acampar em festivalOle Magnus Kinapel/www.kinapel.no/Divulgação

Por que você deve acampar em festival

Eu nunca fui adepta de acampamento e sempre achei que dormir no chão dentro de quadro paredes ainda é melhor que dormir num colchão dentro de uma barraca sob a ~luz das estrelas~. Por isso, leve muito a sério o que eu vou dizer: se você for a um festival que tem acampamento e estiver na dúvida se arma sua barraca ou não, arme. Acampe. Você deve acampar em festival. Se você for da minha turma e não gostar muito desse papo de barraca, considere passar ao menos uma noite no acampamento (em muitos dos festivais é possível fazer isso). Mas acampe.

Acampe não só porque do ponto de vista prático isso te poupa tempo e dinheiro com deslocamentos e hospedagem, mas porque do ponto de vista da experiência é algo singular. É claro que um festival também pode ser maravilhosamente prazeroso se você não acampar. Alguns deles nem têm camping. Mas, como disse, a experiência de um festival a partir do acampamento é como nenhuma outra.

O camping não é um amontoado de barracas com gente louca e bêbada (ok, às vezes é isso também). É uma outra dimensão que te permite mergulhar completamente na realidade paralela de um grande festival. Não tem a volta pra casa no fim da noite que quebra o clima e te faz retornar pra vida real e normal. É diversão, cansaço, brincadeira, loucura e quebradeira full-time. Por alguns dias, é como se não existisse a vida lá fora.

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“Cidade dos Sonhos” é o nome de uma das áreas do acampamento do Roskilde Festival, na Dinamarca. Foto: Gracielle Fonseca

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Gra e eu nas portas do paraíso. Quer dizer, no acampamento do Roskilde, onde gastamos boa parte do nosso tempo no festival dinarmaquês

Acampar em festival é uma experiência genuína

Me lembro dos meus primeiros minutos dentro do Roskilde, na Dinamarca. A entrada é obrigatoriamente pela área do camping, e logo nos primeiros passos que dei em meio às barracas, pensei comigo: “gente, isso é um festival de verdade!”. Detalhe: a área do festival estava a muitíssimos metros (ou até quilômetros) dali, com passagem bloqueada. O festival em si (os shows), só começariam dali a quatro dias. E esse é um detalhe realmente importante. O festival mesmo só começaria numa quinta, mas naquela segunda-feira em que chegamos o acampamento já estava lotado. As pessoas amam tanto o clima e a energia do local que a organização libera o camping dias antes. O público responde e logo trata de acampar só para viver nessa atmosfera.

Um dinamarquês que vai ao festival há seis anos com a mesma turma de amigos me disse claramente que, para muitos, inclusive pra ele, a música é o que menos importa em Roskilde. O importante mesmo é deixar os problemas lá fora e viver aquele momento, e eles esperam ansiosamente todos os anos para que essa hora chegue. Hoje isso é muito claro pra mim. Minha experiência no Roskilde foi profundamente marcada pelo que eu vivi no acampamento.

Saldo final

Eu e Gra achamos que passamos mais tempo no acampamento que vendo shows lá em Roskilde. Não foram poucos as vezes em que gastamos uma tarde inteira visitando os vários setores do camping, cada um com atrativos diferentes: um com quadra de areia, outro com um lago para nadar. Também não foram poucas as vezes em que falamos: “ah, vou ali pegar uma coisa pra comer na barraca” e acabamos sendo abduzidas no meio do caminho por uma turma de gente legal, uma festinha no meio da tarde, uma oferta de cerveja, e nos esquecemos completamente de qual era a nossa intenção inicial.

O acampamento é a parte pulsante de um festival

Ao fim do festival, apelidamos o acampamento do Roskilde de Party City. É que o festival tem áreas de lazer e criação batizadas de City: a Street City tem atividades esportivas; a Dream City era onde rolavam experimentos criativos, com arquitetura e reciclagem, etc. O conjunto todo do acampamento é a nossa Party City porque é uma festa sem fim, onde se ouve Spice Girls, Arctic Monkeys e muito dubstep a qualquer hora do dia ou da noite em inúmeras festas “pop-up”, que brotam de qualquer lugar.

O acampamento é a parte pulsante de um festival. Os shows acabam, as luzes se apagam, mas a atividade nele continua, com gente circulando, bebendo, gritando, brincando. Naquele amontado de barracas, o festival nunca para e nunca deixa de acontecer. E por alguns dias a vida vira uma versão prolongada de “Curtindo a Vida Adoidado”, do jeito que todo mundo já deve ter sonhado em algum momento.

Por isso, em nome do cara que me tirou pra dançar uma música baranga dinamarquesa quando eu passei no meio da festinha que ele fazia com os amigos; em nome do outro cara que me abraçou só porque queria abraçar todo mundo que encontrasse pelo caminho; em nome dos meninos e meninas do acampamento metaleiro Blast Beast que nos recepcionaram com bebida de graça e fizeram nossas tardes mais divertidas; em nome do dinamarquês fofo com quem eu fiquei nos últimos três dias de Roskilde; em nome dos metaleiros que a Gra viu dançando Backstreet Boys em pleno camping do Wacken, na Alemanha, a holy land do heavy metal; em nome de tudo isso que pode-se viver no meio de um amontoado de barracas, considere fortemente acampar em festival. Acampe para entender de maneira plena a experiência que um festival pode te proporcionar.

Veja nosso guia com dicas práticas para acampar em festival

Utopia

A imagem principal deste post, aquela lá do alto em preto e branco, é do fotógrafo norueguês Ole Magnus Kinapel. No ano passado, durante o Roskilde, ele registrou cenas do acampamento que captam muito do que eu eu senti e contei acima. A série de fotografias foi batizada de Utopia. Diz muito, não? Veja mais imagens no www.kinapel.no.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

2 comments

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  1. Rodrigo Airaf 14 maio, 2015 at 08:27 Responder

    Já acampei uma vez no Soulvision e não curti muito não, ainda estou tentando criar coragem pra fazer isso de novo. Definitivamente acampar é toda uma experiência, mas quando o festival é de música eletrônica e você dança por 12h sem parar, tudo o que você precisa é de wifi e uma cama hahahahha

    • Priscila Brito 14 maio, 2015 at 15:03 Responder

      O desgaste físico é o que mais depõe contra o acampamento e é por isso que não dá para considerar o camping como uma opção sempre. Mas tem festivais que realmente pedem essa imersão. Boa sorte na próxima tentativa de acampar!

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