Ice Music Festival – Divulgação

Festival de música feita com gelo

Não, a pessoa que vos fala não está louca. Não queria anunciar os festivais que acontecem na neve no ou inverno, como a gente já fez alguns posts aqui. Não me confundi, pois quero falar mesmo de um festival de música feita com gelo. Isso existe, não foi um delírio meu. Aliás, não só a música, mas também a estrutura do festival é feita de gelo. “The coolest festival”, é o trocadilho comum quando falam desse evento que acontece anualmente em janeiro, na Noruega – tinha que ser, haha! Ice Music Festival é o nome, e Geilo é a vila, parte da comuna de Hol, lugar com uma densidade bem pequena de pessoas.Tudo gelado, como você pode imaginar.

Um músico norueguês visionário chamado Terje Isungset decidiu que tiraria som do gelo, e o fez. Na verdade, mais do que tirar som do gelo, ele construiu instrumentos próprios feitos com a água em estado sólido. Imagine um concerto comum, com instrumentos comuns em um palco comum. Agora, imagine isso tudo depois da visita do Iceman da Marvel. O Ice Music Festival é bem assim.

Ice Music Festival - Divulgação.

Ice Music Festival – Divulgação.

Terje já trabalhava com o conceito da música vinda do gelo desde 1999. Mas, foi só em 2006 que ele resolveu transformar isso em um festival. A ideia é muito bonita, e o próprio Terje fala do quanto ficou admirado com o fato de ir, por exemplo, para uma cachoeira congelada e fazer um concerto com os próprios elementos oferecidos pela natureza naquele local. O evento também chama atenção para o uso de um dos recursos naturais mais importantes para a nossa vida, a água. Assim, fazendo tudo com gelo e neve naturalmente coletados, eles criam uma atmosfera muito interessante dentro do festival e de alguma forma sustentável. Ao mesmo tempo que é exótico, também tem algo de comunitário e de ligação das pessoas com a terra. Ou melhor, o gelo.

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Os sons não são exatamente os mesmos aos quais estamos acostumados, entretanto. Mas existe uma referência óbvia com o som produzido por instrumentos de madeira e metal. A música em si tem um jeitão de worldmusic, e especificamente música folclórica nórdica. O festival celebra a música colaborativa, feita por artistas convidados por Terje. O evento já se tornou parte do calendário tradicional de festivais de música noruegueses. Desde que li sobre, virou um sonho de consumo entre os festivais que existem no mundo. Porém, não é um dos lugares de mais fácil acesso na Noruega. A boa notícia é que não se trata dos festivais mais caros. Em termos de Noruega, um festival pass que custa 1140 NOK (coroas norueguesas), pouco mais do que 500 reais, valendo para 4 dias de música me parece uma boa barganha.

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Por conta desse festival e do trabalho de Terje, existem muitas turnês e concertos com os músicos com o dom das notas mais geladas do planeta. Além disso, existe até mesmo um selo musical especializado em música feita de gelo, (www.all-ice.no). O primeiro CD feito com músicas executadas em instrumentos de gelo chama-se Iceman is, é do Terje e foi gravado em 2001 no hotel de gelo da Suécia.

Para se ter uma ideia de como esse festival é feito, dê uma olhada nesse vídeo, em que também há trechos dos concertos e é possível se ter uma ideia do que a gente está falando.

Outras tentativas de fazer a música sair do gelo:

Por falar em Hotel de gelo da Suécia, em Jakksjarvi, eles gostaram bastante da ideia de Terje. Não só eles, mas também o baterista de uma banda sueca que adoro, o Hellacopters. Nicke Andersson tocou em um instrumento até então inédito para os concertos do Ice Music Festival. Uma bateria de gelo! O som ficou massa – apesar de que talvez ele não tenha gostado tanto, haha. Dá uma sacada aqui:

Outra experiência também rolou na Suécia. Um grupo chamado Ice Music também fez seus próprios violinos, guitarras, cellos e xilofones de gelo. Tim Linhart é o músico fundador, que esculpe o corpo dos instrumentos à mão. Um processo artesanal complexo, com resultados surpreendentes. Os concertos também acontecem em um local especial, chamado de “Iglu Cósmico Gigante”, que é todo colorido e clama, de uma forma ou de outra, as belas cores das auroras nórdicas.

Os russos também entraram, ou melhor, já vivem nessa fria. Portanto, também foram fazer som com aquilo que a natureza tem de mais abundante na Sibéria. Foi na superfícil congelada do lago Baikal que fizeram o Baikal Ice Live Sound. A origem desse evento, que não pode necessariamente ser chamado de festival, foi um tanto quanto engraçada. Equanto um dos músicos fundadores passeava pelo lago com sua esposa, a mesma caiu e o tombo foi bastante sonoro, digamos assim. A batida do corpo no gelo fez com que os eles testassem as possibilidades de percussão oferecidas ali. Chamaram outros amigos para a bateção no gelo. O resultado foi muito legal, como vocês podem ver e escutar aqui embaixo.

Batucar ou escutar música em -20 c, deve ser para poucos, viu? Acho que no lugar deles eu estaria igual um bonecão da neve, cheia de roupas, haha.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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