tegan and saraIana Domingos

Tegan and Sara falam de diversidade, o amor pelo Coachella e te dão dicas de viagem

Tegan and Sara são gente como a gente. Como eu, você e nós todos que frequentamos festivais, as gêmeas canadenses já tiveram que economizar dinheiro para conseguir comprar ingresso, adoram o Coachella e ficam acabadas no dia seguinte a um evento desse porte. Elas compartilharam essas histórias com o Festivalando horas antes de se apresentarem no primeiro dia de Lollapalooza Brasil, quando receberam a gente para um papo rápido.

A conversa, porém, começou mais séria, girando em torno da diversidade e representatividade, umas das bandeiras das artistas, que recentemente lançaram uma fundação de apoio a mulheres LGBTQ. Para ficar dentro da praia do Festivalando, falamos também sobre viagens e você vai ter o privilégio de receber dicas de viagem para o Canadá dadas por duas ilustres locais.

Vocês são duas mulheres em um festival, e quando se trata de mulheres em festival há uma clara falta de representação de mulheres nos lineups. Toda temporada de festival isso vem à tona novamente. Como vocês sentem que produtores, empresários e patrocinadores estão reagindo a essa questão?

Tegan: Na defensiva e fazendo nada? (irônica) Na verdade, acho que eles estão tentando. Às vezes, quando as pessoas questionam sobre diversidade, seja com relação a mulheres, raça ou sexualidade, há uma reação meio infeliz, uma reação automática do tipo “Oh”, na defensiva. Mas tem uma questão pior nisso tudo que é: quem nós estamos esquecendo? Quem nós não incluímos?

Acho que temos que passar a fazer uma coisa não só como uma indústria, mas como sociedade também, que é criar espaço para a diversidade, encorajando isso. Não é um problema que será resolvido em um ano e todos nós temos muito trabalho pra fazer, mas também acho que estamos tratando isso de uma forma mais explícita. Nós queremos mais diversidade nos festivais, os fãs querem isso. Se todos têm acesso a um só tipo de banda, isso não é legal para os fãs ou mesmo para os artistas. Os produtores estão atentos a isso.

Sara: Acho que também envolve riscos. É muito simples dizer: as coisas são assim e blá blá blá. Mas eu acho que vai chegar um ponto em que as pessoas vão se deparar com a diversidade e irão assumir o risco e contratar mais artistas de todos os tipos para garantir que o lineup tenha diversidade. Acho que está acontecendo, pouco a pouco, mas está acontecendo. Estaremos mortas quando tudo for de fato uma realidade, mas tudo bem.

Fora as questões de gênero, vocês acham que os festivais hoje carecem de algum outro tipo de diversidade?

Sara: É interessante porque pra nós os festivais pareciam ser o lugar onde tem todo tipo de gente, mas não acho que é bem assim. Há um certo privilégio de se estar em um festival. Você tem que ter condições de pagar pra estar ali, de se locomover até ali. Achamos que festivais são incríveis, mas preferimos fazer nossos próprios shows porque os ingressos custam menos e é uma oportunidade das pessoas estarem mais próximas de nós. Pra nós, na nossa carreira, o interessante é ter um equilíbrio entre shows pequenos e festivais grandes. precisamos desse equilíbrio

Obviamente, como artistas vocês já estiveram em vários festivais. E como público? Vocês também vão a festivais? Vocês curtem frequentar festivais?

Tegan: Eu adoro ir a festivais, é divertido. Moramos na Califórnia e vamos muito no Coachella. É um festival muito bem organizado. Mas, por outro lado, quando você vai ficando mais velha, começa a ficar mais difícil passar horas e horas em pé…. Recentemente fomos em um festival em Las Vegas e foi meio estranho. Dançamos, fomos pra casa e no dia seguinte parecia que eu tinha 100 anos, estava tão cansada! Mas acho que os festivais oferecem uma experiência muito legal, uma ótima experiência cultural, com tanta gente diferente.

tegan and sara

Quais as melhores memórias que vocês têm dos festivais que frequentaram?

Sara: Provavelmente da época em que éramos adolescentes, íamos com os nossos amigos e tínhamos que economizar dinheiro. A gente não ligava pras bandas, não importava quem estava tocando. A gente assistia todas e ficava super feliz do mesmo jeito. O importante era poder sentir que a gente estava crescendo, fazer uma social, estar com nossos amigos. Definitivamente, as minhas experiências mais felizes são de quando eu era adolescente.

No Festivalando, nós damos dicas de viagem para as pessoas que querem conhecer festivais e países no exterior. Quais dicas vocês dariam para quem quer visitar o Canadá?

Tegan: O Canadá é imenso. A não ser que você tenha muito tempo para viajar, o ideal é escolher uma parte do país para conhecer. Eu já morei na costa oeste e amo essa parte do país. Acho Vancouver linda, e se você quiser conhecer a região recomendo ir no verão, do contrário vai estar chovendo. Nós crescemos em Calgary, uma região com estações de esqui. Neste caso, traga uma variedade de roupas, pode estar frio, a temperatura muda muito. Ou se puder, tire um mês, pegue um trem e viaje por todo o país e veja tudo. O país é realmente lindo.

Vocês já estiveram em muitos lugares no mundo. Quais os lugares mais fantásticos para os quais já viajaram até agora?

Sara: É tão difícil dizer, porque temos tanta sorte de poder ir a tantos lugares. Neste momento estamos muito felizes de poder vir para o Hemisfério Sul, como agora, que estamos na América do Sul. Também estivemos no México, no sudeste asiático. Foi maravilhoso estar em Hong Kong e Taiwan. Me sinto muito privilegiada por poder ir a tantos lugares.

Mais Tegan and Sara

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Iana Domingos

Queria ter pedido para as meninas dicas de festivais no Canadá, mas logo a assessoria delas me informou que o tempo da entrevista tinha terminado 🙁 Mas se você quer mais Tegan and Sara, leia a resenha do show das irmãs no Lolla.

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

2 comments

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  1. Chris Santos 6 abril, 2017 at 19:46 Responder

    Aaaa, que pena que vocês não tiveram mais tempo pra bater um papo com elas. São gurias super divertidas e empáticas! Amei saber quais são as dicas que elas tiveram pra visitar Vancouver, morro de vontade de ir pra lá (não só por causa delas, mas boa parte do motivo sim hahah)! O show delas foi maravilhoso e eu estava esperando por isso há séeeculos. Espero que elas venham muito mais vezes aqui!

    • Priscila Brito 6 abril, 2017 at 21:33 Responder

      Elas são umas fofas! Eu fui a última a entrevista-las, depois de elas falarem com uns cinco sites e atenderem fãs no Meet and Greet. E elas continuavam sorridentes e simpáticas, respondendo tudo com o maior entusiasmo!

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