Ph:Iana Domingos

Iron Maiden em BH ou wherever you are

Muita gente ainda pondera e reflete sobre a escolha de ver a banda favorita em um festival ou num show avulso. Há vantagens e desvantagens em cada uma das situações, dependendo de cada circunstância. Então, quando eu saí do show do Iron Maiden em BH no último sábado, quis fazer essa reflexão. Eu que já vi a banda em contexto de festival e em outros contextos, bem como me preparo para vê-la em alguns festivais do verão europeu, achei que faltava uma resenha para desvendar isso. Na verdade, eu queria mesmo escrever uma resenha aqui no Festivalando sobre uma das minhas bandas mais queridas, mas não queria fazer uma resenha tradicional – pelo menos não de forma extensa.

Não queria ficar ali analisando minúcias do setlist, descrevendo e comparando detalhes técnicos das apresentações anteriores do Iron, me masturbando em palavras e frases que todo mundo já disse por aí, talvez até com mais competência do que eu o faria. Ah, claro que também nem gostaria de ser alvo da ala xiita, Maomé que me livre se eu erro alguma coisa!Digo isso por saber que nós fãs de Iron Maiden somos pessoas ótimas, mas que tem uns representantes meio uó, isso tem! N.O. – (nota de ódio): Antes de o show começar, no dia 19/03, quando me empolguei, pulei e gritei ao ouvir “Doctor doctor”, clássico da UFO que o Iron Maiden sempre coloca como introdução para preparar as plateias para sua entrada em qualquer show, um fã xiita gritou comigo “Isso é só CD, Viu, Fia?” – WTF, né, meu filho? Não tenho direito de me empolgar com algo que anuncia que o show vai começar?).

Bolo de aniversário

Agradecimento especial à Fotógrafa Iana Domingos, que colaborou com as fotos para este post – Veja mais do trabalho dela aqui, e à Nuclear Blast pelo convite de cobertura.

Ph:Iana Domingos

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Bom, ainda antes de fazer a partida Maiden em festival x Maiden avulso, queria dizer brevemente o quanto o show foi especial para mim. 19/03 não é qualquer data. É meu aniversário. E daí, ter o Iron Maiden tocando no quintal de casa, nesta data, tornou o dia belo e especial. O Show foi meu bolo de aniversário, com camadas boas e outras ruins,mas que juntas foram muito saborosas. É claro que nem sempre o recheio sozinho, ou só bolo sem cobertura, ou só a cobertura, ou só a cereja têm tanta graça quando são degustados de forma separada. Porém, tudo junto faz sentido e agrada o paladar.

A massa de bolo seca e sem graça ficou por conta de algumas músicas do novo CD, das quais não gosto tanto. Tipo, abrir com If Eternety Should Fail não me deixou muito empolgada. Também acho que são camadas de massa sem graça a execução de Tears of a Clown, The red and the black e The book of souls. Mas, teve o lado bom dessas músicas: ver como é a vibe delas ao vivo, para tirar a teima de que não era minha implicância restrita com o CD.

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Para não falar que considerei o CD novo todo como massa sem graça, tenho que dizer que achei Speed of Light e Death or Glory com sabor de recheio delícia. A cobertura, esperada e que não pode faltar,(de chocolate, por favor!) ficou mesmo por conta dos clássicos. Ainda bem que não tiraram The Trooper, Hallowed Be Thy Name, The number of the beast e Wasted years, músicas que vêm se repetindo nos set lists dos shows recentes que vi – ainda bem! Acho que a Fear of The dark quase vai para a categoria massa sem graça. Mas ao vivo é impossível! Ela acaba ganhando status de recheio delícia, também. A cereja (se a gente concorda que cereja do bolo é tipo o must, a coisa mais sensacional) aí digo que Powerslave, Iron Maiden e Children of the damned foram bem cerejinhas, para mim. Só achei chata e piegas a Blood Brothers ali no meio, tipo um marshmellow grudento e deslocado. Vale lembrar que também senti falta de Moonchild, que rolou no RIR 2013, Phanton of the opera e outras cositas más. Porém, como disse no início, ainda sim foi um bolo de aniversário muito saboroso. Mas já comi melhores, Maiden 😉

Ph:Iana Domingos

Ph:Iana Domingos

Eu dispensei os belisquetes de entrada, The Raven Rage – banda do filho do boss, mas curti muito os salgadinhos antes de cantar os parabéns: Anthrax foi um show muito animado! Até fiz uma entrevista com os caras, o que vocês vão conferir em breve em nossos podcasts 😉

Façam suas apostas para o placar da partida Maiden em festival x Maiden avulso

Desde 1980, início da turnê de divulgação do álbum Iron Maiden, a aparesentação da banda nos seus primeiros festivais (Wheel Pop Festival – BE, Kuusrock festival -FIN e Reading Festival-UK), já se tinha indícios de que a empreitada de Steve Harris tinha nascido para ser headliner na vida. Daí, quando você assiste à segunda incursão da banda no mundo dos festivais, no Reading de 1982 e no Rock Pop de 1983,você sente aquela energia e passa a ter certeza absoluta de que eles são os headliners da vida do metal. Portanto, ter o Iron Maiden em um festival faz difereça. Pense, por exemplo, na apresentação que eles fizeram no Rock in Rio, em 1985.

Em 2016, o Iron Maiden vai tocar em 12 festivais na Europa. Por isso, ele é um dos grandes headliners desse verão europeu, atraindo multidões para os principais festivais, como o Wacken, Graspop, Download e as edições do Sonisphere. No entanto, os caras também estão em turnê por aí, com um monte de concertos fora dos festivais. Com essa abundância de oportunidades de ver o Maidein, muita gente pode ficar com a dúvida de qual seria o melhor contexto para ver a banda . Vou colocar minhas opiniões aqui na partida, mas queria contar com os a discussão e os contra-argumentos de vocês. Tiremos nossas conclusões:

  • Multidões Maiden em festival 1 x 1 Maiden avulso

Tem gente que vai preferir shows mais vazios e intimistas. Mas essa não parece ser uma realidade do Iron Maiden, desde meados da década de 80. Portanto, sem essa de que você prefere os shows avulsos do Iron Maiden, para escapar das multidões. Isso não existe, o Iron Maiden sempre vai atrair um galerão, até se o show for na pqp.
Além disso, o Iron é ainda uma das bandas de metal que fazem os megacoros mais lindos da história. É sempre de arrepiar o papel das multidões nos shows do Iron – é a coisa que provoca merda, também, como gente sendo pisoteada, alambrado caindo, e por aí vai.
O Bruce é, da mesma forma, um ótimo maestro de multidões, o que é lindo em festival ou em show avulso.

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  • Disposição Maiden em festival 0 x 1 Maiden avulso

Sendo o Iron Maiden um headliner de festival, quase sempre estamos destruídos quando o show dos caras começa, pois as organizações de festival deixam, quase sempre, o melhor para o fim do dia. Tá certo que o riffs do iron levantam qualquer um das profundezas de um coma alcoólico. Mas, geralmente é bem complicado enfrentar as maratonas de festival. Pior ainda, quando você quer ver a banda de um local privilegiado, é bem ruim a situação de festival, pois você vai precisar marcar o seu lugar durante o dia inteiro, e às vezes escutar bandas insuportáveis que abrem o dia para os seus ídolos – tenho péssimas lembranças do RIR 2013…
Show do Iron Avulso é mais tranquilo – mesmo não sendo a tranquilidade total para @s [email protected] da grade. No entanto, dá para você tomar banho, chegar [email protected] e feliz e curtir um showzaço. Por isso, golzinho do Iron Avulso.

  • Performance Maiden em festival 1x 1 Maiden avulso

Não consigo ver diferença na empolgação da banda, tanto em festival quanto em show avulso. Aliás, para a maioria dos artistas profissionais isso é uma realidade. Na hora do contato com as produções, um show é vendido. Pode variar em número de músicas, tamanho de palcos. Mas a energia e disposição dos caras é quase sempre a mesma. Sobre o batidão de tour em festival, dá na mesma, pois o festival passa a ser apenas mais uma data na agenda da banda. Para mim, não há um conjunto de coincidências de apresentações boas em festival, e ruins nos clubes, ou vice e versa.

Ph:Iana Domingos

Ph:Iana Domingos

  • Setlist Maiden e produção de palco em festival 0x0 Maiden avulso

Essa questão é polêmica. Não fiz, entretanto, uma tabela com todos os setlists dos festivais e dos shows da vida do Maiden para poder comparar – se você fez isso, você é um tarado/tarada. Vai arranjar uma trouxa de roupa pra lavar, agora! hahaha. Não dá para comparar. Mesmo que eu pegue essa tabela hipotética, o que vai me fazer achar um setlist do Maiden em festival ser melhor do que um avulso, vai ser muito subjetivo. Portanto, acho que uma boa solução seria pensar no tamanho dos shows vendidos e, portanto, no número de músicas que o Iron vai tocar.
Em princípio, a gente tende a pensar que os shows do Maiden em festivais seriam mais curtos, por conta da própria dinâmica do festival etc. Mas, ele é headliner, é rei. Então, geralmente são apresentações bem longas nos festivais. Daí, seria uma inverdade dizer que os shows avulsos são mais longos. Até porque há produtores que podem, eventualmente, comprar shows menores.

A mesma lógica pode ser usada para a produção de palco. Tem festival que recebe a produção inteira, outros não. Assim também é com os shows avulsos. Por isso, existe um empate técnico.

  • Preço Maiden em festival 1 x 0 Maiden avulso

Aí não tem jeito. Deveria ser uma goleada, na verdade. O preço de se ver o Iron Maiden em um festival é inestimavelmente menor do que o preço do show avulso. Em Belo Horizonte, as inteiras custaram entre 290 e 590 reais – levanta a mão, pois é um assalto! Quem vai para um festival paga preços iguais ou muito próximos para ver muito mais bandas, acampar, fazer um tanto de coisa legal. Tem ingresso para festival que o Maiden vai tocar de 180 euros, por exemplo (por volta de 700 reais).

Placar final, na minha opinião: Maiden em festival 3 x 3 Maiden avulso. Então, onde é melhor ver o Maiden?

 – Oh well, wherever, wherever you are. Iron Maiden’s gonna get you, no matter how far 😉

Mas, também quero saber a opinião de vocês, respondam à enquete:

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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