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empoderamento de mulheres em festivaisGuy Bell/REX/via Shutterstock

Empoderamento de mulheres em festivais: as boas iniciativas

Não foi dessa vez que equacionamos a desigualdade de mulheres nos lineups dos festivais – como mostrou um levantamento do Huffington Post, os homens correspondem a 78% das atrações dos festivais, contra 12% de mulheres e 10% de grupos mistos. Também não foi dessa vez que pudemos aproveitar integralmente o clima de liberdade de um festival – 35 meninas foram assediadas em um ataque coletivo no festival sueco Party in the Park. Mas foi dessa vez que ouvimos falar com mais substância de ações concretas de empoderamento de mulheres em festivais.

Do maior e mais antigo festival do mundo aos festivais de alcance local, vimos surgir duas frentes principais de empoderamento. De um lado, programação e espaços integralmente dedicados a dar voz e visibilidade aos interesses femininos. De outro, espaços com equipes treinadas para proteger as mulheres vítimas de assédio, agressão e outros tipos de violência de gênero, que se manifestam facilmente no ambiente de festival quando se confunde a liberdade propiciada por essa experiência com ausência de limites e respeito mútuo.

Empoderamento por espaços exclusivos para conexão e inspiração

Como bem colocou a organização do Glastonbury ao defender o seu espaço feminino e respondendo às acusações de ~sexismo reverso~ (dos mesmos criadores de “heterofobia” e “orgulho branco”): “espaços dedicados às mulheres são necessários em mundo onde tudo ainda é dominado e definido para beneficiar homens”.

The Sisterhood – Glastonbury (Pilton, Inglaterra)

O maior festival do mundo, co-produzido por uma mulher (Emily Eavis é quem comanda tudo ao lado do pai, Michael Eavis, fundador do Glasto), introduziu neste ano uma área exclusiva para mulheres e pessoas identificadas como tal.

Durante os dias de festival, o espaço abrigou workshops, debates, apresentações musicais e performances, tudo com o intuito de ajudar mulheres a se conectarem, compartilharem experiências e discutirem os desafios de gênero.

Her Forest – Electric Forest (Michigan, EUA)

O festival de música eletrônica realizou este ano uma programação ampla para oferecer um ambiente de inspiração e conexão entre mulheres “com o maior apoio e empoderamento possíveis”.

As meninas que acamparam puderam fazer parte do Women’s Group Camp, um espaço com equipe dedicada ao atendimento, receptivo, suporte e atividades de integração para as mulheres durante todo o festival.

O festival também teve uma série de palestras com mulheres envolvidas na indústria da música e dos festivais, além de meet and greet com as mulheres por trás da realização do Electric Forest.

Empoderamento por segurança, apoio e proteção

O caso do assédio coletivo no festival da Suécia citado no início do texto não é isolado – pergunte a alguma menina que você conhece sobre algum tipo de agressão sofrido em festival ou escute o podcast em que eu e Gra contamos sobre alguns casos de assédio em festival que nós sofremos. Situações assim são bastante corriqueiras, e assim o são justamente porque são tratadas como corriqueiras, na maioria das vezes até naturalizadas, sem o peso e o alarde devido.

Women’s Safe Space – Shambhala (Colúmbia Britânica, Canadá)

Um dos pioneiros nesse assunto, o Shambhala tem um centro de atendimento exclusivo para mulheres (e pessoas identificadas como tal), dentro dos seus serviços de segurança e saúde.

O atendimento começou como uma resposta aos incidentes de agressão e violência física e verbal contra mulheres reportados no festival, mas não se limita a isso. O serviço funciona 24 horas para dar qualquer tipo de apoio que uma garota precisar durante o festival, mesmo que não esteja relacionado a um conflito direto com outra pessoa. Na definição do festival: “Um espaço seguro para pessoas auto-identificadas como mulheres em busca de apoio sem pré-julgamentos ou de um espaço confortável longe do público”.

empoderamento de mulheres em festivais

Wave Break Media via Shutterstock

Nation of Gondwana (Grünefeld – grande Berlim, Alemanha)

O festival criou um espaço também dentro de sua área de atendimento médico para apoio a vítimas de assédio dentro do festival. O atendimento é voltado não só para mulheres, como também para diferentes minorias, e a organização do festival tem uma filosofia clara escancarada ao público: “Racismo, sexismo, homofobia e quaisquer outras formas de discriminação não são toleradas!”.

Recado dado.

Aguardando os ecos dessa mensagem se replicarem nos festivais brasileiros.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

2 comments

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    • Priscila Brito 10 agosto, 2016 at 15:56 Responder

      Oi, Carol! Valeu por complementar com esse dado do Metaldays. Muito legal saber que um dos festivais que está na nossa wishlist aqui também está atento a essa questão. Eu e Gra esperamos poder testar esse camping no ano que vem 🙂

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