live sets do ultra brasilFotos: Ultra Music Festival/Divulgação

Uma reflexão e 13 live sets do Ultra Brasil pra baixar e ouvir

Agora que toda loucura passou, que deu tempo de dormir, descansar e esfriar a cabeça, é hora de pensar sobre o que foi o Ultra Brasil. Funcionou? Funcionou. Foi bom? Foi. Poderia ter sido melhor? Sim, poderia. Já era de se esperar que um festival que precisou ser reprogramado duas vezes (a segunda delas a uma semana da data marcada) talvez não saísse perfeito – nem aqueles que transcorrem dentro do programado atingem a perfeição. Mesmo assim, não dá para dar um desconto e deixar pra lá os tropeços.

Mas vamos ser legais e começar falando do que deu certo. Ter resistido e garantido a realização do festival com todas as tretas do caminho foi a primeira delas. Fazer um festival tomar algum sentido dentro do Sambódromo, que não era o lugar ideal, foi outra.

O espaço físico foi um problema, sim, e isso ficou mais visível ainda no sábado, quando o Ultra atraiu muito mais gente. Foi difícil circular, muito aperto. Mas era o que tinha à mão para manter a programação prometida e ao menos houve a sabedoria de liberar o acesso a uma das arquibancadas. Além de ter servido de espaço extra para desafogar o público, também criou um bom ponto de visão para acompanhar os shows do palco principal. Outro destaque foi a pontualidade dos shows.

live sets do ultra brasil

Spoiler: não vamos falar de coisa boa

Agora vamos aos puxões de orelha. Coisas que não estão ligadas diretamente com a treta do lugar. É um apanhado do que eu presenciei e também de observações nos grupos sobre o Ultra do qual faço parte.

Primeiramente, precisamos falar sobre filas – uma das principais reclamações do pessoal. A começar pela entrada do festival, que foi cheia de gargalos em diferentes horários do dia. Com um único acesso e aparentemente sem pessoal suficiente para checagem de ingressos e revista, muita gente ficou presa na fila, perdeu show e chegou a ter que esperar até duas horas para entrar. Quando eu cheguei, por volta das 17h de sexta, duas horas após o início do festival, vi um “engarrafamento” monstro de gente esperando pra entrar e nem sinal da fila andar.

Houve muita reclamação de filas também nos bares e banheiros, o que sinaliza um atendimento mal organizado e banheiros insuficientes para a demanda, respectivamente.

Muita gente reclamou ainda da revista, que foi absolutamente aleatória: alguns sequer tiveram a mochila revistada, outros reclamaram que – literalmente – revistaram até dentro da cueca. Qual era o critério? Aquela lista de itens proibidos e permitidos era pra ser levada a sério ou não?

A água de R$ 8

Agora precisamos falar sobre a água. Precisamos falar sobre a água de 300 ml a R$ 8. Essa foi a reclamação mais recorrente do pessoal e o meu maior susto lá dentro (nem se o Aoki me acordasse cinco horas da manhã com um bolo na cara eu me assustaria tanto). Vamos fazer aqui um breve exercício de comparação e colocar esse valor junto do preço cobrado por outros grandes festivais do Brasil:

Electric Daisy Carnival Brasil: de graça
Lollapalooza: R$ 4 (300 ml)
Rock in Rio: R$ 5 (300 ml)
Maximus Festival: R$ 5,60 (400 ml)
Tomorrowland: R$ 6,25 (500 ml)
Ultra Brasil: R$ 8 (300 ml)

Tem alguém muito fora do tom e esse alguém é o Ultra. Primeiro, porque a diferença é clara. Segundo, porque não estamos falando de algo que se pode optar ou não pelo consumo; água é um item básico de sobrevivência, e mais ainda em determinadas situações (entendedores entenderão). Terceiro, porque sabemos que o padrão Miami é ofertar estações de água gratuita e esse padrão não foi importado junto com a marca que veio ao Brasil.

Dá para dizer muitas coisas sobre isso, mas alguém em um desses grupos deu a melhor definição que eu encontrei até agora: uma baixaria. Mas, pera. A coisa ficou ainda pior, porque teve gente que relatou que após o show do Aoki a mesma garrafinha de 300 ml estava sendo vendida por R$ 10.

A propósito, outra reclamação que se repetiu foi a esperteza de alguns ambulantes de cobrarem um preço acima do tabelado ou de aceitarem dinheiro no lugar do sistema cashless (que caiu de para-quedas no colo de todo mundo horas antes do festival acontecer).

A reflexão que eu prometi no título do texto

Apontar falhas e problemas não é o mesmo que desaprovar algo. Pelo contrário, é oferecer elementos para que esse mesmo algo se aperfeiçoe e, consequentemente, melhore. Ultra, a gente te quer de volta, e bem melhor do que você foi <3

Àqueles que consideram ser proibido reclamar, que é melhor ficar em casa se for para apontar erros, que é normal pagar preços claramente extorsivos, eu lamento a percepção conformista que não admite que as coisas podem ser melhores do que são.

Os 13 live sets do Ultra Brasil que eu prometi no título do texto

live sets do ultra brasil

Agora sim vamos falar de coisa boa. Se, apesar da água a R$ 8 e a fila de duas horas, deu para sair do Ultra com um sentimento bom e de que valeu a pena é porque quem subiu no palco entregou o serviço esperado. Teve Martin Garrix gigante aos 20 anos (e você aí penando pra conseguir pelo menos um estágio com essa idade); teve Carnage enfiando hard, MC Brinquedo e o escambau no set; teve Carl Cox mito; teve Chapeleiro tocando num palco pequeno demais pra ele (até quando?); Hardwell pondo um ponto final no Ultra com uma ajudinha do João Brasil.

IH, quê isso?

Isso aí embaixo é uma lista com live sets do Ultra pra baixar e/ou ouvir. Nem todo mundo está aí ainda, mas a lista vai sendo atualizada à medida em que outros sets forem surgindo 😉

Carl Cox
Martin Garrix
Sunnery James & Ryan Marciano
ANNA
Krewella
Nicole Moudaber
Dash Berlin
Jauz
Steve Aoki
Carnage
Alok
Nic Fanciulli
DJ Snake

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

10 comments

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  1. Gisele 17 outubro, 2016 at 17:45 Responder

    Eu não tive problemas com o sistema cashless, mas haviam vários ambulantes de chopp (onde o pagamento era pra ser feito exclusivamente pelo sistema cashless) onde as pessoas pediam por 1 chopp e o ambulante debitava uns 4 ou 5 chopps no cashless e não entregava o canhoto com o saldo do cartão. Fora que o chopp vinha num copo miniatura e com muita, mas muita espuma.

    • José Neto 18 outubro, 2016 at 02:09 Responder

      Isso é um problema infelizmente muito comum no nosso país e que desanima muitos organizadores de eventos, teve um evento na minha faculdade onde foram representantes da plus talent e eles falaram sobre prejuízos que tinham nas festa (tomorrowland uma delas) com as pessoas que trabalhavam nos bares, pois esses “trabalhadores” faziam esquemas com o público, trabalhando como ambulantes no bar oficial com a bebida fornecida pelo evento, botando dinheiro que era pro evento direto no bolso deles, esse ato não é errado só da parte de quem trabalha no bar mas também de quem compra da forma errada, e depois os mesmos querem reclamar do políticos.

  2. Reginaldo P Santos 18 outubro, 2016 at 20:39 Responder

    E aquele palco ” UMF RADIO” que mais parecia um palco de quemerce que colocaram estrelas como Infected Mushroom, Markus Schulz, Chapeleiro dentre outros pra tocar, aquilo não tinha um pingo de qualidade, o som estava horrível, a estrutura nem se fala, iluminação péssima e espaço minúsculo, um desrespeito com os músicos e com o público

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