#VideoSelfie: Balanço Rock in Rio 2015

É preciso confessar que esperávamos bem mais do Rock In Rio 2015, sendo esta edição do festival comemorativa de 30 anos. Era tanta coisa que idealizávamos que talvez certa frustração nem seja culpa do festival, mas sim nossa, que imaginamos de tudo – chegamos até mesmo a cogitar um holograma no Freddie Mercury durante a execução de Love of My Life, para você ter ideia do nível da pilha aqui, hahahaha.

Mas parte dessa expectativa também se deve ao fato de que estivemos presentes na edição de 2013, que foi cheia de boas surpresas em relação aos shows e estrutura – a qual incluisve foi muito bem avaliada para aquela edição. Porém, em 2015 já apresentou alguns pontos que poderiam ser melhorados, pelo menos em um fim de semana ou outro. No entanto, nada disso faz a experiência de estar nesse festival menos relevante, apesar de ser um pouco menos interessante… Não podemos dizer que tivemos momentos arrebatadores – se bem que, no segundo fim de semana a gente pode dizer que quase, viu?! – mas também não podemos nunca dizer que ficamos entediadas ou que se trata de um festival de estrutura chinfrin. Sabemos que isso não é verdade.

Em nossas impressões, o primeiro fim de semana foi aquele em que tivemos alguns percalços estruturais e shows dentro do esperado – o que você pode ler aqui, e também com falhas estruturais, como a falta de espaços, a escassez de banheiros, água gratuita, temperatura de água e bebidas. O transporte na volta via primeira classe e ainda o percurso feito via transporte público foram relativamente problemáticos, apesar de todo o esforço da organização,devido ao enorme fluxo de pessoas e à própria distância do local.

Já o segundo fim de semana foi aquele em que fizemos as pazes com o festival, em termos musicais e também estruturais. Tudo que ocorreu contribuiu para uma espécie de redenção em relação aos dias anteriores:

Música

Se no primeiro fim de semana tivemos um show menos empolgante de um dos prinicipais headliners, o Metallica – apesar de ter apresentações muito boas de Lenine, Homenagem à Cássia Eller, o tecnicamente perfeito Queen, o emblemático Ministry, a apresentação foda do Gojira e o furacão da rock street, Krow, o segundo fim de semana supera o primeiro facilmente, com ótimos protagnoistas.

Para quem gosta de som pesado, o dia 24 foi regular, porém, com destaque para o sempre esplêndido Queens of the Stone Age, os mineiros do Eminence na Rock Street, e o  System of a Down que fez um dos melhores concertos do festival, trazendo uma retrospectiva da carreria num show envolvente. Uma das grandes expectativas, o Lamb of God fez um show mais fraco, com set list que não chegou à metade da pressão que a banda faz junto à plateia nos festivais gringos.

Já o dia 25 foi um marco para o festival, pois a maioria das atrações correspondeu à expectivas e fez shows que serão lembradas, muito em função das ótimas apostas do Palco Sunset. O dia começou enchendo os olhos e ouvidos dos fãs de terror, com André Abujamra e cia tocando no Clássicos do Terror temas de filmes consagrados no estilo, enquanto ao fundo do palco rolavam trechos dos clássicos em uma programação muito competente, que exerceu magnetismo sobre nossos olhos. A participação de Constatine Maroulis, no entanto recebeu críticas do público mais atento. Porém, garantido que o show foi pura diversão, ainda mais com a execução do tema de Ghost Busters, E clássicos do Ozzy e Iron Maiden.

Em seguida, Moonspell deixou fãs emocionados. Muita gente, assim como eu, nunca havia visto a banda, apesar de a mesma já ter vindo ao Brasil. Um show irretocável, exceto pelo fato de que queríamos ouvir mais da própria banda. A participação de Derrick Green cumpriu com a proposta do Sunset, dos encontros inusitados. O Thrash metal do Sepultura e o som do Moonspell ( que já transitou pelo folk e black metal e tem obras belíssimas para além do gothic metal, rótulo mais fácil achado pela maioria, entretanto) tiveram um embate no palco, do qual surgiu uma execução competente, mas totalmente desnecessário. Contudo, foi muito curioso ouvir um português cantando Roots e Territory…Foi um espetáculo em que pode-se destacar a simpatia absoluta do vocalista Fernando Ribeiro, ótima performance da banda e a execução de clássicos como Opium, Vampiria, Alma Mater, Em nome do medo – mas a gente queria mesmo era ouvir o álbum Wolfheart, que comemorava 20 anos de existência, de cabo a rabo. Num deu, mas fica de aperitivo para os próximos shows que a banda fizer aqui no Brasil.

Nightwish, apesar de toda a polêmica da forma como Floor, frontwoman da banda, respondeu aos jornalistas e organização (e com razão de causa, algumas vezes, desculpem-me!), foi uma apresentação linda. Não diria brilhante, como merece toda a luz que emana dessa banda que toca sorrindo, pois o setlist ficou um pouco aquém, devido às imposições de tempo do Sunset. Apesar disso, a banda executou parte do setlist que já vinha sendo feito nos festivais e shows da turnê recente de forma muito competente, com a ajuda de um coro incessante. A plateia aqui também deu muito show nas músicas mais recentes, fez bonito em Last ride of the day, da qual também participou Tony kakko, e Ghost Love Score. Momentos super empolgantes vieram com Wishmaster e o clássico Stargazers. Uma coisa é mais do que certa, o palco Sunset ficou muito pequeno para a grandeza da banda, e da Floor, aquele mulherão de quase 2 metros de altura!

O fechamento do Sunset foi feito com tamanha sofisticação, com Steve Vai e a belíssima apresentação da Camerata de Florianópolis, que não existe outro conceito para definir esse concerto, senão beleza musical. A gente viu e se lambuzou ali. O setlist pode ter sido manjado, mas quem liga? Poderia ser o Steve Vai tocando até “na boquinha da garrafa” na guitarra que ainda sim os olhos brilhariam, hahaha! Imagine diante de The Crying Machine, Liberty e For the Love of God…

Outra unanimidade – e que por motivos de cansaço extremo nos escapou nos comentários do #VideoSelfie- o Mastodon fez um dos melhores shows que pude presenciar! Esse foi o terceiro e sem dúvida o melhor. A banda soava coerente e muito, muito segura. Não houve falhas técnicas, como aconteceu no Roskilde Festival, e uma plateia que cantava tudo, e ficou estarrecida com a grandiosidade da apresentação. O meu disco preferido, Once More Round the Sun foi bem contemplado no setlist, que também teve a presença de músicas do Leviathan, Blood Mountain e The Hunter. Talvez os grandes fãs da banda tenham sentido falta de algo do Remission e Crack the skye. Foi uma apresentação perfeita, em vários sentidos. Um espetáculo de som, cor e loucura ( todos os membros da banda têm certo ar de loucos, mesmo, hahah) que encheu o Palco Mundo.

De La Tierra saiu melhor do que encomenda. A banda da qual o brasileiro Andreas Kisser participa fez um show muito completo e cheio de energia, mexendo com o público. Certamente, quem não conhecia ou conhecia pouco da banda, como eu, ficou instigado a saber mais. Ótima pedida para praticar o espanhol, incluisve, hahaah!

Um dos concertos mais esperados da noite quase nos fez perder a fé, no Faith No More… apesar de todos os percalços, mesmo assim foi um show lindo. A presença de Mikke Patton, contudo, foi menos brilhante do que em apresentações vistas anteriormente. O vocalista estava bem chapadinho, a banda quase não fez a obrigação. Mikke se ferrou num tombo, ficou com dores o resto do show, mas mesmo assim, era impossível ignorar os hits que chagaram já de primeira, como From out of Nowhere, Caffeine, e depois Epic, Midlife Crisis, Ashes to Ashes e We Care a Lot. Trocaria fácil algumas músicas, como I Started a Joke e Easy por outras… no entando, não faço parte do conselho de setlists do Faith No More, então senta lá, né Cláudia? Agora, uma coisa que muito me impressionou foi a “implicância” de alguns presentes com o fato de uma banda de “rock pesado” tocar com palco todo branco, com flores, etc. Muita gente ate se dirigiu de forma preconceitusosa, chamando de forma pejorativa Patton e cia de macumbeiros. Pois olha, o show pode não ter sido um dos melhores, mas esse palco é uma das coisas mais lindas e sinceras que já vi dentro do estilo. Espero que melhorem musicalmente, mas mantenham esse estilo único no visual das próximas turnês.

E para fechar, Slipknot veio mostrar como fazer juz ao posto de headliner. Moveram multidões, tocaram os maiores sucessos, deixaram as pessoas enlouquecidas. Até eu que não sou fã fiquei contagiada pela energia da banda. Corey Taylor tem os paranauê de manejar mandas enlouquecidas, e potencializar a insanidade.

É preciso concordar, dia 25 foi muito Duka!

Não vimos os dias pop pessoalmente, mas também parece que Riri, Rihanna #[email protected] #[email protected] foi sucesso do início ao fim. Linda e diva, que ela volte sempre. Katy Perry também fez e aconteceu, cheia de simpatia e cores no palco. Ouvi relatos de que o A-ha arrancou muitas lágrimas nas pessoas… imagino, não é para menos!

Estrutura

No primeiro fim de semana muitos problemas foram experienciados com relação à estrutura básica: banheiros escassos para o volume grande de pessoas,faltando água e papel; Bebedouros com água quente, ou sem água; transporte público tumultuado e demorado, transporte primeira classe com tumulto na volta, espera de mais de 30 minutos para passar a catraca e entrar em um ônibus.

Já no segundo fim de semana parece que as coisas se ajustaram. Talvez pelo menor número de pessoas, os banheiros estavam bem razoáveis, com papel e água. Os bebedouros funcionaram, porém, a água continuava um pouco quente. Já o transporte público foi mais tranquilo, até por que algumas pessoas já estavam menos perdidas. E o transporte de primeira classe fluiu suavemente, na ida e na volta. Com relação ao transporte, entendemos que a organização se esforça de várias formas para proporcionar a maneira mais eficiente possível de se chegar à Cidade do Rock. O problema é que o local é longe mesmo, e a estrutura de transportes do Rio não está täo preparada para atender aquela região. Contudo, não sei se vocês repararam, mas há uma obra/estgação de transporte sendo construída ali bem pertinho do local, a poucos metros. Essa talvez seja uma novidade para o RIR 2017, assim esperamos!

Experiência

Sem muitas situações extremas, de emoção à flor da pele, epifanias e arrebatações musicais, concluímos que o Rock in Rio desse ano foi um festival que cumpriu bem seu papel de entretenimento, apenas e nada além. Falamos com orgulho que fomos, e esperamos fazer parte do próximos, pois ainda é um dos maiores festivais de rock/metal e estilos diversos do Brasil.

Então fechou #EuVou2017?

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