wow glacier loveMatthias Kendler/WOW Glacier Love/Divulgação

WOW Glacier Love: um festival pra conhecer a neve, a Áustria e a Baviera

Os festivais europeus na neve se tornaram um assunto recorrente aqui no Festivalando e eu pude, enfim, viver essa experiência fora do comum de curtir um festival sob baixas temperaturas – na casa dos seis graus, para ser mais precisa. Fui ao WOW Glacier Love em novembro, festival de música eletrônica que eu já havia mencionado nessas primeiras sondagens sobre eventos na neve e que ocorre ao redor e na geleira de Kitzsteinhorn, em Kaprun, na Áustria, país que concentra boa parte dos festivas com esse perfil gelado.

A verdade é que o WOW Glacier Love caiu de paraquedas na minha vida. Eu viajei para a Alemanha, mais precisamente para Munique, por razões pessoais e também para fazer um curso super intensivo de alemão (quatro horas por dia!), idioma que tenho estudado há mais de um ano (apesar de só ter pegado firme mesmo a partir de janeiro).

Acontece que eu tinha os ~contatos~ certos na hora certa. O amigo do <3 que fui visitar e me hospedou em Munique é VJ em festivais de música eletrônica na Europa nas horas vagas e foi chamado de última hora para trabalhar no WOW, que rolou justamente na semana em que cheguei na Alemanha. Menos de 24 horas depois de eu botar os pés em Munique, nós dois partimos juntos para Kaprun em um carro da produção do festival que foi nos buscar. A vida nem sempre é uma bandida, né, gente?

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De todas as experiências de viagem para festival que tive este ano, a ida ao WOW Glacier Love foi a mais rica e intensa, acho que muito em função do fator surpresa e de certos ineditismos. Foi uma road trip de fim de semana que me permitiu ver neve pela primeira vez na vida, belas paisagens de outono e rolés pela Áustria – com uma boa sonzeira no meio disso tudo (detalhe importante: foi a primeira vez em mais de um ano que fui em um festival apenas para curtir, e não para trabalhar para o Festivalando). E acho que, de modo geral, uma viagem para o WOW vai ser isso mesmo: a parte turística vai se sobrepor ao festival. Por quê?

Festival na geleira e no castelo

O WOW é um festival de música eletrônica e de esportes na neve (suuuper populares na Áustria) que rola durante um fim de semana (de sexta a domingo) de novembro. É um evento de médio para pequeno porte (veja a avaliação da estrutura do festival no fim do post). Ele foi montado com o objetivo de adicionar uma dose de entretenimento à temporada de inverno e atrair mais turistas para uma cidade que vive exclusivamente do turismo gerado por suas estações de esqui. A minúscula Kaprun, cidade que recebe o festival, com seus três mil habitantes, tem basicamente hotéis, lojas de equipamentos de esqui, restaurantes e bancos – basicamente, o que os turistas precisam quando estão em viagem.

A distribuição dos palcos é feita de modo que você circule pelos pontos de interesse da cidade, o que por si só já transforma a curtição do festival em uma bela experiência turística. O palco principal, que recebe shows durante as duas primeiras noites do festival, é armado na entrada da cidade com a geleira de Kitzsteinhorn ao fundo. Neste ano, rolou NERVO e R3hab. Chase and Status também estava no lineup, mas a dupla perdeu o voo e não chegou a tempo (uma pena, porque era quem mais me interessava).

WOW Glacier Love/Divulgação

WOW Glacier Love/Divulgação

O Castelo de Kaprun, construção de arquitetura medieval datada do século XII, considerado um marco da cidade e um dos principais pontos turísticos locais, é transformado em palco do festival também. Os DJs começam a tocar por volta das 21h e vão até as 4h. A coisa esquenta mesmo madrugada adentro, pois o local acaba virando uma after-party depois que acabam os shows no palco principal. Um estacionamento no centro da cidade recebe uma programação nos mesmos moldes, com uma pegada mais underground, mas bem menos charmosa. Afinal, se você pode decidir entre curtir uns sets num castelo medieval ou num estacionamento, qual deles você vai escolher?

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Shorty Himself/WOW Glacier Love/Divulgação

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Shorty Himself/WOW Glacier Love/Divulgação

Durante o dia o festival ocupa o point principal da cidade, a estação de esqui de Kitzsteinhorn, fácil e rapidamente acessível por meio das linhas de ônibus. Há competições freestyle de esportes de neve e uma programação de DJs em um dos pontos intermediários da estação. É mais um som ambiente pra animar as atividades da estação, que fica bastante movimentada.

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Shorty Himself/WOW Glacier Love/Divulgação

Mas aqui talvez seja o momento em que você vai dar menos bola para a programação do festival. Kitzsteinhorn é o ponto mais alto da região de Salzburgo, a 3.029 metros acima do nível do mar. A tentação vai ser grande pra você deixar os shows de lado, pegar os teleféricos e ir até o cume da geleira para ter uma vista maravilhosa.

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Sobre o frio: seja à noite ao relento ou durante o dia na geleira, não se desespere com os 5° C, 6° C. Se os europeus construíram uma civilização inteira com temperaturas até menores que essa, porque você não suportaria algumas horas ou dias?

Uma bota com forro térmico, meias para a neve, luvas e um casaco também próprio para a neve vão te proteger bem, somados a uma ou duas camadas de roupa por baixo do casaco. Eu me dei bem com apenas uma.

Em todo caso, veja o post da Gra com dicas mais detalhadas sobre como se vestir para festival no inverno.

Ingressos, hospedagem e transporte para o WOW Glacier Love

Para ir ao WOW Glacier Love, você pode optar por ingressos de um dia, de fim de semana ou pacotes que são vendidos diretamente no site do festival. Neste ano, os pacotes com ingresso de fim de semana + duas noites de acomodação + passe para acesso à estação de esqui partiram dos 140 euros. Optando apenas pelo ingresso, o acesso a Kitzsteinhorn é pago à parte. Os preços variam conforme a época do ano, a idade e o horário. Cheque aqui os valores atualizados.

Com relação à hospedagem, há poucas opções mais simples e em conta, por isso, comprar os pacotes talvez seja um bom negócio. Há muitos hotéis de três e quatro estrelas bastante aconchegantes e de estilo bucólico. Eu fiquei no Kaprunerhof, ótimo pra dar uma relaxada. Tem sauna, spa e a vista da varanda do quarto e do salão de café da manhã é a danada da Kitzsteinhorn. Not bad, hã?

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Pesquise hotéis em Kaprun

Você pode chegar a Kaprun de trem, via Deutsche Bahn ou OBB (companhias de trem da Alemanha e da Áustria, respectivamente). Mais precisamente, você vai chegar na estação de Zell am See, distrito maior que engloba a pequetita Kaprun. De lá há opção de ônibus ou táxi para percorrer os 15 km até o ponto central da cidade. Mais informações aqui.

Mais turismo: de Kaprun para Salzburgo ou Munique

Kaprun está a aproximadamente duas horas de Salzburgo e de Munique. Ou seja: uma boa desculpa para você esticar ainda mais sua viagem. Você pode, inclusive, montar seu roteiro tendo como âncoras uma das duas cidades. No domingo, depois de dois dias de WOW, nós fomos para Salzburgo. É provável que o trem seja a opção de transporte mais prática, mas se você for do tipo que gosta e pode alugar um carro, recomendo esta opção.

Nosso trajeto de Kaprun até Salzburgo foi pela estrada e a vista é simplesmente estonteante: imponentes alpes e vegetação colorida de amarelo pelo outono. No dia da viagem o clima ajudou a colorir ainda mais a paisagem com um belo azulão no céu. Já valeu a viagem.

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Pesquise hotéis em Salzburgo

Eu não tinha muito tempo porque precisava estar em Munique na segunda de manhã para o meu intensivão de alemão, mas consegui aproveitar bem Salzburgo em um único dia – e tudo a pé. A temperatura estava mais amigável que em Kaprun: na casa dos 16°, 17°, o que me libertou do casaco. A Fortaleza de Hohenslazburg foi o ponto de partida da visita. Visitar o local compensa não só pelo seu valor histórico (é uma das maiores construções medievais da Europa, datada do século XI, e situada no topo de uma colina a 500 metros de altitude). De lá você tem uma visão panorâmica do centro histórico da cidade.

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Descendo da fortaleza, deu tempo para bater perna na Getreidegasse, famosa por abrigar a cada onde nasceu Mozart. Vale dar umas voltas nas ruas ao redor para flanar pelo centro histórico. Depois, seguir nas margens do rio Salzach, que corta toda a cidade e chega até a Alemanha. Atravessando o rio, chega-se aos jardins do palácio de Mirabell, que estavam bastante coloridos e floridos tendo em vista que a minha visita ocorreu no outono.

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A estação de trem principal (Hauptbahnhof auf Deutsch) não está muito longe dali. Se ainda tiver mais dias livres no roteiro, estique a viagem até Munique, que dá para alcançar em duas horas usando o trem. Se Berlim é apaixonante porque é descolada, Munique te pega porque é uma cidade elegante, rycah, com altíssima qualidade de vida.

Pesquise hotéis em Munique

O tempo que você terá disponível vai determinar o que fazer em Munique (eu tive 20 dias por conta do curso), mas, certamente, um rolê pela Marienplatz, coração da cidade, é obrigatório. A poucos metros dali está um dos passeios de que mais gostei na cidade, o Viktualienmarkt, mercado de alimentos a céu aberto com fornecedores locais. Nele também tem um dos muitos biergartens espalhados pela cidade.

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Ir ao Parque Olímpico pode ser uma visita surpreendente. O local que abrigou a trágica olimpíada de 1972, palco de ato terrorista que deixou sete atletas israelenses mortos, é hoje um lugar vívido e que pode estar cheio de crianças e famílias numa tarde ensolarada, como foi no dia em que estive lá. Subindo a Olympiaturm (torre olímpica), você tem uma visão 360° de Munique a mais de 200 metros de altura e ainda visita o Munich Rock Museum, instalado no alto da torre e que reúne basicamente memorabília da coleção de um grande fã de rock local. O museu fica na plataforma fechada da torre. Subindo as escadas, você tem acesso a uma plataforma aberta. Por causa da altura e do frio, o vento pode ser muito forte e te impedir de curtir a vista a céu aberto. Magrinha que sou, rolou uma sensação de “o vento levou” de tão forte que ele era.

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Se estivar na cidade aos domingos, não deixe de ir a um dos museus na região da Königsplatz: cobra-se apenas um euro para o acesso a museus como a Neue Pinakothek e o Ägyptisches Museum. Um rolê pela Karlsplatz é ótimo pra quem gosta daquele frisson de cidade grande: o local é cheio de galerias comerciais e grandes lojas, como a Obletter, loja de brinquedos, e a Hugendubel, livraria, ambas fundadas no século XIX. A visita ao Englischer Garten, gigantesco e famoso parque da cidade, é uma parada super comum, mas lamento que eu tenha ido lá num dia que estava resfriada. Como áreas verdes já são mais frescas que o normal, num dia frio a temperatura por lá estava mais baixa ainda, o que tornou o passeio bastante incômodo e logo voltei pra casa.

De Munique ainda rola um bate-volta para a medieval Nurembergue (que eu fiz) ou para o castelo de Neuschwanstein (que eu não fiz, só pra ter uma desculpa para turistar mais por lá. Como se eu precisasse de desculpa pra voltar. E como se existissem apenas desculpas turísticas).

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Bayern Ticket: como funciona

Em todos esses trajetos citados acima (Munique/Salzburgo ou vice-versa, ou Munique/Nurrembergue ou Neuschwanstein) a dica é comprar o Bayern Ticket da Deutsche Bahn. O Bayern Ticket faz parte da gama de tickets regionais da companhia de trens alemã, são válidos por um dia e permitem que você viaje na região em questão por um preço baixo, principalmente se estiver em grupo.

Funciona assim: o preço para um único passageiro é 23 euros (cheque aqui o valor atual). A cada passageiro que viaja junto com você, até o limite de quatro, paga-se apenas mais cinco euros. Ou seja, se você viajar com mais um acompanhante, o ticket para os dois sairá por 28 euros (a viagem sai a 14 euros pra cada um) e assim por diante. Em trens noturnos, a coisa é melhor ainda: quatro passageiros pagam 29 euros (7,25 para cada um). Você pode comprar os tickets nas máquinas disponíveis nas estações ou online.

O melhor é que você pode conseguir seus acompanhantes para dividir um Bayern Ticket mesmo sem conhecê-los. Há grupos no Facebook apenas para procurar gente para dividir um Bayern Ticket, como este de viajantes que vão de Munique para Nurembergue. Procure por “mitfahrgelegenheit”. Outra opção é encontrar alguém na hora mesmo, na estação. Foi o que meu amigo fez ao ver um casal que aguardava na fila para comprar os bilhetes na máquina. Na hora eles toparam dividir com a gente.

O importante é que você esteja junto dos seus companheiros de viagem dentro do trem para não haver problemas na hora da fiscalização das passagens. Outro detalhe importante é que você deve escrever o nome de todos os viajantes no bilhete. Quem for o “proprietário principal” do ticket (o primeiro nome da lista) ainda pode utilizá-lo no transporte público da cidade de origem e de destino no dia da viagem.

Mas atenção: o Bayern Ticket e os demais bilhetes regionais são válidos apenas para trens regionais, indicados nos painéis eletrônicos e impressos nas estações com as letras RB e RE. Os trens indicados pelas letras ICE, IC e EC, de longa distância, não aceitam esse tipo de bilhete. De qualquer forma, você pode fazer os mesmos trajetos nesses trens pagando um pouco mais caro (e viajando razoavelmente em menos tempo também).

Em resumo: o WOW Glacier Lover pode até ser um festival pequeno e simples, mas tem um potencial gigante pra te proporcionar boas experiências de viagem dada a sua localização e a facilidade de deslocamento entre as principais cidades e pontos turísticos nas proximidades. Foi um fim de semana pra não esquecer.

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Como de costume, segue abaixo uma avaliação técnica da estrutura do WOW Glacier Love. Nós avaliamos todos os festivais que visitamos e, em seguida, os listamos no Festivalômetro, nosso ranking de festivais.

Transporte10
Informações7
Hidratação e comida6
Limpeza e banheiros5
Conectividade7.5
Segurança10
A segurança e o transporte para os palcos do WOW Glacier Love se beneficiam da boa estrutura e qualidade de vida da pequena Kaprum, na Áustria. Como poucos festivais, o WOW oferecia wi-fi gratuito nos três palcos. Porém, apenas em dois deles (os menores) a conexão de fato funcionou. A oferta de comida era bem básica, com um peso maior para as bebidas. A limpeza ficou a desejar, principalmente pela quantidade enorme e desnecessária de papel picado disparada no público em todos os sets de DJs.
7.6

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

5 comments

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  1. Rodrigo Airaf 13 dezembro, 2015 at 18:39 Responder

    Venho por meio deste convocar a Priscila dos Eletrônico™ a conferir meu bebêzinho que eu finalmente consegui lançar hoje! Agora estamos todos nos paranauê dos ~jornalismo musical~~

    Mas não se preocupa que eu NÃO VOU DEVOLVER minha carteirinha de fã do Festivalando e vou continuar aqui abrilhantando essas comment section

    Dá uma passadinha http://stereominds.com.br/

    • Priscila Brito 14 dezembro, 2015 at 14:20 Responder

      Menino, vi um post circulando por alguns grupos do Face ontem e não imaginava que era o seu bebê! Achei super bem feito – absolutamente tudo. É um filho lindo! E o senhor continue mesmo sendo o rei dos comments porque já me acostumei com sua presença aqui.

  2. Rodrigo Airaf 14 dezembro, 2015 at 14:36 Responder

    Pois é, eu estou bem feliz! Muito obrigado! Teve um post sobre festivais que teve uma grande receptividade (aparentemente tocou no emocional das pessoas), e eu me inspirei também na vibe do Festivalando. Na verdade, quando eu e meu sócio fomos nos reunir pra decidir linguagem de marca e fomos procurar referências, o Festivalando foi um dos primeiros a vir à nossa mente como exemplo de um trabalho incrível, leve, descontraído, informativo. Sou fã #1 do trabalho de vocês mesmo que eu não abra os posts de rock hahahaha

    • Priscila Brito 15 dezembro, 2015 at 14:27 Responder

      Own, que felicidade saber que o Festivalando serviu de referência <3 <3 <3 E que bom que você ama a gente apesar dos posts de rock! (não quero nem imaginar o que você acha dos posts de heavy metal hahaha)

  3. Rodrigo Airaf 15 dezembro, 2015 at 15:19 Responder

    Não é que eu não seja do rock, é que eu sou muito do eletrônico pra ser de qualquer outra coisa. No Lolla 2013 eu vi Queens of the Stone Age que eu nem sabia do que se tratava e gostei bastante, mas chegando no hotel eu já tava no pc ouvindo EDM. É mais forte que eu hahahahh

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