steve n seagullsSteve ‘N’Seagulls. Photo: Jaakko Manninen Photography/ Divulgação

#Playlist: aquecimento Maximus Festival e um desafio

Confesso que fazer uma playlist de aquecimento Maximus Festival foi um desafio e um bom serviço prestado ao meu repertório musical. Pelo menos, ao processo de construção de repertório que se esquiva a todo o momento das bandas ditas ‘comerciais’. Não me esquivo por querer. Pelo menos, não um “querer” totalmente consciente. Não olho para a banda e falo: roupagem pop-rock, clipe bem produzido, refrão fácil – então não quero mais! Mas isso acontece, de forma inconsciente. Caso não haja nada bizarro ou muito apelativo para meu gosto, eu passo de música, de clipe, sem perceber. O problema disso é que às vezes se perdem muitas coisas legais produzidas pelas mesmas bandas que são apresentadas de maneira, digamos assim, mais midiática. Existe uma produção para além da música principal de trabalho, e ela pode ser muito mais instigante.

Por exemplo, cometi este erro absurdo com Halestorm. A primeira vez que vi um clipe da banda, especificamente da música “Love bites (so do I)” eu passei reto. Depois, passei a ter encontros com a banda em alguns lineups de festivais, como o Sweden Rock, Graspop Metal Meeting…

Foi no Graspop que decidi assistir ao show e ficar, então, bem impressionada com a performance vocal e com os riffs. Passei a entender que não só de refrões fáceis e grudentos a banda vivia. Também assisti ao concerto do Shinedown, no Graspop, para entender melhor a quantidade de pessoas que curtem a banda atualmente. Foram duas boas escolhas, pois foram concertos muito interessantes, cheios de energia.

E aí, depois de alguns dos primeiros posts aqui no Festivalando em que a gente deu uma pincelada nas atrações musicais do Maximus, muitos leitores comentaram: ah, você também não falou desta, ou daquela banda. E olha, a partir daí eu descobri e redescobri um tanto de coisas legais, com um novo olhar. Acho que o lineup do Maximus propõe isso: um novo olhar. Está longe de ser um lineup clássico, montado pelos festivais mais tradicionais de heavy metal. Não vou ser hipócrita em afirmar diferente: o festival me fisgou pelo Rammstein, que eu nunca tinha visto ao vivo e queria muito ver. Mas depois de montar esta playlist, tenho certeza que vou ter um dia agradável em Interlagos, no dia 07 de setembro de 2016.

Tem peso, mas também tem leveza no Maximus festival

Assim como o próprio festival, nossa playlist começa de leve, para você se ambientar e ir se preparado para a moeção que vem mais tarde. Os finalandeses do Steve ‘N’ Seagulls trazem os melhores clássicos do heavy metal em versões descontraídas. As releituras caem como uma luva dentro do bluegrass, como se pode definir o som que a banda faz. Ouvir ao vivo as releituras de Farm Machine, cd da anda lançado em 2015, vai ser uma maneira muito legal de receber a galera.

Rock que toca na rádio e não faz mal a ninguém

Halestorm

Halestorm at Rock on the Range/ Divulgação.

Em alguns momentos, a playlist fica muito similar à programação de uma rádio comercial. Lembro que antes de eu ter contato com a MTV, Belo Horizonte só tinha uma rádio em que se poderia ouvir rock e, de vez em quando, metal. Assim, quando intercalei as músicas da RavenEye, Black Stone Cherry,Halestorm, Hollywood Undead, Far From Alaska e Ego Kill Talent me senti realmente ouvindo essa rádio. E aí senti uma certa nostalgia, de quando eu não tinha tantos “preconceitos” musicais. Uma época pré-internet com escassez de grana fazia do contato com a rádio o momento mais adorado do meu dia.

Uma nova geração do metal pesado nacional

Thrash metal – sim, quando eu conheci este sub-gênero do metal, posso dizer que minha vida mudou bastante. O Maximus Festival não poderia deixar o thrash de fora, afinal, é uma das vertentes mais adoradas por todo metalhead que se preze. Porém, nada melhor do que refrescar um pouco os ouvidos com sangue novo. Então, um lineup que traz os paulistas da Woslom contempla muita gente e faz ver que o estilo continua produzindo bandas interessantes no país.

project 46

Project 46. Promo/ Divulgação

O Project 46, bem mais conhecido, é uma das bandas que flertam com thrash e o metalcore. Da nova geração nacional, talvez tenham sido uma das bandas que mais cresceram nos últimos anos. Me gradam muito as letras com crítica social e a sonoridade também é cativante. Um show que já vi em alguns festivais nacionais e que é impossível deixar de ver de novo.

Peso em maneiras diferentes para agradar velha e nova geração

A Playlist fica ainda mais ‘nervosa’ com Hellyeah, Disturbed, Bullet For My Valentine. Essas bandas trazem o peso em formas distintas. Mas sim, com elas se faz entender porque o Maximus é um festival de metal. A cereja do bolo da playlist traz os ‘veteranos’, mas não tão velhos – Rammstein e Marilyn Manson. Entre a pegada ou flerte industrial do metal com o bizarro, essas duas últimas bandas conquistaram gente como eu. Gente que nunca se encaixou muito bem nas formas tradicionais de tudo, onde quer que elas estejam.

Mesmo assim, tenho que admitir que nunca me imaginei indo a um show do Bullet For My Valentine. Mas é para isso que servem os festivais. Para desafiar seus limites e fazer com que seus horizontes se abram. Quando o assunto é metalcore, são eles quem dominam como headliners absolutos nos festivais na Europa. E agora, também aqui. Por isso, não ver a esse show somente por causa da minha birra com as aproximações da banda com o emo não faz sentido. Aliás, ouvindo melhor BFMV, percebemos que eles mais se afastam do que se aproximam do Emo.

Desafio para mim e para alguns: É preciso abrir os ouvidos!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

1 comment

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  1. Marco 6 setembro, 2016 at 10:14 Responder

    hahaha, confesso que metalcore também não é minha praia, mas dei uma chance para o BFMV no Graspop e não foi tãããão ruim assim, acho que a vibe das pessoas ao meu redor, que estavam curtindo, deixa a experiencia menos sofrivel, rs

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