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bonnarooFoto em destaque: Adam Macchia/Bonnaroo/Divulgação. Fotos do post:: Rodrigo James

Bonnaroo: a experiência e como ir – por Rodrigo James

Conhecedor profundo e admirador da música pop, o publicitário e jornalista Rodrigo James foi um desbravador dos festivais na gringa. Se aventurou por Benicàssim (Espanha), Eurockéennes (França), Bonnaroo (Estados Unidos), dentre outros, quando poucos deixavam o país rumo a festivais, e quando pouco ainda se falava sobre esse tipo de viagem (o obscuro período a.F, antes do Festivalando 😛 ).

Numa colaboração super especial pra gente, ele conta especificamente sobre sua experiência no Bonnaroo, um dos maiores festivais dos Estados Unidos na atualidade. Do clima do festival a dicas turísticas, passando por detalhes de logística, não faltou nada no relato preciso do James.

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O Bonnaroo é um festival gigantesco lá pelas bandas do Norte, mas inexplicavelmente não é tão badalado por aqui. Uma pena, já que trata-se de um dos mais autênticos eventos de música e afins, de grande porte, dos Estados Unidos. Pelo menos quando o assunto é música de raiz, com um pézinho na roça. Na verdade, o Bonnaroo é uma grande mistureba sonora com uma leve queda pelo caipira. E se levarmos em conta a época do ano em que ele acontece, a ida até lá é um programa e tanto para os amantes deste tipo de som.

Sim, porque ele acontece no início de junho, numa fazenda nos arredores de uma cidade chamada Manchester. Nada a ver com aquela homônima da Inglaterra. A Manchester em questão fica no Tennessee, a uma hora de Nashville, e é isso que torna o passeio tão agradável para quem gosta do tal som de raiz. Nashville é a capital da country music norte-americana e, não coincidentemente, abriga no mesmo período o maior festival do gênero do país. O CMA Music Festival invade a cidade e espalha pelos bares e casas noturnas de lá, o que de melhor se faz nesta seara. A Main Street de Nashville, centro nervoso do CMA, fica lotada de pessoas ávidas por um bom som de raiz e, se você tiver fôlego para isto, pode acordar lá pelas 7 e meia da manhã e tomar o seu café dos campeões em um destes bares, assistindo a uma apresentação de um artista local. Isso sem falar no palco montado à beira do Cumberland River, com shows gratuitos ao ar livre, e no CMA Awards – o Grammy da Country Music norte-americana – que acontece sempre na semana do festival.

Planejando a viagem: voos, hotel, camping e alugel de carro

Portanto, a viagem para o Bonnaroo pode ser dividida em duas partes: Nashville e o Bonnaroo propriamente dito. O ideal é voar até Nashville, via Miami, alugar um carro para a semana, se hospedar em um hotel por ali mesmo, e curtir a primeira metade da semana em Nashville, no CMA. A partir de quinta-feira o papo é o Bonnaroo e aí, já que você está com o carro alugado, dá pra ir e voltar tranquilamente ao festival todos os dias. Pela I-24 em direção a Chattanooga, o trajeto dura aproximadamente uma hora. O caminho é bem sinalizado para que ninguém se perca, mas caso você já queira se programar, basta ficar atento à saída 114 da I-24 que não tem erro.

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Chegando lá no Bonnaroo, a dica é estacionar no Day Parking. O único problema é que este estacionamento é o que fica mais longe da entrada do festival. Você vai demorar uns 20 minutos caminhando até o festival, mas por dentro do camping. Assim, você vai passar por gente saindo dos chuveiros públicos instalados no local, se alimentando em frente a suas tendas ou mesmo fazendo um churrasco antes dos shows do dia. Vantagem de estacionar no Day Parking: ele é gratuito para quem tem o ingresso do dia ou o passaporte dos 4 dias do festival.

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Ah sim, claro: existe sempre a possibilidade do camping. Particularmente não curto muito, mas para quem está disposto a encarar, o festival oferece transporte gratuito para quem chega no aeroporto de Nashville e tem o passaporte do festival + o passe do camping. É importante já sair de casa com esse passe comprado, para não enfrentar nenhum problema de última hora. Tudo isso você faz pelo próprio site do festival: bonnaroo.com, que ainda te dá dicas turísticas da região, onde se hospedar, etc.

Por dentro do Bonnaroo

O Bonnaroo se divide em cinco palcos principais. São 3 tendas (This Tent, That Tent e The Other Tent) e dois palcos propriamente ditos (Which Stage e What Stage) além de uma infinidade de outras tendas menores, de comédia, de cinema, a indefectível Silent Disco (uma tenda com um dj tocando e centenas de pessoas ouvindo a música através de fones. Quem está de fora não ouve nada e só vê um bando de gente dançando ao som de nada) e muitos, mas muitos espaços de alimentação e bebidas. Isso sem falar nos stands dos patrocinadores e na omnipresente roda gigante.

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As três primeiras tendas são para abrigar artistas menores. Nelas tive a oportunidade de assistir, em 2009, a gente como Elvis Costello, Ben Harper, MGMT, The Decemberists, Bon Iver, Neko Case, Jenny Lewis, Dirty Projectors, entre outros. Em 2011 foi a vez de Mavis Staples, Explosions In The Sky, Loretta Lynn, Best Coast, Jessica Lee Mayfield, The Sheepdogs e por aí vai. Já os palcos principais abrigaram, nestes dois anos em que estive por lá, alguns shows absurdamente inesquecíveis, como Wilco, Buffalo Springfield, The Black Keys, Arcade Fire, Mumford & Sons, Beastie Boys (o último show deles), Nine Inch Nails, Al Green e Bruce Springsteen & The E Street Band.

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Mas o legal do Bonnaroo é a mistura. Que outro lineup de festival no mundo mistura revelações e veteranos da country music, como Kacey Musgraves ou Rhiannon Giddens a boas novidades da música, como Courtney Barnett e Mac DeMarco, passando pelos veteranos de hoje e sempre, como Billy Joel, Robert Plant e Tears for Fears, pra ficarmos só no lineup de 2015? Foi no Bonnaroo que assisti a um dos shows mais legais da minha vida: uma jam entre Dan Auerbach, do The Black Keys, o mito Dr. John e uma orquestra de 12 músicos, prestando uma homenagem ao som de New Orleans. Para isto fui obrigado a deixar o show dos Strokes de lado, mas a troca valeu muito a pena.

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Porque isso é o mais legal de um festival gigante como o Bonnaroo: a pluralidade e a possibilidade de você conhecer algo novo. Um show dos Strokes vai ser sempre um show dos Strokes e os fãs vão sempre estar lá. Mas se um nome te chamou a atenção no lineup e isto significa que você vai ter que deixar de lado algum show de sua banda predileta, não titubeie. Ou pelo menos tente dividir entre um e outro, sem nunca se esquecer que a caminhada entre os palcos pode demorar por mil e um motivos: o calor (é necessário sempre se hidratar em um festival destes e, apesar de a água ser gratuita, as fontes estão sempre lotadas de gente enchendo suas garrafas), a distância propriamente dita e a multidão ao seu redor. Me lembro de calcular, nos momentos mais cheios do festival, uma média de 25 minutos para ir da área onde estão as tendas até o palco principal (What Stage). Não se esqueça que 80 mil pessoas estarão por lá disputando o mesmo lugar que você. Mas tudo vale a pena quando o intuito é curtir boa música.

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Bônus turístico: Jack Daniel’s

Uma última dica para a sua viagem: vale a pena tirar a segunda-feira pós-festival para uma visita ao primeiro e único alambique da Jack Daniel’s do mundo. Fica a 20 minutos de carro de Manchester, numa cidadezinha de 500 habitantes chamada Lynchburg. Não, você não pode beber dentro do alambique, mas a Jack Daniel’s montou uma estrutura na praça principal de Lynchburg para a venda dos produtos, restauranrtes típicos e tudo mais. Porque mais do que ir apenas para curtir música, uma viagem destas tem que valer a pena pelo lado turístico também, não acham?

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