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Sunset Strip, Los Angeles: se você teme a morte do rock, não vá lá

Eu tenho preguiça da discussão em torno da ~morte~ do rock. Basicamente, porque não me importa se ele morreu ou não, se está em voga ou não, se falta inspiração ou não. Nada, absolutamente nada é linear, estático e imutável e a gente tem que aprender a aceitar que em algum momento as coisas vão deixar de ser como eram antes. Desapegar e seguir vivendo com o que vier. Nostalgia deixa tudo mais difícil. Mas foi impossível eu não pensar nessa questão enquanto eu caminhava por todos os três quilômetros da Sunset Strip, em Los Angeles.

Assim é conhecido um trecho mítico da Sunset Boulevard, entre a Havenhurst Drive e a Doheny Drive, em West Hollywood. Nessa pequena faixa, concentram-se bares, casas noturnas e histórias da cena rock dos anos 1960, 1970 e 1980.

Doors, Led Zeppelin, John Lennon, Lemmy, Guns, Mötley Crue e Poison são alguns dos grandes personagens. Alguns deles viram suas carreiras nascerem ali, outros fizeram performances históricas em um dos famosos night clubs, outros simplesmente exerceram da maneira mais plena possível a função de rocks stars, com excessos, bebedeiras e orgias.

E por que meu passeio pela Sunset Strip me fez pensar na morte do rock?

Uma moradora de Los Angeles com quem tive contato enquanto estava lá trabalhando me disse: se você tem um blog de viagens e música, você tem que ir lá. É um dos templos da música na cidade! Aproveitei e vi uns dias antes do passeio esse documentário sobre o local. Ele recupera detalhes das histórias do rock pinceladas acima. Rock stars, arruaças, loucura sem fim. Rock n’ roll extravaganza. Isso é passado.

A Sunset Strip de hoje não lembra absolutamente nada do que ela foi um dia.

Gerry Boughan via Shutterstock

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Zumbis, reencarnações e carcaças

O Whisky A Go Go, uma das casas mais icônicas do passado e que acabou virando nome de música do Roupa Nova, costumava receber shows antológicos de Doors e Led Zeppelin. No dia que passei lá, pessoas faziam fila para ver um tributo ao Doors. Em outras palavras, uma banda cover ia tocar. Meio walking dead.

O Roxy do disco “Roxy & Elsewhere”, do Frank Zappa, é nada mais nada menos que o Roxy Theater, outra casa noturna histórica onde o disco foi gravado. Lá também foram gravadas cenas do filme “Rock n’ Roll High School“, dos Ramones. Também aparece em uma cena do clipe de “Estranged“, do Guns n’ Roses. Hoje, a casa é de propriedade da Goldenvoice, empresa por trás do Coachella (o que diz muito sobre o momento atual da indústria da música). A casa renasceu reencarnada em uma alma híbrida. O Future Islands tinha acabado de tocar nos dias em que estive lá; Buzzcocks e Steel Panther entrariam na programação semanas depois.

Alex Millauer via Shutterstock

Famoso refúgio de estrelas do rock, o hotel Chateau Marmont um dia viu o Led Zeppelin entrar no lobby dirigindo Harley Davidsons e abrigou John Frusciante no auge do seu vício degradante em drogas. Na tarde de sábado que passei lá, recebia adolescentes que comemoravam a formatura do High School. Pareciam saídos de uma cena de “Bling Ring”.

Uns quarteirões antes do hotel, há uma tal de Sunset Plaza, um trecho cheio de lojas, salões e restaurantes chiquezinhos, bem arrumadinhos com casais apaixonados e famílias comportadas – longe dos episódios de arruaça que se ouve nos relatos do passado.

Rock n’ roll is dead, Long live rock n’ roll

Quem acredita na morte do rock e sofre com ela vai se desesperar ao visitar a Sunset Strip. Nada do que ela foi em seu sagrado passado está mais lá, nem na forma de um memorial. Só nas narrativas de quem viveu aquilo tudo. Quer dizer, algo restou, sim, para quem prefere olhar a Sunset Strip com os olhos do passdo. É um misto de zumbi, como o Whisky a Go Go, reencarnação, como o Roxy, e carcaça, como a Tower Records – famosa loja de discos que foi fechada em 2016, mas cuja estrutura e placa continuam no mesmo lugar.

Já quem tem coragem de aceitar que as coisas mudam, que seguem novas direções, nem boas nem ruins, apenas diferentes, vai encontrar mais um boulevard dentre os muitos que cortam Los Angeles. Com umas boas histórias das antigas, sim. Mas numa outra sintonia, num outro tempo que já não tem mais a ver com aqueles anos dourados.

Qual dos dois caminhos escolher é uma questão pessoal, mas para ambos o roteiro é o mesmo, neste mapa aí:

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

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