Uma volta na esquina de casa basta para mudar um pouco nossa visão de mundo. Uma viagem ou morar fora da terra natal também, ainda mais quando os olhos vêem outras virtudes. É por conta disso que às vezes é tão difícil voltar para casa. Quando você vai para Escandinávia, então, a coisa fica muito complicada. Há poucas chances de você não gostar daqueles lindos países.

Costumo dizer que o brinquedo Lego não poderia ter sido inventado em outro lugar senão a Dinamarca. O conceito do lego está lá, onde tudo se encaixa e ainda fica bonito, com estilo próprio e arrojado. E é assim também na Noruega e na Suécia. O problema é que um lugar tão maravilhoso pode arruinar a sua vida, quando você o deixa. Aos viajantes, desejo sorte. A depressão pós-Escandinávia dilacera. E ainda pode deixar sua mente tresloucada ou super revoltada quando você retorna ao seu país.

O que  teria acontecido comigo para a escadinávia arruinar minha vida, no melhor sentido possível? Te conto aqui, listando algumas “manias” dinamarquesas que peguei, ou simplesmente as consequências do maravilhoso ano que vivi naquele país.

Virei a louca da pontualidade

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Na Dinamarca nada atrasa, ninguém se atrasa. Quando os ônibus estão muito atrasados em um ponto, correm  para chegar ao outro no horário. Quando estão adiantados, param e esperam para sair em direção ao próximo, chegando lá pontualmente. Um dia deixei um amigo dinamarquês bem chateado com um atraso de cinco minutos. Daí em diante virei amiga do relógio. Mas o resto da sociedade brasileira não… daí o resultado são chás de cadeira inimagináveis.  Uma hora de antecedência para tudo virou padrão. E eu virei a chata.

Incapaz de sentir frio no Brasil

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No meu último dia na Dinamarca o termômetro marcava 16 graus. E era verão. Cheguei ao aeroporto de Confins, no Brasil, fazia 27 graus, no inverno. Eu sabia que empacotaria meus casacos de pena de ganso. Só não imaginava empacotar também as jaquetinhas e blusas de frio mais leves. 20 graus para mim tinham outro significado antes do meu ano dinamarquês.

Sem tolerância para o machismo depois de viver na Escandinávia

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A sociedade escandinava é uma das mais igualitárias quando o assunto é gênero. Lá, mulher não sai com medo de estar sozinha na rua, divide as tarefas com os companheiros, é livre para fazer escolhas. Ninguém sofre na rua com os assobios, assédios constantes. Isso aqui no Brasil faz talhar meu sangue!

Achando que o Brasil é barato

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Pelo fato de os preços da Dinamarca serem muito elevados – por conta dos impostos que são muito bem devolvidos em benefícios para a população, cheguei achando que o Brasil estava barato. Mas num tá coisa alguma! Vivemos uma das piores altas de preços e juros dos últimos tempos.

Sinto-me sem direito de ir e vir depois de morar fora

Quero meu Rejsekort de volta (o famoso Vale Transporte dinamarquês), com todo o sistema de transporte público que conecta tudo e todos aos mais diversos lugares. Pontual, limpo e funcional. Sabe o que é poder contar em se deslocar com conforto e segurança por todos os lugares dentro de um país?

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A prudência e respeito dos motoristas para com os pedestres também ficou lá na Escandinávia. Aqui no Brasil, penso que os motoristas são meio psicopatas.

Brasil, seus gigantes lindos campos têm mais flores?

faz sentido isso

Não. Não mesmo! Ando por Belo Horizonte e só topo com concreto. Andava em Copenhague e me deparava com entradas para parques, praças verdes, jardins bem cuidados nas frentes das casas. Perto do que vi, Belo Horioznte se tornou uma cidade ainda mais hostil.

Ciclista frustrada pós Dinamarca

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Vivi um ano lindo de liberdade, em que usava uma bike para ir aonde quiser, a hora que quisesse. Ciclovias maravilhosas que serviam como meio de transporte,  mas também como forma de espairecer naquela cidade. Sem contar o respeito com os ciclistas. Já no Brasil, ciclista tem status de vagabundo, é quase sempre atropelado no trânsito, a ciclovia é mal vista pelos prepotentes donos de carros, que se acham donos da cidade também. Quero minha bike, ciclovias e respeito de volta!

O golpe final: você ter o gostinho da sociedade dos seus sonhos e depois ter que largar o barco é muito chato, e daí você começa a achar difícil a readaptação à sua cultura. Pedir a permissão para morar na Dinamarca é uma tarefa complexa. Você precisa ter uma certa grana, um bom convite de trabalho e também o conhecimento do idioma para cogitar viver por lá . Eis aí o motivo de a minha vida ter se tornado tão dramática.

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Tá a fim de “arruinar” a sua vida, também? Dá uma olhada neste guia prático e sentimental para uma viagem para a Escandinávia <3

 

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9 Comments

  • Neto Macedo
    Posted 1 de agosto de 2015

    Fiquei me sentindo um pouco assim é só fui duas vezes e fiquei um mês em cada na Dinamarca. Te entendo. =\

    • Gracielle Fonseca
      Posted 1 de agosto de 2015

      Nossa, Neto.É um sentimento muito ruim. Eu amo o Brasil, as belezas e grandezas desse país, nosso povo. Mas tem hora que é complicado pensar sobre…

  • Fernando Palacios
    Posted 2 de agosto de 2015

    Um comentário quase fora de contexto: Lego foi inventado na Inglaterra e plagiado pelos noruegueses. É uma história trágica, aliás.

    • Gracielle Fonseca
      Posted 3 de agosto de 2015

      Olá, Fernando. Você pode citar a fonte dessa informação? É que na legoland, nas lojas e em tudo que já vi versando sobre lego, a atribuição de autoria era a um dinamarquês que morava em Billund, Dinamarca. Abraço!

  • Fernando Palacios
    Posted 2 de agosto de 2015

    Ops, quis dizer ‘plagiado pelos dinamarqueses’.

  • Julio Oliveira
    Posted 16 de fevereiro de 2016

    Gracielle, eu fiquei uma vez uma semana na Alemanha e demorou algum tempo para eu aceitar que o Brasil, nem em 500 anos seria algo próximo daquilo. Na Escandinávia, que acompanho muito por noticias, por hobby, nem em 2000 anos. É duro mesmo a readaptação. Penso que existe um conceito de respeito pelo espaço do próximo entre os que convivem dentro da comunidade. Lá, é real, aqui só à base de “leis” que não são seguidas. O impressionante e maldito jeitinho brasileiro é a pior praga que existe nestas bandas do mundo. Tomara que você possa um dia retornar e viver por lá.

    • Gracielle Fonseca
      Posted 16 de fevereiro de 2016

      Oi, Júlio!!

      Nossa, é desse jeito… a volta é bem sofrida… Parece que gosto do meu país só para passar férias e comer, rsrsrs, pq o resto me dilacera =( Obrigada pelos seus votos!!! Que eles se realizem mesmo!!! <3

  • cancostabr
    Posted 19 de agosto de 2016

    Uma semana em Estocolmo e também me senti assim… Só melhoru depois que voltei do Egito e vi como somos felizes (rsrs)…

    • Gracielle Fonseca
      Posted 19 de agosto de 2016

      Huahauahau, sim!!! É complicado, né? rsrsrs. Bjs e valeu pelo comentário!

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