Fazenda Evaristo.Foto: Marcella Tiné

Um dia (tranquilo?) no Zoombie Ritual

Essa semana a nossa seção [email protected] [email protected] conta com os textos da publicitária mãe e metalhead, Jaqueline Souza. Ela já contou para a gente como foi o primeiro dia de festival e toda a tensão pela qual todos passaram com relação ao concelamento de bandas importantes. No texto de hoje ela traz o que aconteceu no segundo dia desse festival e nos conta um pouco sobre os destaques da programação.

UM DIA (TRANQUILO?) NO ZOOMBIE RITUAL- por Jaqueline Souzajaqueline perfil

Confesso que, para mim, o segundo dia de Zoombie Ritual era uma incerta. Saímos do hotel sob forte pressão, muitas especulações de que existia a possibilidade de chegarmos ao local e o restante do evento ter sido cancelado. Encontrarmos até mesmo alguns corajosos do camping desarmando suas barracas e partindo em retirada. Para alívio geral, ao chegarmos à Fazenda Evaristo encontramos as pessoas mais animadas e aparentemente já conformadas com a enxurrada de infortúnios.

Um pouco de atraso no inicio das apresentações, muita sujeira do dia anterior espalhada por toda parte, banheiros intransitáveis e falta de água para vender no bar são reclamações pequenas diante de tanto desrespeito com o público (acho que a equipe da produtora ZR esqueceu que as pessoas pagaram, e pagaram caro, para estar ali. Antes de tudo, éramos também consumidores). Se a situação estava assim no segundo dia, imagine como estaria nos demais?

O primeiro show do dia iniciou com o trio Fusiller, levando um thrash veloz, com solos de guitarra interessantes, o que quase não encontramos em trios já que neste tipo de formação prevalece as marcações de base. Os músicos pediram ao publico que, apesar de todos os ocorridos, respeitassem o festival e olhassem para as ótimas bandas nacionais que ainda estavam se preparando para subir ao palco.

Em seguida entrou em ação a melhor surpresa até o momento. Os gaúchos do Dying Breed mostraram em SC o poder do death metal brazuca num show que fez todos se reunirem e agitar muito. Vocal potente e ótimo desempenho de palco. Para encerrar, ainda fizeram cover do Sepultura e do Obituary. Infelizmente a banda não tinha nenhum material disponível, pois fiquei com muita vontade de ter acesso ao registro de estúdio e poder ouvir novamente. Torço para que a banda conquiste cada vez mais espaço, não só no cenário brasileiro, pois qualidade tem de sobra para galgar outros postos.

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Dying Breed. Photo: Jaqueline Souza

 

Era quase 20:00 quando subiu ao palco a banda Empty Grace, vindos de Teresina – PI . O power trio tocou seu death metal veloz e agressivo apresentando as músicas novas que estarão presentes no segundo álbum da banda, já em produção.

Depois de algum tempo observando, percebi uma grande movimentação do público que começou a ficar concentrado na frente do palco e chamar pelo Besatt. Os poloneses subiram ao palco por volta das 21:30 e fizeram um show direto e reto. Black metal sem firulas, sujo e agressivo. Todo show foi conduzido pelo vocalista Beldaroh que agradeceu a presença de todos e em frente a um público muito empolgado e gritando o nome da banda ele manda um “psiu / xiii”, é isso mesmo (tipo calem a boca), e pau no gato! Pancadaria sonora do início ao fim.

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Besatt. Photo: Jaqueline Souza

Às 22:30 entram em cena os curitibanos da banda Doomsday Ceremony. Tocam um metal que passa por diversos estilos, predominantemente black metal, mas com passagens com fortes influências do death metal melódico praticado por bandas como Dark Tranquility, In Flames e um quê de sinfônico. A banda tem muito carisma e uma ótima performance de palco. Conseguiu fazer com que grande parte dos presentes permanecessem assistindo o show e não apenas circulando pelo evento.

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Doomsday Ceremony. Photo: Jaqueline Souza

A desorganização generalizada e a falta de informações corretas por parte da produção era o tom do festival. Muitas das bandas nacionais que estavam previstas para tocar nos outros dias acabaram tocando madrugada a fora na própria sexta-feira. Um grande absurdo! Muita gente, como nós, já exaustos, começavam a ir para seus acampamentos e ir embora. Foi o que fiz com meus amigos ao final do show da banda Brutal Exuberância, pois até então a informação era que este seria o fechamento do dia.

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Brutal Exuberância. Photo: Jaqueline Souza

Com a bandeira do Amazonas esticada em frente a bateria eles apresentaram o death grind crossover. Entre uma música e outra o vocalista fazia alguns comentários sobre como é a cena extrema do AM e conseguiu tirar até algumas gargalhadas de quem os assistia. O vocalista mostrou bom humor e ausência de radicalismo. E assim,conseguiram mostrar a proposta da banda.

Depois desta apresentação resolvi deixar o local e ir descansar. Saí de lá por achar que as apresentações daquele dia estavam encerradas. Porém, depois soube que ainda tocaram mais bandas, incluindo os argentinos do Necropolis fazendo um tipo de tributo ao Death.

Apesar da amargura causada pela falta de estrutura básica do local, o clima neste dia estava menos hostil. Talvez a maioria, assim como eu, tenha encarado o festival como mais uma oportunidade de conhecer melhor bandas nacionais que ainda não tiveram tanta exposição, o que os deixa no eixo underground, mas mão diminui de forma alguma seus trabalhos. Também foi mais uma oportunidade para reencontrar amigos, beber cerveja e confraternizar ao estilo metalhead de ser.

Um dia que conseguiu melhorar os ânimos e até deixou o público mais confiante no restante do festival, que caminhava capenga, mas ainda assim estava acontecendo. Ledo engano, o ápice da falta de profissionalismo estava por vir no principal dia, o sábado, mas isso eu conto na próxima postagem.

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