Fotos Priscila Brito

Um roteiro para a Suíça: a Riviera e além

Eu já repeti aqui, exaustivamente, a lindeza que é a Riviera suíça, a parte francesa do país dos alpes margeada pelo lago Léman. O que eu ainda não disse com todas as letras é que, além de linda, a região é um bom ponto de partida para fazer um roteiro simples e rápido por várias cidades da Suíça, sejam elas na Riveira ou não. As distâncias entre as cidades são curtas, às vezes curtíssimas, e o sistema ferroviário da Suíça, além de eficiente, interliga todas elas. Ou seja, o deslocamento é fácil e não te toma muito tempo. Em alguns casos, um bate-volta resolve, o que elimina a necessidade de ir atrás de hospedagem em mais de um lugar. Mais simples impossível.

A propósito, o roteiro que eu vou sugerir a seguir pode ter Montreux como cidade-base. De lá você vai para os outros quatro destinos e volta. Vevey também pode ser esta cidade base, porém você vai acabar tendo que ir até Montreux para seguir para as outras cidades sugeridas, o que não chega a ser um problema. Por ser menos badalada, Vevey pode ter hospedagem mais em conta e o trajeto de lá até Montreux dura míseros sete minutos de trem.

Super importante: ficando em Montreux ou Vevey, certifique-se de que você vai ficar hospedado em um hotel/hostel credenciado pela autoridade de turismo da Riviera. Estes estabelecimentos estão autorizados a presentear os turistas com o Riviera Card, um cartão que te dá descontos em atrações turísticas e gratuidade no transporte em alguns trechos. Falo mais sobre isso neste post aqui.

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Voilá:

Montreux
É aqui que a felicidade começa. É também aqui que pode ser a sua base, como disse acima, e onde você deve separar uma quantidade maior de dias. Montreux definitivamente não é grande (não chega a ter 30 mil habitantes. Pensa.), mas há muita coisinha para se ver: a feira de produtos típicos que acontece às quartas pela manhã na Praça do Mercado em área coberta, a estátua de Freddie Mercury e a exposição permanente sobre o Queen, o museu da cidade e a “velha” Montreux, que exige uma caminhada de fôlego morro acima, distanciando-se das margens do lago Léman. Claro, uma caminhada à margem do lago Léman também é indispensável, seja em Montreux ou em Vevey.

roteiro_suiça_montreux

Se você for na primeira quinzena de julho, quando usualmente é realizado o Festival de Jazz de Montreux, pode acrescentar as atrações do festival (a maior parte da programação é gratuita), mas vai notar que o tempo pode ficar bem apertado para turistar e festivalar.

Veytaux
Este vilarejo com menos de mil habitantes (praticamente uma roça no meio da Suíça, né?) clama por sua visita graças ao Castelo de Chillon, que é a atração turística mais visitada do país. Uma tarde aqui basta. Tem uma prainha às margens do castelo que pode te ajudar a refrescar caso sua visita ocorra no verão, que é realmente quente (no dia que visitei Chillon, em julho de 2014, os termômetros registraram 35º). Da estação de trem de Montreux à estação de Veytaux são cerca de cinco minutos. Quando você piscar, já vai estar lá.

roteiro_suiça_chillon

Vevey
Se você tiver pouco tempo disponível, um único dia basta para explorar a fofura de Vevey. Se tiver mais tempo, pode fazer os passeios com mais calma. Em todo caso, sua base continuará sendo Montreux, de onde você vai fazer um bate-volta (em um dia, dois, três, etc): Vevey fica só a sete minutos de trem partindo de Montreux.

Se puder, programe-se para estar lá numa terça ou sábado de manhã. Nestes dois dias, a Praça do Mercado recebe o mercado de produtos artesanais e alimentícios típicos da região. Há música regional tocada ao vivo para acompanhar as compras, além de vinho, muito vinho. Uma atração local é o Alimentarium, museu que trata da relação histórica e cultural do homem com os alimentos. A partir de 2016, haverá mais uma atração turística: o Chaplin Museum, dedicado à história de Charlie Chaplin, que viveu na cidade nos seus últimos 24 anos de vida.

roteiro_suiça_vevey

Estando lá em Vevey também dá para fazer uma visita ao Monte Pèlerin, de onde é possível ter uma vista da paisagem da região a 700 metros de altura. Basta pegar o funicular que parte da estação de trem da cidade. Se houver obras no trecho, como ocorreu quando estive lá, o funicular é substituído por um ônibus que parte da parada Vevey-Funiculaire, a alguns metros da estação de trem.

Gruyères
A regra do bate-volta partindo de Montreux continua valendo para conhecer a cidade que batizou o típico queijo. A diferença é que aqui é necessária uma programação prévia. Uma das formas de se chegar lá (a que eu utilizei) é embarcando no Train du Chocolat (sério, Trem do Chocolate), um passeio de um dia que te leva a Gruyères e a Broc (a cidade seguinte do roteiro e onde entra o chocolate dessa história). O trem sai de Montreux de manhã e te leva de volta pra lá no fim da tarde.

A reserva é feita pelo www.goldenpass.ch e me custou 99 francos em julho de 2014 (menos que os R$ 300 de agora, devido à desvalorização do real). É recomendável comprar o ticket com antecedência, pois o trajeto é feito em um trem todo cheio de fru-fru do século XIX com poucos assentos. A antecedência é mais importante ainda se a viagem for acontecer durante o outono e o inverno. Neste período, o quadro de horários do Train du Chocolat é reduzido devido à baixa temporada.

Em Gruyères, o ticket te dá direito a uma visita à fábrica de queijos, com direito a degustação. Um passeio pela cidadezinha também está incluído. É um vilarejo fofo, tão fofo, que parece cidade cenográfica.

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Broc
A visita a Broc é a segunda parte do trajeto do Train du Chocolat. Lá, o passeio é pela fábrica dos choclates Cailler, onde você vai degustar chocolates até pedir para parar. Em um outro post eu ainda vou contar em detalhes como é a visita, mas já adianto que há pelo menos 15 tipos de bombons e/ou barras à sua disposição e você pode comer quantos quiser. 😀

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Tanto Gruyères quanto Broc estão fora da região da Riviera, em áreas mais elevadas da Suíça. Ambas ficam, em média, a 800 metros acima do mar (Montreux está a cerca de 400 metros). Logo, o trajeto do trem em si já é um baita passeio, pois ao longo do caminho já é notável o aumento da altitude, com os alpes, a neblina e o clima frio cada vez mais próximos.

Chexbres
Chexbres faz parte da região vinícola de Lavaux e é patrimônio mundial da humanidade. Está a cerca de 40 minutos de trem partindo de Montreux. Chegando na cidade, há uma quantidade razoável de visitas guiadas a vinícolas, sítios geológicos e paisagens naturais que partem da estação de trem. Infelizmente, só descobri isso um dia antes de ir embora da Suíça. Um dia até que seria suficiente para dar uma voltinha por lá, mas o domingo que me sobrava já estava reservado para o Train du Chocolat. Para mais detalhes: www.lavaux-unesco.ch.

Por fim, uma sugestão (e que eu colocaria em prática caso fosse repetir esse roteiro) é adicionar Genebra antes ou depois desse combo de cidades, conforme for o mais conveniente. Genebra fica a uma hora de trem de Montreux (a cidade-base do roteiro acima), logo é fácil do ponto de vista logístico acrescentar dias antes ou depois para conhecê-la havendo tempo e orçamento disponíveis (o que não era o meu caso, por mais que eu tenha tentado incluir Genebra na minha viagem 🙁 ).

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

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