vigelands osloPhoto: BjoernEisbaer CC BY-SA 3.0 no

Vigelandsparken é óbvio, mas emociona

Acho que tenho uma certa preguiça de algumas atrações as quais costumo chamar de atrações turistonas. Com o Vigelandsparken não teria sido diferente. Ele está estampado quase na sua fuça quando se chega ao Gardemoen, aeroporto de Oslo. Apesar de o grande banner sobre o lugar chamar a atenção e despertar curiosidade por todas aquelas esculturas amontoadas – a gente fica sem saber se tratar de uma briga ou uma orgia – toda essa propaganda talvez tenha sido o motivo para que, na minha primeira estadia na cidade, eu deixasse de ver o parque e desse preferência à outras coisas.

Porém, ao regressar a Oslo para o Inferno Festival, a primeira coisa que fiz foi vencer o meu preconceito. Deixei as coisas no hotel e, antes de qualquer coisa coloquei-me no rumo do lugar. Foi uma decisão muito acertada. O Vigelandsparken é óbvio, mas emociona. E muito. Digo óbvio no sentido de que é a principal atração turística de Oslo e recebe milhares de turistas todos os anos.

Roda da vida: Foto: Gracielle Fonseca

Roda da vida: Foto: Gracielle Fonseca

Primeiras impressões

Entrei pela extremidade do parque em que era possível avistar uma primeira escultura: a roda da vida. Ali já começaram todas as minhas reflexões sobre o fato de que, das duas vezes em que estive no país me deparei com algum tipo de escultura de roda, com quase o mesmo intuito artístico de falar sobre a efemeridade ou dinâmica das coisas nas nossas vidas. Logo parei de pensar no assunto.

De longe, já havia percebido que teria que disputar espaço com muitos turistas para tentar perceber melhor cada escultura. Essa é uma das condições que fazem das visitas aos locais turistões nos encher de preguiça. Mas tudo bem. Uma primeira volta, e daí a pouco escuto, em bom e alto português: “Renan, olha essa aqui, olha a cara feia dela, olha como a criança tá judiando da coitada”… era a Maria, de Curitiba, chamando o seu esposo para ver a estátua da foto abaixo.

Nossa interação compatriota foi rápida, e logo o parque ia se esvaziando e pude chegar perto de cada uma das esculturas, para perceber detalhes. Era inevitável não ficar muito tocada por tudo aquilo que cada uma delas representava.

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

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Muitas esculturas e muitas indagações

De cara, só um amontoado de corpos. É briga, é carinho, é sexo selvagem? É, pode ser tudo isso. No centro e no alto de tudo, um amontoado de corpos em formato fálico- um falo de 14 metros, esculpido em uma única pedra. O falo como centro do parque. O falo como centro da humanidade? Uma verdade? Algo para se orgulhar ou apenas uma constatação? Mas na Noruega não impera a igualdade de gênero?

Deixei algumas dessas perguntas para lá e segui a contemplar outras peças. São muitas. 212 esculturas em bronze, granito e ferro mostram o trabalho de uma vida toda do artista Gustav Vigeland, importante escultor norueguês, falecido em 1943. O parque fora concluído 6 anos após a morte de Gustav.

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

corpos vigelands

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

A emoção, enfim

A primeira coisa que impressiona é que é pedra e é metal, mas é sobretudo humano. Um culto aos corpos, um culto à humanidade, aos sentimentos diversos que emanam do simples ato de viver. Corpos que se amam e que se odeiam. O toque que hora é carinho, hora é violência. Expressões de muitos sentimentos também. Alegria, tristeza, e até o vazio nos olhos de pedra de algumas estátuas podia ser percebido. O que mais comove é que todos os sentimentos estão ali, entre corpos, femininos ou masculinos – apenas humanos, na essência, sem muitas distinções. Idade talvez. Mas de resto, seres humanos na drama da vida, e também da morte.

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

família vigelands

Esculturas Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

Um nó na garganta diante a tamanha beleza e até uma lágrima que queria sair, mas teve medo de congelar no vento frio primaveril…

Saí do parque. Passei pelo café, mas estava fechado. Em direção à saída, percebi pessoas correndo, outras jogando futebol. Os mais de 800 metros de verde e esculturas também são lugar para lazer ao ar livre. O parque é um museu a céu aberto. Mas também há um museu tradicional, com três andares. Trata-se de um lugar dedicado à vida do artista Gustav Vigeland. Para entrar no parque não é preciso pagar nada. Já para adentrar o museu, paga-se no mínimo 60 coroas norueguesas, o que dá um pouco menos do que 30 reais.

portoes vigeland

Portões-detalhe Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

Fiquei imaginando que uma volta pelo parque durante o verão deve ser muito prazerosa. Caso voltasse a Oslo em tal época, eu traria comigo comida e faria um pique nique. Aconselho que façam o mesmo e aproveitem um dia de sol no lugar. Também aconselho a ter sempre uma moeda de 10 coroas norueguesas no bolso. É que a maioria dos banheiros públicos do local só são acessados mediante a pagamento… passei aperto, viu?!

o parque vigeland

Vigelandsparken Foto: Gracielle Fonseca

 

Vigelandsparken – informações práticas

Como chegar: Na estação central de Oslo (Oslo Sentralen), ou Jernbanetorget você pega o metrô, ou T-banen da linha 1 com sentido a Kolsås e desce na estação Borgen – outras rotas também são possíveis, mas essa foi a que fiz. Lá as placas vão sinalizar bem como você faz para chegar ao parque. Existe uma caminhada prazerosa de alguns minutinhos. Veja antes se compensa adquirir o Oslo Pass.

Quanto custa para chegar lá: 30 coroas norueguesas para o bilhete de ida do metro. Mais 30 para voltar. Vai dar ao todo uns 30 reais.

Entrada: gratuita

Horário de abertura do parque: no período de maio a agosto, será de terça a domingo, de 10h às 17h. O café e o museu possuem horários de abertura diferentes, que você pode conferir aqui.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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