shows do lollapalooza brasil 2017Camila Cara/M Rossi

O que ficou de marcante (de alguns) dos shows do Lollapalooza Brasil 2017

Gente, gente e mais gente. Isso foi o que mais marcou o Lollapalooza Brasil 2017, que teve recorde de público absoluto: 190 mil pessoas no total, sendo 100 mil no primeiro dia e 90 mil no segundo. Essa multidão gerou efeitos não desejados inéditos, dos quais já falei mais detalhadamente, mas também gerou cenas bonitas de palcos lotados curtindo bons shows (ou o que dava tempo de curtir, descontados os tempos de deslocamento, as filas e os conflitos de horário). Essa imagem do mar de gente foi a impressão geral que mais me marcou nos exatos dez shows que consegui ver neste Lollapalooza Brasil 2017, mas, naturalmente, cada um deles me marcou por razões particulares também.

Os experientes

shows do lollapalooza brasil 2017

Iana Domingos

Quando o Metallica foi confirmado teve aquela celeuma, muita gente com aquele “noooossa”. Chega o dia do show e mal tem espaço para assistir. Fora a multidão que arrastou pro festival, a banda reverteu a seu favor as críticas quanto à sua assiduidade no Brasil. Com disco novo, o Metallica conseguiu apresentar um set renovado, sem soar mais do mesmo, ainda que os clássicos tenham tido o espaço devido (uma exceção foi Ride The Lightening, que fez muita falta).

shows do lollapalooza brasil 2017

Iana Domingos

Muito diferente do que fez o Strokes. O show foi um “especial ‘Is This It'”, com um ou outro single dos álbuns subsequentes. É claro que fã nenhum reclamaria da sequência de abertura com “Modern Age” e “Soma”, por exemplo, nem de ter a oportunidade de ouvir ao vivo aquelas faixas que foram um dos últimos grandes espasmos do rock. É um ritual necessário. Mas é incômodo ver como os Strokes, que quase não têm excursionado mais, se conformaram em ser uma banda revival com tão pouco tempo de história, sem sequer tentar valorizar o restante de sua discografia. Alguém vai socorrer esses meninos porque eles estão presos em 2001 e não conseguem sair de lá! (ou não querem ou desistiram)

shows do lollapalooza brasil 2017

Breno Galtier/M Rossi

O Duran Duran teve mais traquejo e não transformou o revival em uma armadilha preguiçosa. Foi um show ancorado em hits, naturalmente, mas com uma postura bem menos blasé e muito mais energética – a começar pelo figurino color blocking de todos os integrantes, com tons berrantes cuidadosamente escolhidos para cada um deles, inclusive para as duas backing vocals maravilhosas que acompanham a banda. Foi uma pena somente que o show tenha sido durante o dia, perdendo muito da sua potência visual, e que o áudio não tenha sido dos melhores tecnicamente falando.

shows do lollapalooza brasil 2017

Iana Domingos

Quem também conduziu bem o clima de revival foi o Rancid. Inédita no Brasil em seus mais de 20 anos de carreira, a banda em si já foi um ineditismo para o próprio Lolla, ao trazer um elemento mais agressivo e nervoso (no bom sentido) para o festival, normalmente mais povoado por bandas fofinhas e “boazinhas”. As rodas de mosh que se abriram na frente do palco, levantando poeira como talvez nunca antes no festival, e o som curto e grosso foram um tempero de diversidade interessante para o Lolla – a propósito, muito mais incisivo que os camisas-preta do Metallica, há tempos bem digeridos pelo mainstream a despeito da sua origem thrash metal, diferentemente do ska punk do Rancid. As homenagens ao Metallica (“Last One to Die”) e a Lemmy (“Ruby Soho”) foram o arremate final dessa diversidade, ao conciliar punks, headbangers e o escambau.

Os prodígios

Mas Lollapalooza não é Lollapalooza se não houver frescor musical e por isso mesmo não foi só de passado que viveu essa edição. Na condição de headliners, The XX e Weeknd, na ~crista da onda~, fizeram shows pra se guardar pra sempre no <3.

shows do lollapalooza brasil 2017

Camila Cara/M Rossi

O trio britânico atingiu a química perfeita de um show, quando banda e público têm uma experiência tocante mutuamente. Foi uma apresentação contemplativa, quase etérea, mais até para sentir que para ouvir. Emoção pura que a banda soube reconhecer no público e absorver de volta. Isso ficou bem claro no momento em que Romy e Oliver agradeceram ao público no fim do show, visivelmente sensibilizados. Nosso starboy Weeknd, por sua vez, estava claramente solto e feliz no palco, se divertindo com a experiência, com um show que já estava ganho desde o início, pois se trata de um dos grandes hitmakers de agora.

shows do lollapalooza brasil 2017

Camila Cara/ M Rossi

Os performáticos

Quem também se mostrou claramente feliz no palco foi , que por aqui virou Møzão (Brasil melhor país). Performática, espontânea, interativa, intensa. Presença de palco de sobra somada a um repertório que por si só já seria suficiente para segurar o público por muito mais que uma hora, em uma das apresentações mais lotadas que um palco dito alternativo do Lolla já viu.

shows do lollapalooza brasil 2017

Iana Domingos

shows do lollapalooza brasil 2017

Iana Domingos

Matt Schultz, à frente do Cage The Elephant, foi outro que fez lembrar como uma boa performance abocanha o público com facilidade. Elétrico, se acabando e se entregando como faz aparentemente em todo show (Lollla 2014, quem se lembra?), ele conduziu a banda em um showzaço que fez o público lotar praticamente toda extensão do palco Skol. Isso em plena tarde, período do dia em que normalmente o público está mais disperso ou ainda chegando ao festival. Praticamente, a banda tocou para um público que headliners de edições anteriores encararam.

Os promissores

Foi bom também ver como foram bem recebidas as letrinhas menores do lineup, como as gêmeas Tegan and Sara e os ingleses do Catfish and the Bottlemen (que terminaram o show uns dez minutos antes do previsto, deixando a gente com mais vontade ainda de ver mais da banda). Ainda estão despontando para o grande público por aqui, mas já têm uma base de fãs bem formada, o que ajudou a dar mais calor para os shows, com repertórios bons de antemão.

shows do lollapalooza brasil 2017

Iana Domingos

shows do lollapalooza brasil 2017

M Rossi

Quisera eu continuar essas linhas com observações dos shows de Tove Lo, Chiansmokers, Two Door Cinema Club, Flume, Silversun Pickups, Vance Joy e outros. Mas a crise é brava e não me deixa ter dinheiro para fazer um clone de mim mesma para estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se você viu, conta pra mim como foi, o que você achou e o que mais te marcou nos shows do Lolla 2017 😉

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

10 comments

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  1. Renan 27 março, 2017 at 13:18 Responder

    Todos esses shows que você mencionou eu vi no Multishow. Tegan and Sara e The XX fram os que mais me chamaram a atenção, além das outras bandas veteranas. Destaque também para show do Jimmy Eat World que foi muito bom, lembrou bastante minha época de adolescente do início dos anos 2000. Só achei que o Duran Duran merecia um show maior. Aliás, vai ter Duran Duran em BH.

    • Priscila Brito 27 março, 2017 at 19:42 Responder

      Queria ter visto o Jimmy Eat World, mas quando terminou o Catfish continuei no Ônix pra ver o Duran Duran de pertinho. Achei o show uma delícia, pena que não foi de noite. Ia ter sido lindo. Dá vontade de ver o show outra vez! O Flesch disse que Save a Prayer tava prevista pra fechar o show, mas acabou não rolando.

  2. Rosana 27 março, 2017 at 14:31 Responder

    Amei os shows que consegui ver. Strokes banda do coração eu amei o show. Metálica também muito bom como sempre. Duram Duram foi uma emoção cheguei a chorar pois estive no show deles a muitos anos atrás. E gostei muito das bandas que eu nunca tinha ouvido falar, gostei de ver que a juventude de hoje tem boas bandas pra gostar. The XX e Catfish foram incríveis. Gostei muito da Glass Animal. Só vou comentar do Rock porque música eletrônica não é minha praia. Mas quanto a bandas foram shows incríveis.

    • Priscila Brito 27 março, 2017 at 19:47 Responder

      É sempre bom descobrir sons novos, né, Rosana? E com aquele show que o The XX fez, impossível não cair de amores, já conhecendo a banda ou não. Perdi o Glass Animals porque estava ocupada na hora, fica pra uma próxima.

  3. Fernando 28 março, 2017 at 06:32 Responder

    Os shows que tive chance de acompanhar foram Suricato, Glass Animals, Criolo, Tove Lo e Metallica. Sem dúvida o sábado foi marcante pra mim pelo Criolo e Tove Lo, principalmente por ter conhecia pessoas, compartilhando momentos e vibrações. No domingo acompanhei Céu que me surpreendeu pela qualidade pois não conhecia e Catfish and the Bottlemen sem dúvida a banda inglesa me surpreendeu, após isso tive meu sonho de ter um banho de eletrônica que sempre sentia falta nas baladas do meu interior do Ceará tão saturado de apenas mais do mesmo (pop/funk). Foi aí que acompanhei Borgore que fez um show incrível e que tive a chance de ficar pertinho, entrei numa nova modalidade que nunca achei que faria parte que é a dos levantadores de minas e sem dúvida foi uma experiência divertida e muito legal pois sendo um altão sempre tive pena das baixinhas que não podiam ver o show direito. Em seguida na minha opinião o show que considero o melhor pela qualidade ao vivo: Two Door Cinema Club, aproveitei o espaço de tempo sem banda pra chegar na grade e sem dúvida valeu muito. Eu diria que a banda chega a ser melhor ao vivo que no CD e isso foi algo que me surpreendeu positivamente Show maravilhoso e o melhor show ao meu ver. Em seguida pra encerrar com chave de ouro tive a chance de ver eletrônica de verdade num verdadeiro clima de festival onde sem dúvida o Perry vai me deixar saudades. Aquele palco tem uma energia que não vi em nenhum outro. Sem dúvida esse Lollapalloza marcou minha vida. Nunca tinha ido a um festival e me deu a impressão de ter saído de um sonho. Foi algo maravilhoso e que sem dúvida recomendo pra todo mundo a experiência uma vez na vida.

    • Priscila Brito 28 março, 2017 at 22:21 Responder

      Que bom que você saiu com boas memórias do Lolla, Fernando! O Catfish surpreendeu positivamente muita gente, tô achando legal isso. Eletrônica é um negócio que mais cedo ou mais tarde pega a gente de jeito, não tem como. Ah, eu acho os levantadores de mina grandes heróis. Parabéns por fazer parte da classe! hehehe

  4. Gisele 28 março, 2017 at 10:11 Responder

    Das atrações que eu vi: Cage the Elephant fui assistir pra acompanhar meu amigo que é fã e gostei; Tegan e Sara foi a vez do meu amigo me acompanhar e, assim com eu, ele gostou; Rancid vi só um pedacinho, assim como Metallica, mas foi o suficiente pra bater a nostalgia de adolescente. Pra mim a surpresa foi G-Eazy, eu e meu amigo acabamos batendo um papo com uns caras que estavam lá à trabalho pelo G-Eazy, devido ao bate-papo resolvemos ficar pra ver qual é, já que pra nós ele era um completo desconhecido, acabou que adoramos o show dele, tinha pouca gente pro show (o público estava no Metallica ou no The Chainsmokers), mas acho que isso foi um mero detalhe, o cara fez um show pra cima, ele parecia estar meio que encantado em estar no Brasil.

    Obs: segundo os caras om quem batemos papo, vai sair um documentário do G-Eazy pelo netflix, provavelmente teremos imagens do Lolla Brasil no documentário.

    • Priscila Brito 28 março, 2017 at 22:39 Responder

      Ei, Gisele! Legal essa informação que te passaram sobre o documentário. G-Eazy foi um show que eu fiquei curiosa pra ver depois que preparei uma playlist pro Festivalando e conheci o som dele. Mas, enfim, acabei ficando com o Metallica mesmo.

  5. Chris Santos 6 abril, 2017 at 20:46 Responder

    Fiquei no palco Axe o festival quase todo só pra garantir meu lugarzinho na frente do show da Tegan and Sara e foi maravilhoso poder conhecer Jaloo, que é um artista brasileiro que levantou a galera com um repertório incrível e super alto astral, BaianaSystem tem um som que até então eu não conhecia e fez a galera toda dançar e pular com o tamborzão e as guitarras super sincronizadas, Bob Moses deu pra relaxar e finalmente as gêmeas chegaram e marcaram não só o festival, mas como a minha vida mesmo. Foram quase oito anos de espera e valeu a pena cada segundo, elas cantaram, dançaram, falaram em português e foram super amorosas com a gente. Tô muito feliz e já as quero de volta!

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