Palco Dio. Foto: Metal Land divulgação

Estrutura Metal Land Festival agrada, mas merece ajustes

O Metal Land festival  (Altinópolis, São Paulo – 30 de outubro a 02 de novembro) começou grande para os padrões de uma primeira edição de festival. Porém, com o pé no chão, em termos de line up e estrutura bem enxuta e modesta. Dois palcos e  mais de 30 bandas selecionadas do que há de melhor no metal nacional. Um trampo e tanto que merece aplausos. Principalmente por nada ter sido cancelado – exceto pela banda de hardcore Oitão, que não se apresentou devido a questões internas ao grupo, todo o resto ocorreu dentro do previsto, com atrasos mínimos e problemas ínfimos. Vimos grandes concertos nos três dias de festival, outros nem tanto. Mas o sentimento que ficou foi de que um Metal Land II é necessário e desejado por todos que estiveram lá.

Viajamos pelo Festivalando, mas fomos convidadas pela organização a ficar nas instalações do Hotel Fazenda Vale das Grutas, ou seja, tivemos apoio para hospedagem. Mesmo assim, vocês conhecem como as coisas funcionam aqui no Festivalando, né? Não deixamos de fazer nossa análise crítica da estrutura dos eventos, mesmo quando apoiadas – até porque queremos muito que os festivais melhorem e perseverem, para que possamos ir mais vezes e aumentar essa cultura linda dos festivais Open Air  de heavy metal  em nosso país. Apesar de termos ficado nos chalés, também percorremos o camping e demais áreas do local, bem como conversamos com pessoas para saber as impressões delas sobre o lugar. Dito isto, é a hora e vez de colocar o Metal Land na mira do Festivalômetro, e ver como ele se sai.

Transporte

Metal Land Official page. Photo: Brian Felipe

Metal Land Official page. Photo: Brian Felipe

O festival aconteceu num lugar longe, pouco central – a grande cidade mais próxima estava a 50 minutos de carro do local do evento. O esquema se agrava quando contamos com a estrutura de transportes do Brasil. Contudo, apesar de escassas, ainda havia conexões de ônibus nas cidades vizinhas – Ribeirão Preto e Batatais (SP) e São Sebastião do Paraíso (MG) tinham ônibus pelo menos duas vezes ao dia para Altinópolis. E chegando a Altinópolis, os taxistas ( apenas 8 na cidade) sabiam de cór o local da fazenda, e cobravam em média $25 pelo trajeto. Ou seja, não era impossível chegar ao evento de forma independente e sem carro. Mas também não era fácil. Não era moleza e exigia algo que falta em boa parte do público brasileiro de heavy metal: atitude.

No entanto, não passamos a bola só para o público. Para muita gente às vezes é realmente difícil conciliar uma logística mais complicada com o cotidiano. E quando se paga por um festival, espera-se que vários pontos sejam facilitados para as pessoas. O transporte é realmente um ponto fundamental. Aqui vale ressaltar duas questões: as excursões foram organizadas e divulgadas com pouca antecedência e eram, em sua maioria, ligadas às bandas que iriam tocar – por isso, concentradas no eixo sudeste. Portanto, poderia ter havido mais opções de excursão pelo país afora, divulgadas com um bom espaço de tempo.

A segunda questão diz respeito ao transporte partindo dos pontos estratégicos – aeroporto e rodoviária de Ribeirão Preto e rodoviária de Batatais. O ideal seria haver serviços de vans e shuttle bus, com uma escala de horários e valor pré-definidos. No entanto, a organização do festival achou melhor, diante da baixa venda de ingressos, firmar parceria com o sr.  Celso, motorista de táxi da região. Ele possui uma frota de um carro de passeio para 4 passageiros, uma van e kombi, para 15 e 8 pessoas, respectivamente. Liguei para o sr. Celso e ele disse que a demanda foi baixa, e por isso não houve muito tempo de espera. Mas se a demanda tivesse sido maior, de forma inesperada pelo festival, a frota do sr. Celso não daria conta, certamente.

Muitas pessoas preferiram ir de carro. Para elas as estradas tinham bons acessos, estavam em bom estado. Porém, faltou sinalização para a chegada no local do festival. Havia apenas um outdoor imenso na entrada da cidade. Mas não havia sinalização para o evento na estrada ou proximidade do hotel .

O transporte e acesso esse é um quesito em que o Metal Land precisa melhorar, para garantir que mais pessoas possam se interessar pelo festival.

Informações

info

O site do evento era atualizado com boa constância e estava bem completinho. No entanto, precisa de um design mais amigável e agradável para a navegação, a fim de garantir que as informações apareçam de forma menos confusa. Aquela estratégia de colocar um super banner como fundo tornou o site muito pesado visualmente, o que acaba interferindo em nossa experiência de leitura e, por conseguinte, em nosso aproveitamento de informações. O Facebook também foi atualizado frequentemente, com informações práticas, novidades do line up, etc. O grupo do Facebook funcionou de forma interessante como espaço de troca, acerto de caronas para o festival e mobilização das excursões.

A sinalização do evento não estava tão legal . Na entrada da cidade havia um super outdoor, mas nada que dissesse sobre as possíveis direções da fazenda Vale das Grutas. As coisas são menos graves, contudo, quando falamos de um evento nacional e podemos contar com os moradores. Todos muito solícitos nos dão informações sobre a localização do hotel. Dentro do hotel, entretanto, havia indicação das áreas da fazenda. Pouco nítidas, mas havia.

Os horários  dos shows e line up  também foram amplamente divulgados no site e no Facebook. Porém, no decorrer do evento foram geradas algumas mudanças que poderiam ter ficado mais claras para todos. Assim, vale daqui em diante pensar em um aplicativo para o festival, que funcione de forma mais direta do que as redes sociais e site para ajudar o fã a se localizar  e se atualizar de forma instantânea sobre o evento.

Hidratação e Comida

água

Tinha água de graça nas torneiras da fazenda, o que foi previamente divulgado no site. Muita gente continuou comprando água, entretanto. Desconfio que por um motivo: a água das torneiras não era gelada. Isso torna um pouco complicada a sobrevivência em temperaturas altas como as que temos tido no país. Além disso, essas torneiras ficavam em locais pouco estratégicos – dentro do camping, por exemplo – o que era legal para os que estavam no camping, mas nem tanto para o momento em que os shows rolavam. Ou seja, faltaram bebedouros perto dos palcos, sinalizados e com água gelada ou fria.

As opções de comida tinham preços dentro do esperado para festival – e até razoáveis, às vezes, como a esfirra bem grande que custou 5 reais – mas o hot dog a 12 e 16 reais foi meio que preço paulista demais para a vida. As opções eram bem centradas no glúten e gorduras- não havia frutas, sucos, saladas e nem mesmo um simples e perigosamente danoso refrigerante diet. Pizza no cone, hambúrgueres e sanduíches, porções de fritas, churrascos… somente a esfirra com preço camarada tinha opção vegetariana, mas isso foi o mais distante da diversidade que chegou o cardápio.

comida metalland

Além dos stands de fast food, o restaurante do hotel também ficou aberto ao público para o café da manhã e almoço ( de 8.00 da manhã às 8.30 da noite). Entretanto, o preço das refeições do restaurante foi de fato elevado, considerando-se a variedade e qualidade do que fora servido. O café da manhã, por exemplo, custava 15 reais e tinha somente duas opções de frutas, sucos industrializados girando em uma refresqueira, presunto e queijo, sem a tradicional manteiga. Havia duas variedades de pães, sendo pelo menos uma delas integral e também quitutes doces como alguns bolos, roscas e brioches. Mas passou longe de ser um café que valesse toda essa grana. E ainda, por falar em café, esse já vinha adoçado desde a garrafa. Meio ruim isso. O almoço também foi servido no básico do básico, com opções de saladas meia boca, alguns itens saborosos e outros menos, mas foi algo bem resumido e bem longe da expectativa de comida de roça com que estou mais acostumada a ter em mente.

A entrada de comida e bebida no festival também era limitada, o que fez com que muita gente reclamasse de não ter podido trazer mais coisas de casa. Em todos os festivais lá fora, geralmente você leva o que bem quiser para o seu camping. Tem gente que chega até com carrinho de cerveja. Porém, a estrutura permite que a revista do camping seja uma, e aquela para a entrada na área de palcos do festival seja outra. A estrutura montada para o Metal Land não permitiria isso neste momento.

Assim, no quesito comida e hidratação, o festival precisa melhorar bastante, ainda mais por se tratar de um local distante da cidade e em que as pessoas ficarão acampadas por até 4 dias.

Conectividade

Internet de acesso livre, sem frescuras e até mesmo com velocidade razoável na recepção, mas não no resto do festival. Quando a recepção e a área da piscina ficavam lotadas, da mesma forma ficava a rede. Assim, havia momentos em que era quase impossível se conectar. No entanto, rolou de manter contato com o mundo tranquilamente. O telefone não pegava muito bem em algumas partes da fazenda, mas havia sinal para algumas operadoras  em pontos específicos.

Seria massa se conseguissem ter wifi nos chalés, por exemplo, ou na região dos palcos em uma próxima edição. Mas nesse quesito, foi  bem razoável o desempenho.

Limpeza e banheiros

banheiros metalland

O festival e seus visitantes estão de parabéns nesse quesito. A área ficou bem limpinha e conservada. Havia muitas e grandes lixeiras espalhadas por toda a fazenda, bem como havia coleta dentro da área de camping, com separação mínima de lixo. O respeito das pessoas para com o local foi até comovente. Um dos festivais de metal mais limpos que já vi, com certeza.

Os banheiros foram nota 10. Nenhum banheiro químico horrendo, para a nossa alegria! Fartura e boa localização também contaram pontos. Eram três grandes banheiros femininos e masculinos, com quase 10 vasos sanitários cada. As localizações foram bem estratégicas – um perto dos palcos, outro no camping e outro perto dos chalés. Além disso, os banheiros sanitários e as duchas estavam muito bem higienizados. Havia pessoas encarregadas de limpar periodicamente, o que fez com que os locais ficassem ainda mais agradáveis. A decoração rústica dos banheiros ainda dava um charme ao evento.

Segurança

segurança

Outro bom quesito desempenhado pelo Metal Land. Já quando se adentrava as terras da fazenda, éramos recebidos por policiais da guarda municipal de São Paulo. A revista para a entrada no festival também foi bem cuidadosa.

Com relação ao bem estar dos participantes, havia paramédicos solícitos e bem humorados, uma ambulância, como é de obrigação desses eventos. Mas o legal é que ela estava bem à vista, e em acessos desimpedidos,  o que pode não ocorrer em vários eventos. O atendimento também foi excelente. Eu mesma tive uma pequena queda e fui rapidamente socorrida. Bom desempenho nesse quesito também.

Palcos, área de camping e acomodações e locais de descanso

palco dimebag

Apesar de não estarem diretamente avaliados no festivalômetro, esses foram alguns itens que mereceram ser destacados e comentados. Vou começar pelo item ruim, para depois tecer só elogios com relação aos demais. O palco Dimebag, menor, era até satisfatório. Coberto, com um som que estava relativamente bem regulado. Já o palco Dio, o principal, pecou pela localização. Ele estava em um local um pouco comprimido e, caso tivesse havido um público maior, seria bem complicado acomodar todos por lá. Esperava-se, da mesma forma, uma estrutura um pouco maior. Apesar disso, teve-se também uma boa regulagem de som (um ou outro show ficou com um som embolado), a luz também estava bacana em alguns momentos – em outros penalizava muito os olhos de quem estava na frente, principalmente.

Sobre a área de camping, pode ter certeza de que ela estava tão boa ou no mesmo nível do que áreas de camping de festivais internacionais. Limpa, com oferta grande de banheiros e torneiras, bem como com espaço adequado para a demanda de pessoas. Havia lago, árvores frutíferas maravilhosas ( ah! o pé de jabuticaba!), animais como patos, siriemas circulando. Quem dormiu no camping teve experiências maravilhosas, certamente.

As acomodações também eram bem aconchegantes. Uma das coisas que mais me chamaram atenção foi que, ao deitar na cama, os lençóis tinha um suava cheiro de amaciante. Tive sensação de limpeza e frescor. Chão e banheiros também se encontravam em estado muito bom. A única coisa ruim é que não havia wifi dentro dos chalés. Havia frigobar e TV, para os que gostam.

Sobre os espaços de descanso e convivência, o festival deu show. Redes, sofás e mesas confortáveis, piscina,sinuca, espaço para caminhada, parquinho… tudo isso bem ao lado dos palcos. Sem dúvida, um plus do Metal Land que vai sempre fazer muito sucesso.

espaços lazer

Acho que o Metal Land se saiu bem. Apesar de a gente ser bem específica e chatinha com vários pontos, também queremos que aconteça a segunda edição do festival e, é claro que queremos estar presentes.

Concorda ou discorda com esta avaliação? Deixe um comentário =)

*Fotos do post: Festivalando e Metal Land Divulgação.

#AP

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Transporte5
Informações7
Hidratação e comida5
Conectividade7
Limpeza e Banheiros10
Segurança9
"Transporte" e "hidratação e comida" foram as categorias mais complicadas para o Metal Land. Sabemos que existe um esforço da organização para melhorar esses quesitos, o que será essencial para as próximas edições. Nas outras o festival caminhou muito bem, mas seria interessante ver como as demais variáveis se portariam com um número maior de pessoas presentes. No geral, o festival proporcionou uma estrutura que atendeu e agradou.
7.2

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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