música na europa eurosonic noorderslagEurosonic Noorderslag – Divulgação. PH: Knelis

As apostas do Eurosonic Noorderslag para a música na Europa em 2017

Seria muito romântico pensarmos que todos os programadores musicais de festival encontram as novidades para os lineups do nada, perdidos na noite em algum bar com show ao vivo sempre. Tão pouco estão todos 100% dedicados à escavação da internet em busca das gravações de bandas com aquele ‘tchan’. Isso faz parte, claro, e talvez vários deles façam 90% deste trabalho. Mas, como a música na Europa ( e talvez em todo o mundo) caminha em um ritmo bem acelerado, por que não fazer um festival que é um vitrine dos novos talentos?

Assim foi pensado o Eurosonic Noorderslag, evento que é ao mesmo tempo uma conferência sobre festivais de música e um festival show case que a dá aquela forcinha para os ‘montadores de lineup’ dos festivais europeus. O ESN começou na quarta e vai até sabado, dia 14. Durante o dia rolam várias palestras, painéis e encontros de inovação e negócios na indústria dos festivais. À noite, as apresentações das bandas que resolvemos chamar de as apostas do Eurosonic para a música na Europa em 2017.

São mais de 300 shows com artistas que vindos de todas as partes do velho continente. É muito artista de quem nunca ouvimos falar. Mas como a gente ama música e está sempre de ouvidos bem abertos para tudo, decidimos fazer uma playlist com aquilo que mais nos apeteceu entre os artistas recomendados pelo Eurosonic.

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Vila dos artistas no Eurosonic Noorderslag

Os artistas mais recomendados pelos críticos de música na Europa

A imprensa europeia fez uma lista de recomendação de quem vale a pena ouvir. Mais de 40 veículos divulgaram suas listas. Separamos os nomes mais votados, só para você que está a fim de ouvir novidades poder começar de algum lugar. São eles:

Amber Arcades (nl)
Anna Meredith (gb)
Anna of the North (gb)
Her (fr)
Mémoria de Peixe (pt)
Sløtface (no)
Skott (se)
Best Youth (pt)
First Breath After a Coma (pt)
Roosevelt (de)

As tendências musicais das apostas do ESN e um guia para fazer um ‘crowdsurf’ na playlist

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Eurosonic Noorderslag/Divulgação

Precisamos admitir que não é todo ano que a safra da música está tão maravilhosa para revelar aqueles sucessos de abalar. Mas também não quer dizer que não há música boa surgindo por aí. É preciso garimpar entre as apostas feitas pelo Eurosonic Noorderslag 2017 para a música na Europa. E para te ajudar nessa atividade garimpeira, a Pri escreveu um guia de ‘conteúdos’ ou pelo menos blocos de impressões musicais da playlist:

1) Rock sujinho, distorcido, 90s, garage

Eu já pensei várias vezes nos últimos anos que as bandas haviam se esquecido como se usa uma guitarra pra fazer distorção, mas achei interessante o tanto de banda nessa playlist que segue essa linha. Esses rótulos que eu coloquei aí em cima podem não ser tão precisos, pois rótulos nunca são mesmo, mas foi o mais próximo que eu consegui usar pra descrever o sentimento que essas músicas me provocaram, me levando pra algum lugar dos anos 1990, quando eu comecei a virar essa freak de música.

Artistas: Beach Beach, Fading Lines, Slotface, Shame, Ugly Face On, Goat Girl, IDLES, Sauropod, Gurr, Teksti-TV 666, Viagra Boys, St. Tropez

2) Pós-punk

Ainda falando de referências de tempo e lugar, tem uma trinca de bandas que estão transitando em algum lugar entre o pós-punk e a new wave que se fazia na Inglaterra umas décadas atrás.

Artistas: Communions, Drangsal, The Glockenwise

3) Instrumental

A quantidade de faixas instrumentais também é interessante, apesar de nem todos os artistas com faixas desse tipo serem puramente instrumentais. A variação dos estilos nessa linha é bem grande, com coisa eletrônica, mais lírica, instrumental, distorcida, etc.

Artistas: Memória de Peixe, Newmoon, Anna Meredith, Sailor & I, Mario Batkovic, Jacques, Christian Löffler, Dardust, Dagamba, HOLY NOTHING

4) Hip hop em idiomas não tradicionais

Tem uma presença pequena, mas peculiar de artistas de hip hop na seleção. Às vezes o toque de hip hop é muito mais uma inspiração vocal (no sentido de ser uma música mais falada que cantada), às vezes é uma O peculiar nessa história é o fato de ter artistas de países menos óbvios no circuito pop, como Lituânia, Estônia e Polônia.

Artistas: TAU, Silvana Imam, Tommy Cash, Rejjie Snow, Reykjavikkurdaetur

5) Retrôs

Tem uma galare do tipo “direto do túnel do tempo”, com umas referências bem distintas do vocabulário pop da playlist: chanson française, cabaré, folk (não tanto esse folk pop que a gente tem hoje), os grupos vocais femininos da Motown.

Artistas: ALA.NI, L.A. Salami, Rodrigo Leão, Marta Ren & The Groovelvets

6) Indefiníveis

Tem uma galera mais esquisitóide, desconcertante ou ligeiramente experimental (porque ser experimental pra valer é difícil quando tanta coisa já foi feita na música e também porque eu acabei identificando algumas referências passadas).

Artistas: The Moonlandingz, Warhaus, Taxi Wars

7) Portugueses

O Eurosonic deste ano dá destaque aos artistas portugueses e é legal ouvir música em português com outro sotaque (mas nem todos os artistas portugueses da lista cantam em português (como o Glockenwise) ou sequer têm vocais (como o Memória de Peixe).

Artistas: DJ Ride, The Gift

8) Continuidades

Tem um MONTE de artistas na linha das coisas que a gente vem ouvindo nos últimos anos, como esse eletrônico mais etéreo, em slow motion ou o indie-miguxo-fofinho-tecladinho-solar

Artistas: Weval, Skott, Her, Baywaves, Roosevelt

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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