Popegoja é o festival dos encontros, piqueniques e misturas

Tínhamos acabado de viver o furacão Roskilde. E o Popegoja foi meio que o mar calmo, como o das águas de Ribersborg beach, em que passamos para dar um mergulho na quinta feira, dia em que começou o festival.

Depois de, pasmem, pegarmos uma praia na escandinávia, andamos 20 e poucos minutos até o Folkets Park. Havia poucas pessoas e um clima de “domingo no parque”, apesar de ser quinta.

encontro

Quando chegamos, a abertura já tinha acontecido. Eu e a Pri compartilhamos um pouco de frustração. Afinal, o Roskilde havia sido insano, movimentado, com uma quantidade de estímulos que iam além de plantar-se em frente a uma banda e esperá-la fazer o trabalho. Não que isso também não seja bom. Afinal, para nós talvez essa ainda seja a parte principal de toda a brincadeira. O clima era morno, mas aos poucos fomos nos calibrando nele. A Pri talvez um pouco mais rápido do que eu, uma vez que o estilo de música tocado por lá faz mais parte do repertório dela que do meu.

Meu olhar então derivou. Já não estava muito nas bandas, e sim nas pessoas e no parque. O parque, pequeno e kitsch. As pessoas, de várias nacionalidades, coisa que não vi tanto no Roskilde. Tinha indiano, africano, brasileiro, árabes. E claro, os suecos. Muitos amigos e muitos casais com filhos, crianças que se divertiam nas fontes de água ou na grama. Casais que às vezes lembravam personagens do trainspotting, não só pelo visual alternativo, mas por um ar meio carregado e triste que algumas faces traziam.

Os amigos, entretanto, pareciam estar mais leves. Sorrisos se encontravam e panos xadrezes eram estendidos sobre a grama. Sobre os panos, comidas, mas também vinho em caixa. Teve gente que se prestou a fazer churrasco, nas churrasqueiras descartáveis de alumínio, muito presentes por esses lados de cá.

collage piquenique ludo

Algumas pessoas pareciam ter saído direto do trabalho, outras estavam ali por conta do evento. Mesmo assim, o coro era pequeno. Três palcos com atrações que intercalavam umas as outras. Poucas pessoas agindo como plateia exclusiva das bandas. Eram todos bem mais plateias do parque e do encontro com os amigos. Tinha gente jogando ludo enquanto rolava uma banda no palco principal,e tinha gente que dançava sozinho, como se ninguém estivesse olhando.

Sem confusão e ansiedade. Estava ali diante de mim uma nova experiencia de festival. O primeiro na vida que assisto deitada, de pernas para o ar, aprecio os pássaros, que são os de grito estridente do litoral, os cheiros, percebo os sons da língua sueca, que pareceu um “italiano” da escandinávia…. A música é só coadjuvante. Mesmo – nada suficientemente metálico para invocar meus demônios.

Divertido foi observar tudo aquilo, toda aquela novidade de gente e som. Deu saudade de outros cantos, deu vontade de dormir também. Por que ir a um festival como este sendo quem sou, gostado do que gosto? Para saber como é também faz parte.

fest

Compartilhe este post

Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

1 comment

Add yours

Deixe uma resposta