steel panther no wackenSteel Panther e as garotas do Wacken no palco. Photo: Rolf Klatt, oficial Wacken Gallery 2014

Steel Panther, sexismo não é humor

A banda californiana Steel Panther fez uma apresentação aclamada no Wacken 2014. Não por mim. Esperei muito tempo – quase 7 meses depois do show – para escrever algo, uma vez que no dia meus dedos estavam com uma digitação mais afiada do que faca, mais explosiva do que bomba. 7 meses se passaram e eu permaneço convicta de uma coisa: sexismo não deveria ser humor. Sexismo não é humor. Esses meses se passaram e ainda sinto a mesma vontade de vomitar quando vejo a “brincadeirinha inocente” que os astros “satíricos” do glam metal fizeram ao final do show tediosos no Wacken.

steel panther wacken

Steel Panther. Photo: Rolf Klatt, oficial Wacken Gallery 2014

Steel Panther é conhecida por ser uma banda de “comedy metal”, tipo o Massacration e está confirmada como uma das atrações do Monsters Of Rock em São Paulo. É uma banda bem recente, que surgiu quase 20 anos depois de seus conterrâneos do Mötley Crüe despontarem no mundo como ícones do Glam Metal. Sendo uma comedy band, a missão da Steel Panther é tirar o sarro. Teoricamente, tirar o sarro das bandas de glam metal americanas e de todo o estilo de vida praticado pelos membros das mesmas. Eles até conseguem bem. Exacerbam as roupas e cabelos ao máximo da glametaleiragem – para lembrar a vocês, no metal glam, ou farofa, como também é conhecido por muita gente, os artistas se vestem com roupas bem coladas, estampas de animal, cores chamativas; cabelos armados e trabalhados no laquê e muita, muita maquiagem. Nas letras, a bipolaridade de ” vou sair e pegar todas, fazer sexo o tempo todo” e “Eu preciso apenas de você para ser feliz”.

motley crue

Mötley Crüe: Divulgação

Porém, é muito estranho uma banda que se propõe a tirar sarro do glam metal nunca fazer uma letra, por exemplo, falando como Nikk Sixx e Tommy Lee ( ambos integrantes do Mötley Crüe) parecem dois bonecos de plástico feios e ultravaidosos convservados no formol, ou alguma canção maldosa tirando o sarro do Axl Rose (Guns and Roses) pelos seus adipócitos adquiridos recentemente. Porém, a mesma banda não hesitou em fazer uma música intitulada “Fat Girl”, com frases do tipo ” garota gorda, sei que está faminta, pois você olha para mim como se eu fosse um prato de fritas” ou ” garota gorda, você é toneladas de diversão”, ” garota gorda, não passa na porta”.

Antes de quaisquer argumentos, algumas coisas serão esclarecidas ( não que precisem, mas quero que sejam): 1. Não sou feminista radical. Mas é minha convicção e causa que homens e mulheres tenham dignidade e respeito, da mesma forma; 2. Já ouvi e ouço algumas músicas de bandas de glam metal. É uma quantidade incrivelmente menor do que as outras. Mas, é preciso admitir e ter senso crítico para enxergar que misoginia no metal não é exclusividade dos farofeiros. A mulher é mal tratada e objetificada numa vasta lista de sub-gêneros e canções, infelizmente. Daí te falo: não sou radical mesmo, pois se fosse, deixaria de escutar metade das bandas que escuto, por causa de uma letra ou outra.

Voltando ao Steel Panther, não se trata de uma “brincadeirinha” pontual com a mulher. A banda bate na tecla o tempo inteiro, de forma a amplificar e reverberar o preconceito de tal maneira que fica muito complicado de entender. Asian hooker, Gold-digging whore, Handicapped Slut e por aí vai… letras e mais letras malhando, desqualificando as mulheres. ~Tudo em nome do humor e do exagero das letras glam~
Depois de vários acontecimentos, fico me perguntando o papel do humor nas sociedades, tentando comparar humor bem feito, inteligente e o humor covarde. E não consigo enquadrar Steel Panther em outro lugar do que o humor covarde. Muitos vão falar : ” que saco, não pode tirar o sarro de nada agora”. É, não pode mesmo não. Para cada piada retardada envolvendo uma mulher, pode ter certeza que haverá pelo menos 20 mulheres inteligentes e conscientes para te questionar.

Eu não consigo enxergar letras como ” That’s what girls are for” ( É para isso que as garotas servem), do Steel Panther, como algo natural e somente sarcástico. Não é. Para mim, isso é a reprodução do preconceito embalado no papel bonitinho do “humor”:

“When I want an ice old beer, get it real quick and say yes dear” ( quando

eu pedir uma cerveja gelada, pegue bem rápido e “fale sim, querido”)
“That’s what girls are made for – cleaning, baking, hot love making…” ( é para isso que as garotas servem – limpar, cozinhar e fazer sexo)

Muita gente, ou talvez eles mesmos vão tentar defender que eles estão, na verdade, ~ao lado da luta feminista, tirando sarro sobre como a sociedade machista e patriarcal as trata ~. Mas será? Vendendo muitos discos, figurando entre os headliners dos festivais de metal, sendo parte do top 50 da Billboard. Será que todo mundo pegou essa piada direitinho? Da minha parte, digo que com aliados como estes, prefiro não tê-los.

Por fim, deixo aqui o trecho daquilo que, além das letras, me motivou a fazer esse post: o trecho da apresentação do Steel Panther no Wacken 2014 em que a banda chama garotas da platéia ao palco e faz com elas um show de misogenia fantasiada de humor. Beijar todas as garotas, pedir que elas se beijem, pedir que mostrem os peitos, chamá-las de puta, sem contar a música “bitches” improvisada e de mal gosto … tenho várias opiniões sobre cada um destes atos, e nem sempre são opiniões extremamente feministas. Mas uma das coisas que mais me doeu em todo o show foi assistir quando o vocalista chamou uma garota ao centro, perguntou-lhe o nome mas em seguida tirou o microfone da boca da menina e disse “Isso não importa. Quantos caras querem ver os peitos da ‘isso não importa’?”.

Michael Starr e toda Steel Panther Crew: isso importa sim. E se eu pudesse, gritaria o nome dela aos quatro cantos. Isso importa, e todo esse “exagero” em nome da paródia e comédia importam, pois são, do meu ponto de vista, incentivo para que as mulheres continuem sendo apenas objetos dentro de uma cultura musical e na sociedade. Isso importa e é pelo fato de que isso importa que dedico a vocês essa imagem:

fuck you

Photo: Ylva Vendela

Não fomos nós que não entendemos a piada. O fato é que nós, mulheres, não somos matéria de piada. E que homens e mulheres olhem para os discursos a sua volta de forma mais crítica. Todo e qualquer discurso.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

28 comments

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  1. Pedro Zombie 5 Março, 2015 at 20:02 Responder

    Me desculpe e sei q vc ate ja colocou esse ponto no texto, mas… a piada não são as mulheres, o Michael Star eh um nojo pois Nikk Sixx e Tommy Lee, são também um nojo, acho q sim, q quando eles escrevem letras ridículas objetificando mulheres eles tao querendo apontar de formar escrachada o quanto isso eh ridiculo, são somente personagens, mesmo em filmes eh comum fazer uso de personagens que são protagonistas para justamente criticar uma ideia, como em Taxi Driver, pena q muitos idiotas q se dizem fa levam isso para um outro lado ( n vc obviamente e sim as pessoas q realmente não entendem, os bitolados q acham q a mensagem eh linda e q deve ser seguida)

    • Gracielle Fonseca 6 Março, 2015 at 06:49 Responder

      Pedro, entendo o seu ponto, tanto que eu já até o havia previsto no texto, considerando que várias pessoas compartilhariam da mesma opinião que a sua. Mas nada vai me convencer do contrário. A piada é sim, indiretamente, a mulher. O primeiro foco é o glam metal, Ok – argumento seu, argumento provavelmente deles. Eu afirmo no texto que a piada era para ser o glam metal sim, e todos os estereótipos que envolvem essa música. Só que eu leio o Steel Panther e a proposta deles numa segunda camada, sabe?
      E é por conta dessa leitura de segunda camada que, no meio do texto, eu me pergunto sobre a escassez de piadas com mais elementos do glam metal que não a “objetificação feminina”. Você já se perguntou o porquê de as mulheres serem o tema preferido – e não só a objetificação, mas também a deterioração da mulher, como na música “fat girl” ?
      “É um personagem como qualquer outro”. Sim, é. Mas até que ponto isso fica claro para as pessoas? Quais são os limites de atuação de um personagem humorístico quando o assunto é delicado e envolve minorias? Para você o humor com o glam metal fica mais evidente. Mas o assunto é um pouquinho mais delicado do que “é só um personagem”, pois às vezes, nessa “boa intenção” humorística, eles reverberam um preconceito em proporções absurdas. Eu diria até que às vezes de maneira irresponsável.
      E a posição deles é sempre muito cômoda enquanto exacerbam a objetificação da mulher promovida pelo glam metal: tem um motivo para isso fazer tanto sucesso, para as pessoas gostarem tanto. Você já se perguntou qual? Por que será que é mais fácil atacar o conjunto das mulheres do que atacar outros pontos do glam metal com mais frequência?
      Por fim, achar legal o Steel Panther, para mim, seria a mesma coisa do que achar legal uma banda de “zueria” ao neonazismo, que escrevesse a maioria das letras atacando os judeus , negros, latinos, tudo na “zueria”. Para mim, o grau de seriedade desse tipo de humor deve ser o mesmo do que um tipo de humor como o do Steel Panther. A música do Steel Panther não é humor de protesto ou levante contra “as coitadinhas das mulheres exploradas e objetificadas pelo glam metal”. Não é. Eles se promovem a partir disso. Ou seja, também exploram esse lado para ganhar a fama.

      • Douglas C. 7 Março, 2015 at 15:20 Responder

        Comparar algo com o nazismo é tão vazio quanto um saco cheio de ar. Não tem nexo algum. É como se eu dissesse que a mulher se auto objetifica quando sai de casa com um mega decote e nós homens somos opressores por olhar. Inclusive muitas mulheres ganham fama e dinheiro se auto objetificando. Mas esse é um tema que pela seriedade, complexidade e aprofundamento não cabe a mim divagar sobre.

        Agora, comparar o que seja, ainda mais uma sátira, com o nazismo, um ideal que matou milhares de pessoas por ódio onde o nível de “grau de seriedade” era absurdo, é querer convencer por puro vitimismo. Negros? Aqueles que sofreram séculos vivendo em condições precárias e desumanas contra uma piada chamando uma pessoa de gorda? Mesmo não se justificando, não, não é a mesma coisa.

        Eu também entendo seus argumentos e, de novo, uma coisa não justifica a outra. Porém, todos devem ser respeitados, sejam eles judeus, latinos, ou mulheres. Mas no humor nem tudo precisa ser de protesto ou sobre defesas de classes e coitadismos. Essa patrulha de limite do humor ou o que pode ou não ser encaixado na categoria é muita estranha, muito pessoal. Cabe a cada um saber qual é o seu limite e grau de seriedade. E me parece Gracielle, que você levou a piada mais a sério do que devia.

        • Gracielle Fonseca 8 Março, 2015 at 08:10 Responder

          1º ponto: deixa eu ver se consigo conectar seus argumentos – comparar uma sátira à mulher com uma sátira neonazista é exagero porque o nazismo levou a milhões de mortes, e sátira à mulher é só piadinha, né? ( TÃO VAZIO QUANTO UM SACO CHEIO DE AR…ótimo aforismo, ~cheio de criatividade e conteúdo! Parabéns~ e acho ainda que é um aforismo metalinguístico e tautológico!)

          Caro leitor, talvez você ainda esteja um pouco cru na vida para entender o quão enraizadas estão as coisas e, naturalizadas de forma a tornar a violência direcionada às minorias muito silenciosa. Para esse seu argumento de que comparar o nazismo ao machismo e violência simbólica contra a mulher seria sem nexo, aponto a seguinte pesquisa do IPEA, de 2011, que certamente não deve ter chegado aos seus olhos:

          “De acordo com o levantamento, o Brasil registrou, entre 2009 e 2011, 16,9 mil feminicídios, ou seja, mortes de mulheres decorrentes de conflito de gênero, crimes geralmente cometidos por parceiros íntimos ou ex-parceiros das vítimas.”

          “O número representa uma média de 5.664 mortes de mulheres por causas violentas a cada ano, 472 a cada mês, 15,52 a cada dia ou ainda um óbito a cada hora e meia”.
          Leia mais em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/130925_sum_estudo_feminicidio_leilagarcia.pdf

          Esse número de mortes foi contabilizado somente entre 2009 e 2011.Mas certamente é muito maior, uma vez que é baseado apenas em denúncias e casos investigados. A vida e o número de vítimas do nazismo valem mais do que a vida das mulheres, é o que você defende no seu argumento. E eu digo que não! Não vale! A vida humana deve ser preservada. E você pode não entender, mas as piadas com as mulheres levam sim a naturalização do preconceito e, consequentemente, à naturalização dos vários tipos de violência contra as mesmas!

          2º ponto: Nós mulheres somos donas dos nossos corpos. Podemos andar com o decote do tamanho que quisermos que ainda assim vocês não têm o direito de nos tocar ou nos intimidar com olhares. Sabemos que a atração é normal, mas o que não é normal é vocês argumentarem que não conseguem se controlar. Isso é mentira. Nós conseguimos, outros homens conseguem – vivo na escandinávia e te garanto, eles não são homossexuais, também têm atração por mulheres, mas são verdadeiros gentlemen que sabem de seus limites e do respeito que as mulheres conquistaram. Podemos ganhar dinheiro, podemos refletir ou não sobre nossos corpos. São escolhas e você é quem não tem o direito de controlar ou dizer o que é certo e errado.

          3º ponto: “todos devem ser respeitados”, você fala, mas aí a patrulha do limite do humor enche o saco, né? Hahahahahahaha. De resto, só posso rir e dizer muito obrigada pela sua participação hilária nos comentários! Eu poderia até não aprovar, mas acho que todo mundo tem que ser ouvido e a democracia existe para que a gente possa debater, com embasamento de dados, embasamento histórico e não achismos.

          4º ponto: você é o juiz que estabelece os parâmetros do que devo ou não devo levar a sério? Prazer, mas quem te contratou para tal tarefa? Já lhe adianto que está demitido,hahaha!

  2. Albert Crown ! 23 Março, 2015 at 21:14 Responder

    Independente do ponto de vista da matéria, esse moralismo é que deixa tudo chato na atualidade, quando algo agride o “politicamente correto” sempre vem acompanhado de um grupo de pessoas com a síndrome do “quero uma ideologia pra viver” tentando negligenciar o alvo em questão. puro chororô !!

    • Gracielle Fonseca 28 Março, 2015 at 04:54 Responder

      ~O moralimso faz mal, né Albert? Então bora matar, roubar, saquear que é o melhor que tá tendo! Chega de ser certinho né?~ E quando as mulheres começarem a empalar homens gratuitamente na rua???Quem sabe o moralismo comece a ser útil para vocês????

  3. Felipe 24 Março, 2015 at 16:05 Responder

    Não seria melhor ligar o foda se ao invés de se preocupar com a banda ? Garanto que a ”Isso não importa” se divertiu e gostou do show…Homens podem objetificar mulheres que se deixam objetificar assim como muitas divas do pop objetificam homens,mas isso passa abaixo do radar do politicamente correto de hoje.

    • Gracielle Fonseca 28 Março, 2015 at 04:52 Responder

      Não seria melhor você estudar um pouco mais sobre gênero e feminismo? Olha, meu caro. Preocupo-me com quem ou o quê eu bem quiser. Por sua vez, você pode e é livre para continuar se preocupando comigo e com todas as mulheres que vão continuar a se preocupar com esse tipo de coisa ridícula até que ela acabe!”Mulher que se deixa ser objetificada” pfffffff Só aí já saquei todo o seu ponto de vista sobre a vida e sobre as coisas. Que fique claro: a mulher é livre para fazer o que quiser com o corpo dela, assim como os homens! Como homens e mulheres se referem a esse uso é que está errado! Parem de regular a vida das mulheres e fazer piadas com elas! Só isso, simples assim! RESPEITO – olha essa palavrinha no dicionário! Compensa!

      • Felipee 3 Abril, 2015 at 16:53 Responder

        Eu já estudei sobre feminismo por uns 4 anos por ter uma professora na minha faculdade fissurada nesse tema,então oque eu posso dizer é que o feminismo atual é só a busca desesperada por uma causa de algumas mulheres. É claro que vc se preocupa com oque quiser mas estamos debatendo e usar argumentos dignos de crianças que acabaram de entrar no primário não ajuda muito.Agora no que se refere a objetificação é mais a questão ”viva e deixe viver”,porque vc não se preocupa quando por exemplo a Lady Gaga objetifica vários homens ? Se a banda objetificasse uma mulher e ela não gostasse eu estaria do lado dela mas quando a mulher ou o homem se deixam objetificar é um problema exclusivo deles…Se te objetificarem eu seria o primeiro a ficar do seu lado,agora se objetificarem alguém que não liga eu não atormentaria igual vc está fazendo !

        • Gracielle Fonseca 7 Abril, 2015 at 04:59 Responder

          Ponto 1: duvido que você estudou feminismo. Duvido mesmo -caso tivesse estudado, os argumentos seriam mais concatenados e a discussão mais aprofundada e qualificada (mesmo que você discordasse do feminismo). No entanto, não vi nada parecido claro nos seus textos ( 4 anos? uau? Como assim você tem a mesma professora durante 4 anos na faculdade e a mesma versava apenas sobre feminismo e você ainda sai com esse tipo de conversa????). Ponto 2: Mais uma vez, eu vou me preocupar com aquilo que me sensibiliza e me faz ver que é digno de luta. Ponto 3: o que é a Lady Gaga ou Madonna objetificando homens perto de anos de propaganda massiva de marcas de cervejas usando mulheres, por exemplo? Meu filho: sai do quadrado, acorda para o mundo!

          • Felipe 15 Abril, 2015 at 18:18

            Bom,eu fazia direito e sim,ela ficou com a minha turma por 4 anos,2 anos seguidos um ano não e voltou por mais 2 anos…Todo final de aula era discurso feminista portanto sei do que eu falo… Apenas pelo ponto 3 agora eu sei que eu posso apresentar x argumentos e vc usara a hipocrisia na resposta…Não perderei mais meu tempo debatendo,conheço bem vcs,lógica não é o forte.

          • Felipe 23 Abril, 2015 at 01:02

            É Felipe msm,Maikon não sou eu,só um email que criei pra comprar online sem me preocupar com propagandas…Continuarei sim,sobre feminismo eu concordo até os anos 90 mas não significa que eu não goste do blog…

  4. Paloma 20 Abril, 2015 at 02:20 Responder

    Eu sou mulher e dou risada com as letras do Steel Panther, gosto muito da banda, que ao contrário de artistas do funk e sertanejo universitário que também tiram com as mulheres, e muito pior por sinal, a banda tem musicalidade, dizer que não tem, me desculpe, significa que você não entende nada sobre música. Por sinal sou apaixonada pelo estilo Hard Rock, Glam Metal. As letras são pesadas? São. Não vou escrever textos e mais textos, pois não vou conseguir “provar” o contrário para você, esse é seu ponto de vista e é necessário respeitá-lo. Mas vamos ao ponto das garotas. Eu, como uma pessoa que sigo a banda eu sei que eles no show interpretam caras putões que querem pegar mulheres. Se eles pegam realmente, eu não sei, para mim não passa de fantasia. Michael Star mesmo, que esse não é nem seu nome verdadeiro, leva sua esposa aos shows. Eu não subiria no palco do Panther, porque, bom, eu sei o que vai rolar, elas sabem, elas querem estar lá, elas querem pagar “peitinho” e ter oportunidade de “pegar o tal Michael Star”, então nesse ponto, vai me desculpar, mas elas querem. Eles não mandam “mulher, venha cá”, inclusive, eu assisti esse show, mostrou os peitos quem quis.
    Para finalizar, é interessante ir atrás da história da banda. As letras fazem referências a histórias de estrada de alguns, de uma maneira “escrachada”, como e tal mulher gorda. E tem algumas que não passam de fantasias mesmo. No final das contas, só está de uma maneira aberta o que acontece no mundo da estrada, nem homem nem mulher são as “vítimas da história”. Enquanto tiverem mulheres no perfil das músicas “baixas” do Panther, vai haver música, vai haver histórias. E as letras “machistas” eles mesmo já disseram sobre. Esse negócio de feminismo e machismo está tão chato que, enquanto houver toda essa chatice haverá paródias. Mas no final das contas, todos respeitam todos. Você já viu histórias deles batendo em mulher, por exemplo? Mas já ouviu de um belo cantor com músicas românticas fazendo isso….

    • Gracielle Fonseca 21 Abril, 2015 at 15:35 Responder

      Antes de tudo, Paloma, quando você fala sobre entendimento musicaI, é preciso ter em mente uma coisa: mesmo que eu ou você tivéssemos a capacidade de escrever algo tão grandioso quanto a 9° sinfonia de Beethoven ou que fossemos PHD em teoria musical, ainda teríamos o direito de achar uma música/banda boa ou ruim. Hora alguma falei que era especialista em música. E sendo especialista ou não, nada me impede de achar Steel Panther uma bosta. Essa é minha opinião,gosto pessoal. Posso garantir por mim e por outros que podem ser realmente “entendidos” do Glam Metal que existe banda melhor e mais criativa no gênero, musicalmente falando, do que Steel Panther – afinal, a proposta não é paródia de tudo? Paródia inova ou copia?

      Segundo ponto e na verdade o mais importante : você ser mulher e curtir SP não os absolve em tempo algum do uso abusivo de humor misógino. Você e mais 500.000 garotas que ainda gostem deles não os livram do olhar crítico de parte da sociedade que entende a agressão simbólica que é feita por eles, sob a desculpa de humor, claro. Isso me faz refletir o quão sutil e mais perigoso é esse tipo de preconceito que encontra brecha no humor e entretenimento . Pergunto: o que você acha que está por trás do pensamento de um homem que agride uma mulher fisicamente? Você já parou para pensar em quais valores e preceitos ele cultivou na cabeça para chegar a essa ação? Muito provavelmente são pensamentos de que a mulher é um ser inferior que não merece respeito verbal ou físico. Os seus ídolos podem não ter agredido nenhuma mulher fisicamente, mas a violência simbólica velada é o caminho para a violência física, pois eles só trazem mais sedimento para a grande pilha de preconceito e de estereótipos para o feminino. Conhecer ou não a história de estrada que os levou a escrever a letra sobre a mulher gorda ainda não os exime de serem extremamente indelicados e preconceituosa em nome do humor.

      Com relação às meninas, o que tem de mau e errado em mostrar os peitos? Hora alguma falei sobre isso! Por que você não mostraria seus peitos? O que há de mau nisso? Quem incutiu na sua cabeça que é errado mostrar os peitos??? Eu sou livre para mostrar ou esconder, e é isso que importa. E acredito que algumas delas também o sejam. Mas será que todo mundo pensa crticamente sobre a ação de esconder ou mostrar os peitos? E sobre a participação das mulheres no show, não acho que você pegou o ponto que quis discutir…

      Enquanto houver preconceito enraizado, existirão vozes para clamar direitos, que são direitos humanos. Machismo e feminismo são um saco para quem tem preguiça de pensar sobre a vida, política e sociedade e só sabe olhar para o próprio umbigo. As condições das mulheres não são boas em várias partes do mundo e, enquanto elas forem ruins, acho muito sórdido e maldoso cultivar o preconceito via humor – por que aí vai igual supositório, não é mesmo? O humor desce suave pelos orifícios de vários humanos, com um tanto de mensagem perigosa embutida, com poucos que as percebam. E se existem paródias para rebater as “chatices”, também já existem e podem existir mais instrumentos para a defesa da mulher, assim como leis e outras resoluções. Organizações internacionais como a UN Women e outras nacionais têm conseguido grandes progressos. Mas, sabemos que o grande desafio está nas microfissuras do cotidiano e da formação pessoal e interpessoal… enfim…

      Muitas mulheres, assim como você, precisam aprender e praticar o significado da palavra SORORIDADE.

  5. Felipe 12 Maio, 2015 at 15:09 Responder

    Discussão infinita essa. Mas é importante lembrar que ninguém obriga a menina a subir no palco. Ninguém obriga ela a tirar a roupa quando aparece no telão, e ninguém obriga ela a fazer o que o carinha X ou Y da banda pede que ela faça. Ela faz tudo isso porque quer. Porque gosta e acha bonito ser o centro da atenção naqueles 10 segundos. Inclusive a “doesn’t matter’s name”.

    • Gracielle Fonseca 14 Maio, 2015 at 08:36 Responder

      A discussão já foi encerrada há séculos, por falta de opinião qualificada, por essa preguiça mesmo que vocês têm de discutir gênero e só ter o foco na atitude da mulher, como se ela estivesse errada de alguma forma. E você não muda o disco destes argumentos vazios. Portanto, vale lembrar que: VAI SE FUDER!

    • Gracielle Fonseca 26 Maio, 2015 at 08:51 Responder

      O ponto não é se elas estavam gostando ou não. O ponto é a atitude da banda. Pare de focar nas mulheres e olhe para o circo de preconceito que vocês sempre armam. Elas podem ter gostado, mas eu não gostei – e isso me dá todo o direito de me manifestar de forma inteligente e com argumentos na esfera pública de discussão. Continuo a não gostar da banda.Também não gosto da sua falta de argumento e entendimento sobre a vida. E sonho pelo dia que todo preconceito machista seja penalizado em formas bem pesadas de multas, processos e até prisões, pois com pessoas que não se dispõem a discutir e melhorar atitudes, somente ações severas surtem efeito… isso não está longe de acontecer, eu se fosse você já ia me educando, sendo mais gentil e sensível às causas femininas 😉

  6. Jéssica 3 novembro, 2016 at 01:56 Responder

    Olá, gostei muito do seu texto, tenho uma forma muito semelhante de pensar, gostaria muito que você pudesse fazer um post ou algo do tipo a respeito do motley crue, que é uma banda que admiro muito a muito tempo, qual a sua opinião? Você os considera maschistas? digo no quesito letras apenas, pois sabemos que a vida pessoal dos integrantes é bem perturbada (até tento separar ao máximo o pessoal e o profissional das bandas que ouço).Obviamente nas letras a mulher aparece de uma forma sexualizada, até certo ponto ok, afinal todos gostam de sexo e isso não é segredo, mas qual o limite disso pra você, até que ponto não é sexista expor as mulheres nas composições ? E gostaria também de saber quais bandas de hard/glam você ouve, abraços!

    • Gracielle Fonseca 8 novembro, 2016 at 21:32 Responder

      Olá, Jéssica! Fico muito feliz que você tenha lido e curtido o post. Olha, é sempre um dilema para nós. Eu também curto muitas bandas cujas letras e atitudes de seus integrantes são deploráveis no quesito do machismo. Com relação a isso, sugiro a leitura do livro Bad Feminist, da jornalista Roxane Gay. Ela escreveu artigos para o NY falando sobre seus conflitos sendo feminista e fã de gangsta rap, é mole?
      Pois bem, eu considero o Motley Crue bem machista. A começar pelo fato de sempre colocarem nos seus shows duas dançarinas que estão extremamente objetificadas sobre o palco. Elas mal cantam os backing vocals. Algumas letras podem parecer não conter um machismo tão explícito, porém sim, muitas delas reforçam papeis de gênero cristalizados para as mulheres. Papeis como sedutora, sensual etc, e reforçam esse estereótipo de objeto sexual. Looks that kill parece até um elogio, não é? Eu inclusive adoro a música. Porém, se você olha a fundo, só está impondo o valor estético sobre a mulher.

      Eu tb gosto de muitas músicas do Motley Crue, mas não sou super fã. Eu fui super fã na adolescência do Aerosmith ( mta gnt não acha q é hard, mas eu acho q sim). Tb ouço mto Vixen, Lita Ford, Van Halen, Guns eu gosto de muita coisa. Enfim. As bandas recentes, só curto Crucified Barbara. Acho que elas usam a estética do hard rock de forma muito empoderada.

      Sobre os limites de uma letra ou atitude ser machista, o primeiro deles é colocado pela própria mulher. Se uma única mulher considera uma letra ofensiva, para mim já tem algum caráter machista. Se reforça papeis tradicionais da mulher na sociedade ex. domesticadora, sensível, romântica, sensual, sedutora, bela -aí já acho que tb está sendo machista. Pois, reforçar estereótipos é tirar o foco de outras milhares de capacidades e performatividades do ser mulher. E isso é uma estratégia patriarcal para manter a ordem social como está, com as mulheres em desvantagem em vários setores, ainda.

      Infelizmente, a coisa não é tão simples assim para dizermos ” parem de ouvir”. Porém, é preciso estar consciente de que é machista e de que pode fazer mal para um futuro mais justo para as mulheres. É preciso sempre criticar e falar, pois assim, gradativamente as produções vão passar a dar lugar a temáticas menos machistas, acredito.

      É isso, bjz!

    • Gracielle Fonseca 12 junho, 2017 at 09:53 Responder

      Pois é, Raquel. A gente precisa problematizar o ‘humor’, pois se um dos lados não riem e ainda sofrem problemas sérios na sociedade em função de ideologias naturalizadas – inclusive naturalizadas por piadas, aí existe um problema grande, não é mesmo? Abs!!!!

  7. Neo Rocker 6 Fevereiro, 2018 at 17:08 Responder

    Ei, garota, jogou duro! Parabéns! Mas o irônico é que a mulherada é forte na platéia do Steel Panther, e elas não parecem estar protestando contra o deboche da banda em relação à mulher. Ao contrário, se divertem pra caramba. Aliás vemos esse mesmo comportamento artístico aqui no Brasil tb. No passado, com Doutor Silvana, Camisa de Vênus e até Mario Lago (Amélia, coitada!), e hoje com os incontáveis funks e axés, que parecem ter uma chancela oficial para escrachar a mulher sem incomodar ninguém.
    O comportamento complacente da massa não justifica o escárnio em questão. E é isso que preocupa mais. Existe Steel Panther, MC G15 e É o Tcham (“joga ela no meio / mete em cima / mete embaixo”), porque há demanda (mulher, homem, funkeiros, pagodeiros e roqueiros) pra curtir esses vexames.
    Então, o problema não é só a Steel Panther, mas principalmente a plateia torpe que curte seu som.

    Keep rocking!

    • Gracielle Fonseca 7 Fevereiro, 2018 at 22:39 Responder

      Olá, Neo Rocker! Obrigada pelo comentário. A coisa é complicada, mas as mulheres que curtem são as últimas a quem eu direcionaria minhas críticas, pois o machismo, a heteronormatividade entre outras coisas a respeito de questões de gênero estão introjetadas de maneira muito consistente e cruel. E, infelizmente, para além do “prazer” momentâneo de estar em um show como esse, elas, as fãs, não são as pessoas que se beneficiam diretamente de tudo o que decorre desse esforço cultural hegemônico a que essas bandas se prestam. São séculos de pressão social, ideológica.Cada onda do feminismo foi fortemente reprimida ou combatida por inúmeras instituições – às vezes pela força, e às vezes por lutas hegemôncias silenciosas, como essas travadas dentro da cultura. Então, não podemos exigir que todas as mulheres tenham consciência da violência simbólica que estão sofrendo. Mas sim, podemos fazer a contra-hegemonia e espalhar por aí informação para uma futura tomada de consciência =). Grande abraço \m/

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