilizou uma rede wi-fi para facilitar a participação do público em uma das ações que a marca realizou durante o Popload. Ponto positivo, pois já foi falado aqui no Festivalando inúmeras vezes como os patrocinadores podem ter papel ativo na conectividade dentro dos festivais. É bom para o público e ao mesmo tempo facilita a própria propagação de suas marcas e ativações no evento.

Porém, a conexão estava instável e limitada à área onde foi montado o palco que abrigou a ação da cerveja.

Limpeza e Banheiros

Os banheiros foram outro ponto da estrutura do Popload que mudou para pior, junto com a alimentação e sua política diferenciada de preços. Em anos anteriores, os banheiros eram com água corrente e pias em todos os setores. Neste ano, eles estavam disponíveis apenas na pista prime. Para a pista comum restaram apenas os banheiros químicos.

Com relação à limpeza, havia lixeiras dentro do possível espalhadas pelo memorial.

Segurança

Houve uma revista padrão na entrada (pelo menos no momento em que entrei). Não presenciei nenhum episódio que fosse danoso à segurança no local. Talvez seja importante rever o uso do espaço no Memorial. Neste ano o festival ficou visivelmente mais cheio num espaço que não é dos maiores. Com isso, a circulação não fluiu tão bem em alguns momentos, o que pode ser um problema em situações inesperadas.

Leia mais sobre o Popload 2018

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Transporte10
Informações5
Hidratação e Comida5
Conectividade5
Limpeza e Banheiros6
Segurança8.5
Infelizmente, o Popload Festival do Memorial da América Latina passou por mudanças na estrutura que o deixaram muito longe do festival em seus anos iniciais, na Audio. Em 2018, principalmente, mudanças nos banheiros e a política de preços diferenciados para setores diferentes comprometeram o desempenho do festival.
6.6

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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