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Entrevista: DJ Anna, bendita entre os DJs do Lollapalooza

Ela vai abrir o Palco Perry no Lollapalooza Brasil. É brasileira, paulista, DJ desde os 14 anos e a única mulher dentre as atrações eletrônicas do festival. Ela é a DJ Anna, que começou a discotecar no interior paulista porque queria mostrar que conseguia fazer um set mais interessante que o do DJ da casa e hoje é residente de um dos principais clubes de Ibiza, o Blue Marlin, e definida pela MIXMAG como uma “estrela em ascensão”.

Anna reservou um tempo para conversar com o Festivalando sobre sua história, a participação feminina na música eletrônica e sobre seus projetos para 2015, dentre eles o lançamento de seu primeiro álbum, previsto para outubro.

No Lollapalooza, Anna se apresenta no sábado (28), às 13h. Ela confessa um leve nervosismo por estar em um festival com perfil mais roqueiro, mas promete um set só com produções suas e visuais caprichados do projeto Sala28. Leia a seguir a entrevista com a DJ brasileira e ouça ao final seus dois novos singles, “Lif of Benefits” e “Abre Los Ojos”.

Você começou a discotecar com 14 anos. O que te levou para a música eletrônica tão cedo?
Meu pai era dono de um clube no interior de São Paulo. Desde muito pequena eu já ia no clube durante o dia, ajudava a montar a festa de réveillon. Eu adorava. Quando completei 14 anos meus pais deixaram eu começar a frequentar o club à noite, pois eles estavam sempre lá. Certo dia eu fui reclamar do DJ que tocava em uma das pistas, disse para ele que estava muito sem graça e que o DJ tocava sempre a mesma coisa, e meu pai me falou, “Por que você não vai lá e faz melhor que ele?”. Foi assim que comecei, ele me incentivou bastante, me levava pra São Paulo comprar vinis sempre que podia, comprava os mixers novos que saíam.

Que tipo de música você tocava naquela época? Como você foi caminhando em direção ao techno?
No começo eu tocava música brasileira, tocava de tudo. Com o tempo me interessei por música eletrônica. Aí tudo mudou, pois tocar musica eletrônica requer técnica. Tive que treinar bastante pra aprender a mixar em vinil. Uma das pistas do clube era de música eletrônica, foi lá que tive o primeiro contato. Eu fui me apaixonando, pesquisando cada vez mais, até que me encontrei no techno e vertentes.

Acabou de sair seu primeiro single de 2015, “Abre Los Ojos”. Fale um pouco sobre ele.
Na verdade o primeiro single foi “Life Of Benefits” pelo selo Kraftek. O Kraftek é o selo do duo Pleasurekraft. Nos conhecemos há dois anos e estamos trabalhando juntos desde então. As duas faixas do EP entraram para as 100 mais vendidas do Beatport, que é o principal site de venda de música eletrônica do mundo. O EP também teve a première na MIXMAG da Inglaterra com um review muito positivo, fiquei muito feliz com ele, que venha o próximo!

Quais são seus outros projetos para 2015?
Pretendo lançar meu primeiro álbum, isso ocupa todo meu tempo. Eu já tenho algumas faixas prontas e pretendo até outubro finalizar esse projeto. Tenho alguns lançamentos já programados em selos como Ultra, Kraftek, Turbo Recordings, selos que trabalho sempre e lanço pelo menos três EPs por ano. Eu acabei de mudar de agência para representação mundial, agora faço parte da Safe House Management, que é a agencia do Carl Cox. Estamos trabalhando em algumas coisas também; esse ano toco na Space Ibiza na noite dele, que é uma das mais famosas da temporada na ilha.

Você se apresenta muito no exterior e é residente em um clube em Ibiza. Como se sente às vésperas de se apresentar em um grande festival no Brasil, o Lollapalooza?
Eu estou um pouco ansiosa, pois clubes em Ibiza e festival de música eletrônica no mundo todo são minha casa, fico segura seja onde for. Mas o Lollapalooza é um festival principalmente de rock, mesmo eu tocando na pista de música eletrônica dá um pouquinho de nervoso. Mas estou super animada, vou fazer um set só com produções minhas e vou levar o Sala28 pra fazer o audiovisual, acho que vai ser bem legal!

Você é a única mulher dentre as atrações de música eletrônica do Lollapalooza Brasil. É um caso isolado ou você considera que a música eletrônica ainda é um gênero com maior participação masculina?
Com certeza a participação masculina é muito maior, mas a participação das mulheres está cada vez maior, e o principal, nós estamos nos destacando cada vez mais. Antigamente todos os top DJs eram homens, hoje em dia o número de mulheres que são destaques e grandes nomes na cena eletrônica comercial e underground é enorme.

A que se deve isso, na sua opinião?
Olha, eu não sei te dizer, eu não faço ideia porque temos mais homens que mulheres, não é uma profissão que exige uma grande força física , não é violento, hahaha. Eu não sei porque as mulheres não têm tanto interesse. Mas isso está mudando, temos cada vez mais mulheres. Quando eu comecei, com quatorze anos, ser DJ não tinha todo o glamour e cachês altíssimos que temos hoje, quem decidia se tornar DJ fazia isso por amor, porque era tudo muito difícil, precário e pra tocar você tinha que saber mixar de verdade, pois tocávamos com vinil. Acho que a facilidade e o glamour de hoje em dia está atraindo mais as mulheres também.

O fato de você ser mulher fazendo música eletrônica já te trouxe alguma situação de preconceito ou algum empecilho?
Não, nunca sofri com isso, pois eu foco muito mais na minha música do que na minha imagem, antes de ter um photoshoot eu já tinha várias música lançadas, então eu acho que as pessoas me respeitam por isso.

Há outras DJs mulheres que você recomendaria para os fãs de música eletrônica ouvirem?
Muitas: Maya Jane Coles, Cassy, Nina Kraviz, Monika Kruse, Annie Mac, Heidi, são algumas delas.

Ouça mais faixas da DJ Anna aqui.

O Festivalando é Embaixador Oficial do Lollapalooza Brasil. Leia mais informações sobre o festival aqui.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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