Ph: Roskilde Festgival archieve.

Sexo, drogas e rock’n’roll nos festivais – tabu?

Lembro-me de quando eu comcei a navegar pela internet, procurando assuntos relacionados ao metal e rock, e dei de cara com um grupo do MSN chamado “Sexo, drogas e rock’n’roll”, gerenciado pelo Thunderstruckzzz, Daniel Bernardo, que depois virou meu brother virtual. Talvez,até mesmo alguns de vocês tenham trocado uma ideia com uma barraqueira chamada @abissal por lá, hahaha. Pois bem, o fato é que eu fazia parte desse grupo, mas cagava de medo de o meu pai ver que eu fazia parte dele. Sabe quando o computador da casa fica na sala, e o pai fica vigiando as paradas? haha, pois é. Tamanho é o tabu a respeito desse assunto, que paira esse medo entre adolescentes, jovens e alguns pais na hora de falar sobre. Na verdade, a nossa sociedade meio que tapa os olhos e esconde a poeira debaixo do tapete.

E aí, quando eu e a Pri resolvemos entrar nessa vida de rodar os festivais, uma super interrogação ficou na cabeça de alguns familiares e conhecidos: “mas, esse negócio de festival é meio que sexo, drogas e rock ‘n’ roll o tempo todo, não?” – Pronto, foi postulado um tabu!  A gente responde que não, claro. Afinal, os festivais de música oferecem tantas atrações e atividades, além da própria música, que não é possível dedicar-se apenas a essa cerimônia de um dos slogans pseudo-rebeldes mais proferidos. Mas, também não deixa de ser. Por isso, é preciso se despir de alguns moralismos para continuar aqui nesse post, ou mesmo ouvir o nosso podcast. O que a gente quer dizer, antes de tudo, é que não defendemos uma obrigação de que as pessoas façam sexo, usem drogas e façam loucuras em um festival, bem como os festivais não obrigam ninguém a fazer nada disso. Entretanto, são coisas que acontecem o tempo todo à nossa volta. O tempo todo. Com ou sem festival. Por isso, não adianta fingir que não existe.

A princípio, os festivais parecem ser um lugar mais do que propício para que o slogan – que já é quase bem clichê, saia do mundo das ideias e venha para o mundo da prática. E será que é mesmo? Sim. É. Você está longe de casa, longe da comunidade que te cerceia, longe de regras mais ortodoxas, em geral. Dessa forma, sente-se mais livre, leve e solt@. Mas, não está isento de todas as regras. Os festivais, inclusive, possuem regras próprias.E, por exemplo, costumam obedecer à mesma legislação sobre drogas adotada pelo país sede, bem como as legislações sobre os crimes, em geral. Os guias e F.A.Q de cada festival geralmente esclarecem sobre isso. Portanto, a área do festival não é a terra da liberdade total, por mais que pareça.

Roskilde Festival. Ph: Jens Dige/ROCKPHOTO

Roskilde Festival. Ph: Jens Dige/ROCKPHOTO

Com regras explicítas, ou não, acerca desse assunto, o que muda é a forma como a cultura de cada país influencia o modo como os festivais vão lidar com essas questões ao receber seus visitantes. Seja com relação ao sexo, ou às drogas, parece haver uma dicotomia entre os que silenciam as questões, ignorando que todo mundo vai continuar a fazer de tudo um pouco, mesmo com as proibições, ou então os que falam, conscientizam e dão suporte.

O que vimos na Europa foi uma preparação e mentalidade diferente para ligar com essa questão. Na maioria dos festivais, houve a distribuição de camisinhas, por exemplo, e até mesmo explanações sobre DST’s. Apesar dos dias de calor intenso, das barracas apertadas e das condições não tão ideais de higiene, os organizadores sabem que as pessoas não deixarão de fazer sexo. O que é normal e saudável. Mas não quer dizer, também, que se você for a um festival e não fizer sexo lá dentro você será considerado um alienígena. Não mesmo, acredite.

Já com relação às drogas, muitos festivaias europeus, principalmente os ingleses, notaram que proibir não adianta. Alguns deles passaram a ter uma nova estratégia, inclusive, de manter equipes médicas especializadas em reações causadas pelas drogas para dar assistência àqueles que usarem e que sofram algum efeito não esperado. Existe festival até mesmo com atendimento psicológico para os festivalgoers que usarem alucinógenos.

A exemplo disso, surgiu uma organização americana chamada DanceSafe, com foco principalmente nos festivais da comunidade eletrônica. A DanceSafe atua com o conceito de redução de danos. A ideia é levar informação honesta, empoderar os jovens para que façam escolhas embasadas com relação ao uso de tóxicos, cientes das consequências e, também, serem o ponto de referência dentro dos festivais em casos de emergências, como overdoses e outras questões decorrentes do uso de drogas. Como eles mesmos dizem, a ideia é prestar o primeiro atendimento sem julgamentos, e também amparar e oferecer serviços médicos caso a situação tenha atingido níveis não desejados. Ou seja, a tendência é não fechar os olhos para as questões relacioandas ao sexo e às drogas, e garantir o cuidado e preservação da vida dos festivalgoers.

Se o sexo e as drogas vão mesmo existir em qualquer festival, onde fica o rock ‘n’roll em toda essa história? Isso e outras cositas que não estão nesse post a gente te fala aqui no podcast. Vem ouvir 😉

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

2 comments

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    • Gracielle Fonseca 3 março, 2016 at 14:45 Responder

      Ei, Rodrigo! Sim, isso é verdade… outra mentalidade para muitas coisas. A gente vive em uma cultura meio estranha, mesmo. Mais hipócrita, talvez =(

      E o artigo sobre a redução de danos está muito massa! Curti! Principalmente a dica dos apps!

      bjão!

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