" /> Bonitinha, mas um pouco ordinária | Festivalando
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Bonitinha, mas um pouco ordinária

Ela foi uma das novidades mais badaladas da organização do Lolla 2014: a arquibancada natural. Na verdade, era apenas o relevo natural do autódromo de Interlagos, para onde o festival se mudou, a partir do qual a produção soube tirar um bom proveito: os dois maiores palcos foram montados de frente para uma área inclinada, de modo que ficassem circundados pelo relevo que automaticamente formou o desenho de uma arquibancada. Boa sacada, mas com efeitos práticos limitados, infelizmente.

O efeito mais imediato foi visual e ficou realmente lindo. Ficou bonito ver o pessoal estirado na grama descansando, papeando, namorando, cantando, principalmente nos shows que aconteceram à tarde, com aquele céu azul que nunca deixa de ser surpreendente em São Paulo. Deu aquele climinha bucólico de festival em parque na Europa. Mas tudo isso só funcionava se você se contentava em apenas ajudar a ornar a paisagem e não se importava muito com o que estava acontecendo no palco.

Apesar de favorecer a visão dos shows por causa da inclinação (principalmente para os menorzinhos como eu), a arquibancada natural não recebia bem o áudio dos palcos. Arrisquei ver a partir dos morrinhos de Interlagos o show do Muse, no sábado, no palco Skol, e o show do Vampire Weekend, no domingo, no palco Onix, e o resultado foi o mesmo: som distante e abafado. Uma conversa boba do seu lado já te impedia de ouvir com mais clareza a música. Me movimentei para pontos diferentes da tal arquibancada, mas em vão. Só quando desci em direção ao palco, nos dois dias, é que comecei a ouvir melhor. Produção, fica de olho na distribuição do som na próxima edição do festival. Não deve ser impossível resolver isso.

Problema maior em relação a essa geografia de Interlagos, me parece, mas que neste ano não chegou a ocorrer, parece ser o escoamento de água. Quem conhece o autódromo em condições adversas de temperatura (leia-se chuva) comentou bastante, antes do festival, sobre o risco de alagamento, como ocorrido em outros shows no local (caso do Iron Maiden em 2009 aqui e aqui). Nesse caso só resta torcer para o sol brilhar como brilhou este ano.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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