turismo musical em montreuxKevinWood via Shutterstock / Demais fotos: Priscila Brito

Turismo musical em Montreux: o festival é de jazz, mas o roteiro é rock

Montreux é uma daquelas surpresas boas da vida. Eu cresci ouvindo falar do mítico Festival de Montreux, mas nem assim a Suíça era um destino prioritário de viagem. Porém, tinha um buraco no meio do roteiro – entre o Roskilde, na Dinamarca, e o Resist to Exist, na Alemanha. Descobri que o Montreux Jazz Festival tinha atrações gratuitas. Acabei incluindo a cidade no roteiro. Que decisão feliz. Conheci um lugar que tem tudo a ver comigo: o clima, a organização e a ligação inescapável com a música. Não deu outra: minha experiência de turismo musical em Montreux foi das melhores.

O festival tem toda uma responsabilidade em cima disso, pois em meio século de existência semeou fatos e lugares que germinaram e se transformaram em grandes histórias. Grandes histórias do rock, a propósito. Assim como o festival, que leva jazz no nome mas não se restringe ao gênero, o turismo musical gerado por ele gira majoritariamente em torno do rock.

Cassino de Montreux, berço do clássico “Smoke on the Water”

“We all came out to Montreaux on the Lake Geneva shoreline to make records with a mobile”. Se você já prestou atenção na letra de “Smoke on the Water”, do Deep Purple, notou que Montreux é mencionada. A letra é uma narrativa do incêndio ocorrido no Cassino de Montreux em 1971. O festival acontecia lá naquela época e um fã alucicrazy acendeu um sinalizador durante o show do Frank Zappa, uma das atrações do festival naquele ano. A letra também cita Zappa e um certo Claude, nada menos que Claude Nobs, o criador do festival. Dá para ouvir na íntegra o áudio do show em questão. Lá para 1h21min Frank Zappa grita: “fire!”.

turismo musical em montreux

O festival mudou de lugar (para o centro de convenções da cidade), mas o cassino foi reformado e continua em funcionamento. Fica aberto o dia inteiro e você pode ir lá para arriscar a sorte com seus preciosos francos suíços ou apenas observar os velhinhos que passam o tempo por lá.

Queen Studio Experience – ainda dentro do Cassino

Continuando dentro do cassino, no segundo piso mais precisamente, fica a Queen Studio Experience, uma exposição permanente e gratuita sobre a história (adivinha) do Queen, com objetos pessoais e material multimídia. A mostra foi montada exatamente no lugar onde até meados dos anos 1990 funcionou o Mountain Studio. Ele foi de propriedade do Queen e lá a banda gravou muitos de seus álbuns e clássicos, dentre eles “Under Pressure”, com David Bowie – ele estava na cidade curtindo o festival, foi jantar com Claude Nobs e este o sugeriu que fosse fazer uma visita ao Queen, que gravava no estúdio. E desse jeito, sem querer, nasceu esse belo dueto.

Dentro do que antes era a cabine de gravação do estúdio, você pode brincar com a mesa de som e ter a experiência de ficar exatamente no mesmo lugar onde Freddie sempre se posicionava para gravar seus vocais.

turismo musical em montreux

Em algum momento de suas carreiras, Rolling Stones, Iggy Pop e outros também usaram o estúdio para gravar. Nessa playlist você pode conhecer um pouco dos hits que foram gravados lá. Nos anos 1990, o Mountain foi transferido para Attalens, também na Suíça.

Estátua de Freddie Mercury, um capítulo à parte

Se o Queen comprou um estúdio em Montreux, Freddie Mercury foi além e mudou-se para a cidade. Ele morou lá por mais de uma década e só saiu quando entrou no estágio terminal de sua doença. Tornou-se um filho querido da cidade. Nas lojas de souvenir, é fácil achar mini-estátuas do músico, todas em referência à estátua mor que saúda o Lago Léman próximo à praça do mercado. É um dos pontos turísticos inescapáveis da cidade – e também um desafio imenso conseguir fotografar sem photobombers.

turismo musical em montreux

Jardins do Fairmont Montreux Palace, enfim um espaço para o jazz

Finalmente o rock abre espaço para o jazz, na cidade em que este último deu origem a um dos mais longevos festivais que temos na atualidade. Bustos de Ella Fitzgerald, Ray Charles e Aretha Franklin povoam os jardins em frente ao luxoso hotel cinco estrelas Fairmont Montreux Palace, na avenida Claude Nobs. Carlos Santana e um avulso Vladimir Nabokov completam o grupo de notáveis. Os jardins são de trânsito livre e você vai passar por lá inúmeras vezes em sua visita a Montreux, pois este é um dos caminhos para o centro de convenções, onde acontece o festival.

turismo musical em montreux

InnaFelker via Shutterstock

Quem puder bancar uma noite no hotel, que tem lamborghinis estacionadas na porta (vi três de uma vez quando estive lá), pode levar a experiência musical um pouco além. Há suítes em homenagem a Freddie Mercury e Quincy Jones, além de um livro de visitas com autógrafos dos músicos ilustres que por lá se hospedaram.

Tudo é música em Montreux

turismo musical em montreux

Se o seu apetite por música não for saciado, apenas ande pela margem do Lago Léman na altura do centro de convenções. Preste atenção na paisagem: nos alpes, no lago azul. Depois, olhe para os canteiros da calçada. Você vai ver notas musicais guiando o seu caminho.

Gostou deste post? Temos muito mais pra você!

Receba nossas dicas, histórias e novidades de viagens para os melhores festivais de música do mundo.

Compartilhe este post

Foto de perfil de Priscila Brito

Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

No comments

Add yours

Deixe uma resposta