Fotos: Gracielle Fonseca/Festivalando

A pochete é a nova camiseta dos Ramones

Não tem pra Rolling Stones ou Arctic Monkeys. O hit de Roskilde é a pochete. Sim. Aquele acessório discriminado, mal falado, rejeitado é uma quase unanimidade entre o público que está no festival este ano. Ninguém aqui quer saber de vir pra festival com camiseta dos Ramones, bem.

Um minuto (um minuto mesmo) de observação basta para detectar uma avalanche de pochetes se destacando nos corpos na multidão. Achar alguém usando uma pochete por aqui é tão fácil quanto achar uma lata de cerveja no chão. Contei 12 quando estava subindo as escadas que dividem a área do festival. Cheguei do outro lado e tinha mais outro bonde da pochete. Na feirinha de roupas e acessórios, lá estava uma dezena delas expostas para quem quisesse entrar na moda de Roskilde. Eu e Gra nos sentimos super démodé com nossas mochilas.

Além de ser unanimidade em si em Roskilde, a pochete também é unanimidade em cor e no modo de usar. Ninguém arrisca muito e opta pela pretinha básica, aquela modelo tiozão. E ao invés de usar na cintura, a tendência aqui é usá-la atravessada no ombro.

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Mas vamos ser compreensivos com esse pessoal: a pochete ao menos tem seu uso justificado pela praticidade de guardar consigo coisas importantes e de valor, o que não acontece com os top-acessórios-vergonha-alheia de festival como as coroas floridas e os cocares de índio. Com esses não tem desculpa.

O fato é que as pochetes já ensaiam há algumas temporadas uma aceitação na panelinha das tendências de moda. Foi uma das apostas do Emporio Armani lá atrás, para o verão 2012, por exemplo. A coisa ficou mais séria na última temporada de desfiles aqui na Europa e nos Estados Unidos. Moschino, Missoni e Alexander Wang colocaram pochetes nas cinturas das modelos em suas coleções para o verão 2014. No Brasil, a Espaço Fashion fez o mesmo. E por último mas não menos importante, o acessório apareceu também no desfile de alta-costura da Chanel (alguém interdita o Karl, pfvr).

Os dinamarqueses parecem estar seguindo à risca a tendência e não só dentro do festival (foto à esquerda). Em um passeio pelo centro de Copenhague também vimos pochetes à venda em lojas  (foto à direita) e clientes escolhendo entre uma peça e outra com a maior cara de dilema.

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Falando sério agora, é curioso notar, de modo geral, como Roskilde é uma espécie de festival da anti-moda. Como a imensa maioria do público opta por viver uma semana lá dentro acampado, o estilo todo-trabalhado-no-look-de-festival dá lugar a gente andando de chinelo, meio basicão, como se estivesse em casa – não falta estilo mesmo nessas condições, mas é perceptível que há pouca preocupação em parecer arrumado.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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