wacken open airWacken Official Press. Photo: Thomas-Battermann

Um gigante chamado Wacken Open Air

2,2 quilômetros quadrados de área de festival, 120 bandas, 8 palcos ( 6 para as bandas principais, 2 para bandas e propostas diferentes, o Beergarden e o Circus, com shows de strip tease e luta livre), 800 banheiros, 420 áreas para tomar banho, 100 barracas de comida, 300 barracas de vendas de cd, roupas, etc, 5000 pessoas de equipe de apoio… Caramba, o Wacken é bruto e gigantesco mesmo!

E não é só pelos números, mas também por aquilo que ele representa para todos os metalheads e para os habitantes da pacata Wacken.
É uma loucura pensar que o maior festival de metal do planeta acontece em uma cidade cujo número de vacas supera o número de habitantes ( segundo a Metal Hammer, são 4.000 cabeças de gado para uma população de 1.850 seres humanos!).

A invasão dos metalheads é bem vinda e já caracteriza a cidade… e para receber 75.000 a estrutura certamente é uma das mais bem cuidadas pelas quais já passei em festivais. Mas, nada é perfeito e é por isso que a gente está aqui, para levar a sério nosso padrão festivaleiro de qualidade – só que, é foda conter todo meu deslumbre… metalheads mineiros me entenderão: sabe quando você está acostumado à galeria Praça 7 em BH e, de repente conhece a galeria do rock de São Paulo? É bem por aí…

 

Transporte:

À direita, Itzhoe, última parada antes de Wacken. Na esquerda, visão da rua da entrada principal para o festival.

À direita, Itzhoe, última parada antes de Wacken. Na esquerda, visão da rua da entrada principal para o festival.

Digamos que, apesar de ser grande, transporte público não é a coisa mais forte do festival. Principalmente para quem estava acostumado a ir e voltar do Roskilde, na Dinamarca, todos os dias. Ao vilarejo de Wacken nenhum trem chegava. Portanto, a estação/cidade de apoio era Itzhoe, que ficava a mais ou menos 15 minutos da metal holy land.

Mas não se anime muito, pois os trêns também nessa estação ficavam extremamente raros durante a madrugada. Pesquisei um trem para ir e voltar do lugar em que me hospedei, em Barmsted – ou eu saia do festival até as 23:22 ou teria que esperar até as cinco da madruga para pegar um trem que me levava a uma estação chamada Elmshorn, e somente de lá pegaria outro trem para Barmsted.

Em Itzhoe, a estação de apoio para o transporte público até o Wacken, a produção preparou Shuttle Bus para levar a galera até o festival. Para andar todos os dias de Wacken no Shuttle você pagava 10 euros ( mais ou menos 30 reais) e ganhava um cartãozinho de passe. Porém, a ida nesse busão tá longe de ter o conforto que teve a ida e volta no ônibus top de linha do Rock In Rio. Vi diversas vezes o balaio lotado, com muleque encostado até no parabrisa do motorista. A oferta de Shuttle bus era relativamente grande, com espaço de tempo entre as viagens que era de no máximo 1 hora.

Ainda havia ônibus saindo  do aeroporto de Hamburgo, com menor frequência, e de Berlim. Também havia parceiros de excursões em vários lugares. O bom é sempre olhar os sites oficiais dessas excursões, recomendados pela própria produção do Wacken.
Para quem quisesse ir por conta própria, de carro, era possível e relativamente fácil. Há várias estradas e autobahns que dão acesso ao vilarejo. E, além disso, eles pensam em tudo e já deixam um lugar para estacionar seguro e vigiado 24 horas – o estacionamento para carros fica próximo à saída do Wacken perto da estrada A3 – tem o supermercado Edeka lá perto também.
Se você vai alugar um carro, a oferta de empresas é relativamente grande ( pelo menos 5) e nem todas elas exigem que você tenha uma carteira internacional ( tendo uma carteira cujo alfabeto é latino já tá ok). Mas, é preciso tomar muito cuidado nessa hora, pois essas empresas são bem sorrateiras ( a gente ainda vai detalhar aqui no blog essa experiência ruim…). Um gps vai ser necessário e também muita atenção. Vale lembrar que as autobahns são conhecidas pela extrema velocidade, mas se você dirigir na direita em 90km/h ninguém vai passar por cima de você. É até aconselhável se você não conhece a rota. Ao alugar um carro, você vai gastar mais ou menos 150 euros para o aluguel e uns 80 euros para completar o tanque do carro ( mais ou menos 700 reais… para dividir em um grupo de amigos pode ser ok).

Contudo, toda essa experiência de transporte para o Wacken me ensina uma coisa para o próximo: vou acampar!

Informação:

 - Wacken Official Press. Photo: Marco Sensche

Info office – Wacken Official Press. Photo: Marco Sensche

O site do Wacken jorra informação o tempo inteiro ( apesar de que acho o design pouco convidativo à leitura, pode-se dizer que as informações mais importantes são achadas com relativa facilidade).

Além de tudo, o festival tem um aplicativo muito eficiente para celular, em que era possível ver hora e local dos shows, bem como outras atrações. No aplicativo e também em vários pontos do festival havia um mapa da área – contudo, alguns mapas estavam com informações truncadas… é preciso ficar esperto para não se perder lá dentro.

Também ganhei um mapa impresso na torre de informações do Wacken, ou Wacken fan shop – era um lugar meio confuso esse, onde se resolvia desde troca de nome de ingresso até compra de souvenir…Mas era fantástico, pois o lugar funcionou os três dias durante dia e noite!

Havia poucas pessoas da equipe espalhadas pelo festival ground para te dar informações específicas de direção. Contudo, de maneira geral o festival era bem sinalizado ( havia placas nas rodovias e também dentro do próprio lugar- e as placas eram em Inglês e Alemão).
Uma alternativa de informações para quem não tinha o aplicativo do celular ou acesso à internet era um guia impresso, o qual estavam vendendo por 1 euro… achei paia vender… tô mal acostumada com o Roskilde!

 

mapa wacken 2

 

Hidratação e comida:

Wacken Official Press. Photo: Rolf Klatt

Wacken Official Press. Photo: Rolf Klatt

Mais de 100 lugares para comer, e vários pontos onde se poderia encher sua garrafinha linda do Wacken com água potável, gratuitamente. Mas, nem tudo são flores. Nos pontos de água mais próximos aos palcos, tinha muita, muita fila quase sempre e um lamaçal terrível formado pelo fluxo de água e pessoas. Para se achar um ponto de água alternativo, às vezes era necessário ir para longe do palco em que se estava. Faltou dimensionar melhor isso.

Já as bancas de comidas, apesar da fartura e de comidas temáticas de certos países, eram todas opções muito gordurosas, muito pesadas, de digestão difícil e porções gigantes. O preço não saía muito dos 5 euros para qualquer coisa – desde um prataço de macarrão até um cachorro quente sem graça. Não tinha fruta, não tinha suco.

 

comida e mercado

No camping você poderia entrar com comida, refrigerante entre outras coisas. Tinha também um mercadinho que vendia enlatados e belisquetes ( bem mais restrito que o supermercado que tinha dentro do Roskilde). Mas, a medida em que você adentrava o festival, as coisas ficavam restritas. Você não poderia, por exemplo, comprar uma cerveja no mercadinho perto da área de camping e entrar com ela na região dos palcos, na qual havia outra tenda de cerveja, com outros preços…comedeira de dinheiro, né? Essa é a única explicação para mim!

 

Conectividade e energia:

conectividade

 

Tinha que ter um ponto muito crítico nessa bagaça gigante, não é mesmo? Aqui está o tendão de aquiles do Wacken – fiquei três dias praticamente incomunicável com o mundo. Não havia ampla oferta de wi-fi, não havia sinalização mostrando os wi-fi que existiam. Você poderia se conectar de maneira razoavelmente boa na área da Wacken Foundation, ou no Info Point, que era muito distante da área dos palcos, bem como era distante da área de camping. Um belo dia sentei-me para descansar, atrás do wet stage, e aí de repente conectou e pude dizer um “oi” para a humanidade.

Ligação e mensagens de celular também eram quase impossíveis, mesmo tendo chip local, uma vez que as linhas ficavam completamente congestionadas! É heavy metal, é muito peso…entendo..rsrs.

Para carregar o celular, você tinha que ir láaaa na Wacken Foudation e dar umas pedaladas numa bike. Caso contrário, você teria que pagar por isso em alguns pontos específicos ( no eletric hotel). Mas era possível, apesar de longe, porque tudo era gigantesco e longe!

 

Limpeza e banheiros:

Um festival muito limpo, considerando-se a passagem de quase 80 mil pessoas pelo lugar. O camping e toda a área do Wacken estavam bem limpinhos, comparados com a porcaria do Roskilde. Mas, ainda não era no nível Rock in Rio de limpeza. Contudo, uma poeira maldita deixa todo mundo encardido, sempre. Perdi uma camiseta branca com a qual fui no primeiro dia. Eles tinha que dar um jeito nesse poeirão!

Os banheiros, vez em sempre tinha alguém limpando e eles se mantinham relativamente limpos. A oferta para os homens era maior do que para as mulheres – eles poderiam se aliviar em qualquer canto, ou em coisas que pareciam cochos para se fazer xixi e ainda com 2 banheiros dos 4 que estavam disponíveis. Nós mulheres tínhamos que enfrentar longas filas as vezes e, como sempre, os banheiros perto dos palcos eram os mais críticos.

O bom do Wacken é que tentaram usar o mínimo de banheiros químicos possíveis ( havia alguns na rua, e outros na área de camping). Mas, a maioria deles era de água corrente, tinha sabão, papel higiênico tudo direitinho… só não eram cheirosos, rsrsrs.

Serviços sociais e ass. médica:

Havia ambulâncias disponíveis. Já serviços de assitência social eu não vi e no que pesquisei depois, não pareciam existir.

 

Compra de ingressos:

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Olha, uma dica para o pessoal do Roskilde: larga essa coisa da Billetnet e vai para a Metaltix! A Metaltix é a empresa que gerencia a venda de ingressos e a troca de nomes para o Wacken – é, o ingresso é nominal e com dados do seu passaporte ou identidade. Por um lado é bom, mas por outro gera uma certa burocracia.

Outro ponto lindo da metaltix: você liga para pedir informações e, enquanto espera, ouve uma musiquinha cantada nada menos do que pela deusa do metal, Doro! ” we are, we are, the metalheads!!!” Metaltix linda, com atendentes super pacientes e simpáticos ( tive que fazer a troca de nome com eles, foram ótimos e fizeram tudo para me ajudar e descomplicar a situação!).

A metaltix aceita cartões de todas as partes do mundo. Mas, devido à grande demanda de compra de ingressos, o site dá algumas palas quando você tenta terminar a transação. Eles são rápidos e bem eficientes em processar a compra e enviar os ingressos, segundo quem teve essa experiência. Infelizmente, os ingressos para o Wacken 2015 já estão esgotados -24 horas após o término da edição de 2014, tanto os ingressos especiais de natal como os passes regulares para os três dias de festival estavam completamente esgotados.

A Metaltix fez também uma waiting list on line, para quem quisesse tentar pegar a rebarba dos ingressos que não foram pagos dentro do prazo. Infelizmente, até a wainting list já fechou. Eu comprei meu ingresso de 2014 outro jeito – e os conforto aqui: não se desespere pelos ingressos estarem esgotados. A gente vai contar num post em breve que ainda existe luz no fim do túnel! ( e aí, lhe serão bem úteis as dicas para a troca de nome, que também é moleza).

De toda forma, já aconselho a geral da metaleiragem a fazer um registro aqui, assim você fica atulizado da venda para as próximas edições e também fica atento a qualquer novidade para a venda de ingressos da edição do próximo ano.

 

Segurança:

Wacken Official Press. Photo: Patrick Schneiderwind

Wacken Official Press. Photo: Patrick Schneiderwind

 

O Wacken é um festival relativamente seguro. Havia pessoas cuidando dessa parte dentro do festival, e a revista acontecia todas as vezes em que você passava para a área dos palcos principais, bem como dos palcos auxiliares e também para a área de camping. Contudo, não percebi em nenhum momento a presença ostensiva de polícia. Havia alguns policiais, mas nas ruas. Comparando com o padrão dinamarquês de segurança das muvucas e multidões, no Wacken não havia neurose. Mosh Pit e Crowd Surfing liberados… e até stage dive nos palcos alternativos.

 

entrada wacken marco sensche

Wacken Official Press. Photo: Marco Sensche

 

Ufa! Cansei para escrever esse texto, viu? É tanto detalhe e tanta coisa. Como estamos falando de um gigante, peço perdão para algo que tenha passado em branco. O Wacken é, certamente, um dos festivais mais bem estruturados dessa temporada.

A área de camping também é bastante confortável, com lugar para você guardar suas bagagens, vários locais para tomar banho que eram extremamente cheirosinhos e arrumados. Isso pelo pouco que percebi passando por lá. Mas, algumas coisas poderiam ser revistas para melhorar o festival. Para quem não acampa, é um verdadeiro martírio ter que passar por toda a área de camping para chegar à área dos palcos – e fácil de se perder durante a noite, pois falta iluminação.

Já no quesito firulas, o Wacken estava bem servido! Tinha um metal market gigante – de cds, roupas e acessórios da metaleiragem. Tinha também a Wakinger, uma vila em que você podia simplesmente brincar de ser Viking, comer como um Viking, se vestir e comprar réplicas de artefatos usados por esses seres que tanto habitam o imaginário metaleiro nesses lados de cá ( Amém Amon Amarth!).

A área de meeting and greet também era uma das melhores de todos os festivais – só perde para a do Brutal Assault.

Outras coisas são inevitáveis, devido à estrutura gigante, como a extrema distância entre os palcos alternativos e principais, nos impedindo de ter mobilidade as vezes ( ainda mais quando você tinha que enfrentar a revista para entrar de novo nessas áreas). Também fiquei meio de saco cheio de ter que mostrar o ingresso numa entrada, depois ter que levar o mesmo em outro lugar para pegar a pulseirinha e a metal bag( kit com lembrancinhas e coisas úteis para o festival). Na verdade, esse lugar ficava longe da entrada principal ( onde olhavam mais ou menos seu ingresso). Você entrava e tinha que percorrer uma longa distância para achar um container preto onde faziam a troca do ingresso pela pulseirinha -passamos boa parte da noite procurando “a grande tenda branca” sinalizada como a referência mais evidente perto do tal container.

No mais, esse gigante é um top festival, foda mesmo! Pode vir sem medo, porque tem estrutura de sobra para receber você e mais 74.999 coleguinhas da metaleiragem!

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Transporte7
Informações9.5
Hidratação e comida9.5
Limpeza10
Conectividade5
Segurança10
Poucos deslizes. Mas como todo e qualquer gigante, seria impossível não detectar alguns pontos fracos. A conectividade foi o verdadeiro calcanhar de aquiles do Wacken, mas o transporte também não era mil maravilhas.
8.5

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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