Quando eu for me lembrar do Lolla 2026 daqui a alguns anos, vou ter boas recordações. E o sol, que teve presença firme nos três dias de festival, fará parte delas. Tenho convicção disso porque a ausência de chuva é um dos fatores essenciais para eu ter uma experiência de festival minimamente feliz. Não precisa ter sol; pode até estar nublado ou frio. Chuva é que não dá. Mas o sol reinando num céu azul é sempre melhor.
Os dias ensolarados desse Lolla têm ainda mais peso porque, até onde consegui puxar da memória, e se ela não me falha, este foi o primeiro Lolla desde pelo menos 2018 em que não houve nenhum dia de festival com chuva. Entre anos muito enlameados como 2024 e episódios de interrupção dos shows por causa de tempestades, como em 2019 e 2022, ou a chuvinha que caiu no fim do último dia em 2023, as últimas edições não passaram ilesas da chuva. E isso, para mim, já é um motivo para desmanchar algumas boas lembranças.
Mas este não foi um Lolla exclusivamente sobre o sol
Este Lolla foi também o Lolla dos leques, ainda que consequência direta do sol. Para a diversão de uns e irritação de outros, uma parte significativa do público decidiu dar seu próprio show e transformou a plateia em protagonista durante muitas apresentações. Foi um número extra apresentado por um público que começou dando show com presença massiva nos dois maiores palcos já no fim da tarde. O palco Bud, em particular, nunca esteve tão cheio tão cedo como foi, por exemplo, durante os shows de Marina ou Djo.
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A propósito, foi também o Lolla dos fandoms. Do Pink Pony Club ao Tylerverse, lotaram o festival desde cedo. É um trunfo para a organização do evento. Por outro lado, é um comportamento que impõe novos desafios para a gestão do público e a conciliação de fã-clubes diferentes que precisam ocupar o mesmo espaço ao sabor da ordem de shows criada pelo próprio festival.
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Foi um Lolla ainda do contraste entre a sensibilidade do cercadinho feito para proteger a família de quero-queros no gramado do palco principal e a energia dos sinalizadores no meio do mosh pit do Turnstile. Um crossover que os fãs souberam elaborar bem no pós-festival.
Mosh pit de Quero-Quero™ https://t.co/vVkhr3Oyna pic.twitter.com/Jq6n1YCdAD
— ⛧⛓️ NIИ ⛓️⛧ (@oninzzy) March 24, 2026
Quase como uma versão lúdica para o contraste entre as famílias com crianças andando de mãos dadas no meio da multidão para ver Sabrina Carpenter e o palco vizinho recebendo punk e metal no mesmo dia.
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Foi também um Lolla que transbordou para fora do Autódromo, como sempre
Imaginativo como de costume, o roteirista do Brasil fez um bico no fim de semana do Lolla e colocou em uma mesma trama Chappell Roan, Jorginho do Flamengo, Jude Law e um ex-segurança das Kardashian. A história é que o segurança da cantora teria destratado a menina, filha do ator e enteada do jogador, por causa de uma interação indireta com a artista em um hotel de luxo.
A cantora nega, o segurança fez um desabafo nas redes sociais e o caso ainda rende nas páginas de fofoca do Brasil e na imprensa britânica quase uma semana após o ocorrido. É um episódio digno de rivalizar com as subtramas do Lolla 2022, que vieram à tona nos últimos dias.
Uma constante surpresa familiar
No fim, foi um Lolla como muitos outros Lollas nos últimos anos: com algumas mudanças sutis e outras evidentes, às vezes estampadas na cara do público, às vezes sentidas na vivência dentro do Autódromo, porém tudo embalado (ainda) em uma certa familiaridade para quem já frequenta o festival há muito tempo.
As mudanças vão seguir sem freio com a chegada de novas gerações nos próximos anos, mas por ora sigo disposta a seguir observando esse microuniverso temporário que se instala em Interlagos todos os anos no fim do verão para continuar acumulando lembranças para o futuro.
E como não poderia deixar de ser, as melhores memórias acumuladas vão ser sempre as musicais
Em 2026, Viagra Boys, Doechii, Marina, Cypress Hill, Chappell Roan, Lorde e Turnstile são os protagonistas de muitas dessas lembranças que eu terei no futuro.
