inhotimRonaldo Almeida / Shutterstock.com

Guia musical e prático de Inhotim

Inhotim, essa combinação idílica de centro de arte contemporânea, parque e jardim botânico em Brumadinho, na região metropolitana de BH, está cada vez mais se tornando um lugar musical. São já duas edições do MECA Festival (2015 e 2016) e rumores de uma surpreendente edição nacional do South By Southwest, um dos festivais mais relevantes do mundo. Somam-se a isso os shows esporádicos, que já levaram gente como Maria Bethânia, Lenine e Orquestra Sinfônica de Minas e Fernanda Takai lá pra dentro.

É claro que aqui no Festivalando a gente ama isso. Mas a gente ama mais ainda o fato de que a música está em Inhotim desde sempre, presente naquilo que o lugar tem de mais essencial para oferecer, que são suas obras de arte: a trilha sonora é parte integrante de algumas das obras em exposição.

Guia musical de Inhotim

Pra você que ainda não foi em Inhotim ou pra você que já conhece, mas quer conhecer de outro jeito, ou pra você que simplesmente é um freaky de música como a gente aqui, este post mostra como conhecer algumas das obras e galerias [email protected] pelas músicas que você vai ouvir.

A propósito, você já pode começar a curtir as músicas agora mesmo com a playlist que reúne as canções que eu vou citar na sequência do texto. Dê o play pra dar aquele clima na leitura 😛

Cosmococa – Jimi Hendrix, John Cage, Luiz Gonzaga e Stockhausen

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Eduardo Eckenfels/Divulgação

Cosmococa é uma das galerias mais populares de Inhotim. Eu reforço essa estatística, pois é a minha preferida também. Ela traz um conjunto de instalações criadas nos anos 1970 por Hélio Oiticica (1937-1980) e Neville D’Almeida com intuito de provocar experiências sensoriais.

Tudo tem um apelo muito pop e convida à ação e interação: em uma sala você brinca com balões, em outra você pula em colchões de espuma, em outra você descansa em redes, em outra mergulha em uma piscina (sim, de verdade) para apreciar projeções. Em cada ambiente, ouve-se um pouco das composições dos artistas citados: faixas de “War Heroes”, do Hendrix, peças de John Cage (1912-1990) e Sotckhausen (1928-2007) e o baião de Gonzagão.

Pra quem tem certo bloqueio com arte contemporâneo, acho a Cosmococa um ótimo ponto de partida e uma das melhores maneiras de quebrar o gelo com essa linguagem artística.

Psicoativa Tunga – Frank Sinatra, Arnaldo Antunes, Charles Aznavour e Jorge Ben Jor

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Divulgação

A obra de Tunga (1952-2016) é uma das mais presentes em Inhotim, com uma instalação ao ar livre (Deleite) e duas galerias, True Rouge e Psicoativa Tunga. Nesta última, a ~playlist~ que acompanha as obras é extensa. Uma projeção em P&B na instalação “Ão” é acompanhada de “Night and Day”, um clássico de Cole Porter na versão big band de Frank Sinatra. O trabalho “Inside Out, Upside Down” faz par com “Zenon Zenon”, de Jorge Ben Jor. Ouve-se ainda “Tereza”, composição exclusiva de Arnaldo Antunes para a obra de mesmo nome, e “Que c’est triste Venise”, de Charles Aznavour, para o trabalho “Debaixo do meu chapéu”.

Folly – Dusty Springfield

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Divulgação

Essa é uma das experiências mágicas dentro de Inhotim. A instalação da mineira Valeska Soares. De longe, parece um coretinho de madeira perdido no meio das plantas (a propósito, o projeto paisagístico do entorno faz parte da obra). Por dentro, é um salão com paredes espelhadas e projeções à meia-luz ao som de “The Look of Love”, de Dusty Springfield.

Miguel Rio Branco – Erik Satie

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Divulgação

A galeria dedicada a Miguel Rio Branco tem um acervo amplo das imagens do fotógrafo em diferentes suportes. A projeção de imagens “Entre os olhos o deserto” é acompanhada de “Gymnopédie n.1”, peça do pianista francês Erik Satie (1866-1925). Assim como a Cosmococa, acho que é também um espaço legal para romper a barreira de estranheza com a arte contemporânea, porque se baseia numa linguagem já bastante disseminada, que é a fotografia.

Forty Part Motet – Thomas Tallis

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Pedro Motta

Forty Part Motet, da canadense Janet Cardiff, é outra obra bastante popular de Inhotim, e talvez você já tenha visto imagens dela mesmo sem ter visitado o local. Consiste em 40 autofalantes agrupados na extensão de uma sala que reproduzem a composição “Spem in Alium nunquam”, do organista inglês Thomas Tallis (1505 – 1585). A interpretação da peça renascentista é do coral da Catedral de Salisbury, na Inglaterra. A brincadeira é caminhar pela sala para perceber as nuances do tom das vozes que compõem o coro.

Sonic Pavillion

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Divulgação

Esta última é uma brincadeira com essa história de música, na verdade. Uma das obras mais comentadas de Inhotim, a instalação Sonic Pavillion permite aos visitantes ouvir o som da Terra. A obra do norte-americano Doug Aitken consiste em uma perfuração no solo de 200 metros de profundidade que capta através de microfones os ruídos, sons e reverberações produzidos no interior da Terra. Se é música ou não, ou qualquer outra coisa, cabe a cada um definir para si mesmo, e isso é uma das coisas legais da arte contemporânea.

Guia prático de Inhotim

Agora que você já conhece qual é a playlist que vai te guiar em uma visita musical por Inhotim, anote algumas dicas práticas para você se preparar para conhecer um dos museus mais badalados do mundo que, sim, é brasileiro e mineiro (olha a imparcialidade e o bairrismo hehe).

Como chegar em Inhotim

De carro – você pode traçar sua rota direto no site de Inhotim

Saindo de BH – você tem duas opções:
1) De terça a domingo, há um ônibus que sai da rodoviária de BH pela manhã, às 8h15, e retorna no fim da tarde, às 16h30 (durante a semana), ou às 17h30 (nos fins de semana). É possível comprar a passagem pela internet ou na rodoviária mesmo. A tarifa varia conforme o tipo de ônibus: convencional ou executivo. Confira aqui os valores. O trajeto dura um pouco menos de duas horas.

2) Somente nos fins de semana e feriados, além do ônibus, existe também a opção da van que parte da Savassi, na loja Inhotim Box. Impreterivelmente, você deve reservar com antecedência mínima de 24 horas. Veja aqui os valores e como reservar.

Saindo de Brumadinho – Se você se hospedar em Brumadinho, pode recorrer aos táxis da cidade. Além disso, alguns hotéis e hostels oferecem transfer. Cheque com cada estabelecimento a disponibilidade do serviço.

Onde ficar

Compensa ficar em Brumadinho se você pretende explorar o parque a fundo, pois isso vai te consumir mais de um dia. A cidade tem opções para todos os bolsos, desde hostels baratíssimos até hotéis estrelados, passando por hotéis fazenda.

Reserve hotéis em Brumadinho

Se a ideia é uma visita de um dia, fique em BH mesmo. Savassi e arredores (Funcionários e Lourdes, principalmente) são as sugestões mais óbvias de bairros para ficar aqui em BH.

Reserve hotéis na Savassi, Funcionários ou Lourdes. Se preferir, procure em outras regiões de BH

Quando visitar

O melhor dia é quarta-feira, pois a entrada é gratuita (exceto se cair no feriado). Terça e quinta têm ingressos mais em conta: R$ 25. Sexta, sábado, domingo e feriado a tarifa sobe: R$ 40. Esses valores são para 2016. Cheque aqui os preços atualizados. Às segundas o Inhotim fecha.

Outros toques

  • Vá com calçados e roupas confortáveis porque é muita andança para explorar Inhotim. Ou, então, vá com o orçamento bem reforçado pois é possível usar transporte interno para percorrer o local. O transporte com rotas pré-determinadas é mais em conta. Já o transporte exclusivo, para te levar onde você quiser, custa mais e é cobrado por hora.

  • Prepare o bolso também para alimentação, pois não é permitido entrar com alimentos em Inhotim. Há uma variedade boa de restaurantes (com opções à la carte e buffet) e lanchonetes lá dentro, mas os preços não são os mais razoáveis.

  • Dê uma olhada no mapa de Inhotim antes da sua visita para ter noção do que te espera. Além das obras ao ar livre e das galerias, há jardins e destaques botânicos que também são atrações que merecem atenção. Se parecer coisa demais e você se sentir perdido, considere fazer uma visita mediada. Elas ocorrem com hora marcada, em dias determinados, e você pode fazer a inscrição na recepção. A visita panorâmica acontece de terça a domingo, inclusive feriados, às 11h e 14h. Visitas temáticas ocorrem nas quartas, sábados, domingos e feriados, às 10h30.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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