O que e onde comer em Fortaleza

Vai querer se lambuzar e se sujar toda ou prefere a coisa limpinha? Sem titubear respondi que meu negócio era a sujeira! Contente com aquilo, minha querida amiga Mary Pimentel, carinhosamente apelidada de Marrom – e não é por conta da diva Alcione, mas sim por conta da Mary Harron, disse que iria me ensinar todas as artes de se comer um caranguejo, maravilhosa iguaria das praias do nordeste.

marrom

A arte e manha de comer um caranguejo

Ir à Fortaleza e não comer caranguejo na praia deixa seu currículo de vida empobrecido. Ali, numa escapadinha entre o mar e o mosh durante as atividades do festival ForCaos 2015, dediquei uma manhã ao aprendizado do caranguejo. A empreitada é bruta e não vai ser de agrado vegetariano. Também não é para sujeitos de muitos escrúpulos com higiene e modos à mesa. Caranguejo é para quem ama frutos do mar e não tem frescuras. Mas para aqueles que são assumidamente avessos à essa situação toda e ainda querem provar o bicho, a opção da casquinha de siri estará lá, limpa, pronta, sem a emoção das descobertas do fascinante corpúsculo de um caranguejo!

A chegada de bacias, cilindros e tábua de plástico antecipam a presença do caranguejo. Em seguida ele chega majestoso, lindo e cheiroso. Os acompamhamentos são farofa, vinagrete e alguns molhos feitos com leite de coco. Uma delícia! Tudo perfeito, exceto pelo fato de que se não fosse a minha instrutura, tudo aquilo seria inacessível ao meu paladar.

Marrom fala da funcionalidade dos instrumentos, daquilo que foi quase uma operação ortopédica, só que num esqueleto externo: Com esse cilindro você quebra a parte de fora do caranguejo, mas existem pontos e uma força específica que você deve aplicar, ou do contrário quebra mais do que deve e não consegue comer a carne.

Fiz minhas primeiras destruições nas perninhas. Na verdade, antes mesmo disso eu fiquei contemplando como eram bonitinhas e articuladas. Uma graça. Cada fibra uma descoberta, sabores e texturas suculentas. Soube desde então que seria difícil, porém teria uma ótima recompensa.

caranguejo processo

A cabeça é um atração por si só. Intrigante, parece uma caixa com vários truques para abrir. Uma tampa por cima, um botãozinho que se aperta por trás e faz desprender os miolos. Eles saem, num formato não tão bonito. Mas um caldinho delicioso fica numa cumbuquinha natural, aquela cabecinha oca, que será recehada de farofa e molho. É bom limpar um pouquinho, pois os miolos são levemente amargos.

Parte dessa empreitada também é intuição – o melhor ângulo para quebrar, o jeito certo de puxar uma fibra, tudo isso virá da observação e relação estabelecida com o seu bichinho. O que não pode ser por intuição são os lugares para se comer o danado. Por fim, os lugares já disponibilizam lavabos para que a você possa limpar um pouquinho a sujeira que vai fazer nas mãos e na boca ao comer esse prato!

A Marrom me levou à barraca Arpão, na Praia do Futuro. Uma delícia. Meu amigo Emy, também cearense garante que os melhores caranguejos podem ser encontrados na barraca Marulho, na qual também fomos depois.

Os caranguejos podem vir em unidade ou em porções. Cada um custa entre 3,50 e 5,00 reais. Você pode encontrar porções mais simples entre 15,00 e 20,00 reais, ou mais requintadas, combinadas com outros frutos do mar e acompanhamentos, por até 50,00 reais.

Uma ótima dica para quem planeja vir à capital do Ceará é reservar a quinta-feira para comer caranguejo. Quinta é o dia em que a maioria das barracas da Praia do Futuro, e também de outras partes do litoral e fora dele se munem de caranguejos, nas mais sensacionais versões.

Praia do Futuro:
-Arpão
-Marulho
-Chico do Caranguejo
-Vira Virão
-Crocobeach
-Itapariká

Praia de Iracema:
– Barraca da Tia

Feijão verde e Baião de dois

No meu primeiro dia em Fortaleza a produção do ForCaos me levou para almoçar. Eu estava bem ansiosa pelo que viria da culinária local, pois eu não fazia a menor ideia sobre o quê comer em Fortaleza, para além dos deliciosos frutos do mar. O Lucas, um dos membros da produção foi logo sugerindo: vamos comer o feijão verde e o baião de dois para você provar. Agradeci e fiquei ali fantasiando os tons de verde que meu feijão teria. Super curiosa também para ver quem eram os dois envolvidos no baião.

O feijão verde me surpreendeu, por vários motivos. Primeiro, não era verde coisa alguma- feijão verde é feijão novo! O Lucas então riu, e falou que era história para enganar mineiro, e que tinha até mesmo estabelecimento pintando os feijõezinhos para tanto… apesar da decepção visual, o sabor incomparável me fez esquecer se era verde ou carioquinha, eu queria era comer mais e mais feijão! Mais parecido com um caldo, come-se de colher essa sopa de feijão que dentre as combinações inimagináveis usa leite de coco. Coma, pois é muito bom!

feijao verde

O baião de dois na verdade tinha mais de três. Eu imaginava algo completamente diferente, com farofa, sei lá! De repente chega aquela travessa com arroz, feijão, leite de coco, creme de leite, queijo coalho e alguns pedacinhos de carne. Gente, era um mexido! Não tão abusado de tudo como são os mexidões mineiros, mas era um mexido! É pesado, ainda mais no calor da praia, pode não bater tão bem. Mas deixar de comer o baião de dois é ignorar a cultura local cearense.

baic3a3o-de-dois1

Então, deixe para comer esses dois numa noite mais fresquinha, caso possível ;). Esses eu comi lá no restaurante LaMassa. Lugar simples, de ótimo atendimento, fartura no prato e justiça nos preços – uma refeição para três pode sair entre 60,00 e 80, 00 reais incluindo as bebidas. O LaMassa fica na praia de Iracema, rua Xavier de Castro, n 86.

Peixada cearense

peixada

Ovo, batata, tomate, pimentão, leite de coco, temperos verdes, cenoura, cebola, repolho e um delicioso peixe. Tudo isso cozido, regado aos temperos nordestinos. Uma delícia mas pede precaução. A aventura da peixada pode te levar a suar bastante! É um prato pesado, mas também típico da cultura local. Você não pode perder.

Comi a peixada lá no Beiçola, que fica em Meireles, rua Frederico Borges, n 505. Recomendo. Comida boa, atendimento de primeira e preços bem razoáveis. Uma peixada para 3 pessoas pode custar entre 50 e 70 reais. Outras peixadas famosas são a do Meio Sul e Peixada do Alfredo. Compensa olhar qual fica mais perto de você.

Doces

cocada

Para tudo para as cocadas de Fortaleza. Ainda me arrepio só de lembrar da cocada branca, cremosa e deliciosa que comi na praia do Futuro. Sempre vai passar alguém vendendo. E se você é fã de doces, não as deixe passar! Custam 4,00 reais cada e valem cada centavo. Maravilha. Mas, se você quiser levar doces lembranças da cidade, vá ao mercado central e faça a festa nas lojas especializadas. Não se esqueça de colocar uma barrinha de coxão de moça, rapadura batida, quebra queixo, cocadas diversas e doce de espuma de cana. Gente, eu estava no paraíso. As barrinhas de doce custam cada uma entre 3, 00 e 5,00 reais.

O mercado central de Fortaleza fica no centro, na avenida Alberto Nepomuceno, 199.

Compartilhe este post

Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

6 comments

Add yours
  1. Mary Pimentel 11 agosto, 2015 at 22:41 Responder

    Linda Graciele,o que mais me surpreende em seu trabalho de jornalista é a riqueza de detalhes descritas. é etnografia pura, você é uma antropóloga descrevendo a gastronomia do lugar! Lindo demais,é sensibilidade muita…os caranguejinhos, os peixinhos, os feijãozinhos (mais ou menos verdes) agradecem por representá-los tão bem!!!! Saudades de sua iluminada presença em terras cearenses!
    Bjs

Deixe uma resposta