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Cinco impressões sobre os sets do EDC Brasil: Skrillex e os outros

Foi uma maratona ir do neonGARDEN até o bassPOD no Electric Daisy Carnival Brasil (aproximadamente uns 20 minutos de caminhada com subidas e descidas). O KineticField foi uma experiência à parte, e de certo modo hipnotizante, graças àqueles olhos misteriosos da coruja que insistiam em lançar um olhar de meter medo na gente. Nesse vai e vem deu pra ver Steve Aoki fazer um set consistente em meio a uma pancada de chuva daquelas; as irmãs Nervo e Martin Garrix fazerem o arroz com feijão da EDM atual (que agradou quem estava lá). Deu pra ver o bassPOD se mostrar um palco super instigante, apesar de meio ~marginalizado~ espacialmente falando. Algumas impressões, porém, ficaram mais firmes na memória depois de duas tardes + noites + madrugadas e muitas caminhadas:

Veja como foi o Electric Daisy Carnival Brasil

No fim do post você encontra o link pra download de vários sets do EDC Brasil 😉

Skrillex causou. Fim.

Ele poderia ter se contentado em só usar a camisa do Corinthians. Ou em só enfiar sertanejo no set. Ou em só enfiar funk no set. Mas ele é Skrillex, e causar pouco é bobagem. Ele causa muito e fez tudo isso num só set: trajando a camisa do campeão brasileiro de 2015, Skrillex abriu o set com nada menos que “Rap das Armas” (um clássico. Aceite), originalmente do duo MC Júnior e Leonardo, e mais pra frente diluiu “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”, da dupla João Lucas & Marcelo, e “Bololo Hahaha”, de MC Bin Laden, num set que também teve Jack Ü (seu projeto com Diplo), Rihanna, Daft Punk, Stromae e outros. Foi um antídoto pra mesmice que pairou por alguns momentos no Kinetic Field, o palco principal, com tantos cacoetes da EDM repetidos à exaustão.

Skrillex se destaca com muita facilidade do resto e nunca passa batido. Gera burburinho em meio aos adoradores e aos haters. Em Interlagos, ele foi capaz de sair da bolha segura dos sets repetitivos e arriscou abrir um diálogo direto com o público para quem ele se apresentava naquele momento. Houve quem gostou e cantou o Rap das Armas. Houve quem não gostou e isso é completamente ok. Ninguém tem que ovacionar o Skrillex. Mas houve quem achou que ele (e absolutamente ninguém) jamais deveria inserir funk em um set de eletrônica. Neste caso: 1) só lamento pelo sua capacidade limitadíssima de entender o que é o funk (uma música que também tem fundamentos eletrônicos) e a música eletrônica (se Aoki coloca aquela música baranga do Titanic no set porque sertanejo e funk não valem, hein?); 2) o choro é livre.

Você pode conferir o set inteiro aqui.

O bassPOD foi subestimado pelo público

Não sei se era a distância ou se era o tipo de música que tocava por lá. Mas o fato é que o palco mais afastado de todo o festival, destinado ao trap, bass, dubstep e outros vertentes mais graves e pesadas da música eletrônica atraiu pouca gente. Quem não foi perdeu apresentações instigantes e com uma energia mais agressiva, como a do Tropkillaz, um dos projetos mais interessantes que se tem hoje no Brasil (e que está indo muito longe, pra além das nossas fronteiras).

As irmãs Krewella fizeram um rock ‘n’ rave

Teve White Stripes, teve Nirvana, teve System of a Down. As irmãs prometeram um show no formato rock ‘n’ rave e cumpriram. Não só pela presença de tanto rock no set, mas também pela performance, com as moças se movimentando pelo palco e se comunicando mais que o usual.

O neonGarden cresceu com o Vintage Culture

O Vintage Culture fez um belo set no neonGARDEN. Foi bem diversificado, envolvente e expôs a grandiosidade que todo o aparato visual desse palco pode ganhar, apesar da estrela maior da estrutura ser o KineticField. Foi um show bom de se ouvir e bonito de se ver.

Heads Will Roll já deu

Desapeguem de Heads Will Roll, DJs. Adoro a música, amo o Yeah Yeah Yeahs e todo o ar de diva futurista da Karen O, mas talvez não seja tão legal assim ouvi-la um set sim, um set não. Manjado, né? Dá para substituir Heads Will Roll por inhame, por exemplo (salve, Bela Gil). Mas se você prefere música mesmo, dá para substituir por músicas mais frescas, como fez o Tiësto, que soltou uma versão nova em folha para a também novíssima “Hello”, da Adele.

Conta pra gente os seus momentos memoráveis do EDC Brasil 😉 E não deixa de dar uma lida num super relato de como foi o Electric Daisy Carnival Brasil!

Já tá morrendo de saudade? Abaixo você encontra os links pra download de alguns sets do EDC compartilhados pela fan page Skrillex M1L GR4U.

Deorro
Excision
GTA
KSHMR
Skrillex
Slander
Steve Aoki
Yellow Claw
Zomboy

O Festivalando é embaixador do Electric Daisy Carnival Brasil. Veja todas as informações sobre o festival aqui

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

7 comments

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  1. Rodrigo Airaf 7 dezembro, 2015 at 19:04 Responder

    O BassPod foi uma VERGONHA. A produção não colocou EasyFloor lá, a pista ficou vazia porque ninguém conseguia dançar. Ficou todo mundo aglomerado nas periferias e na área dos banheiros que tinha concreto. Com isso, Zomboy foi um show depressivo. Você via as pessoas tentando se soltar e não conseguiam. Uma bela de uma desgraça. Tivesse um EasyFloor ali, seria uma experiência completamente incrível, como Zomboy e todos os outros do Sábado mereciam. Erro trivial.

    Mas os shows foram todos lindos né.

    Os shows do primeiro dia eram só uma porta de entrada para drogas mais pesadas chamadas ABOVE AND BEYOND.

    • Priscila Brito 7 dezembro, 2015 at 20:31 Responder

      O bassPOD foi marginalizado em muitos sentidos! Ficou láááá no cantão, longe pra caramba e sem a proteção pro piso que os outros dois palcos tiveram. Uma pena. Pelo menos a escalação do palco era muito boa.

  2. Anderson Cabral 8 dezembro, 2015 at 23:21 Responder

    O BassPOD realmente foi foda… Fui lá duas vezes, por Kill The Noize e pelo Excision. E fiquei realmente triste com a situação do chão! Andar era uma tarefa e tanto, imagine dançar naquilo.

    Mas o que realmente me impressionou foi o show do Excision, realmente um show… Quando tocou Deviance pulei o barro e só me lembro de estar todo arrepiado quando ele virou para outra track. Muito obrigado por disponibilizar o download daquela obra prima!

    • Priscila Brito 9 dezembro, 2015 at 02:22 Responder

      Oi, Anderson! O bassPOD foi uma prova de fogo depois da chuva. Antes mesmo de chegar lá, um pouco depois daquele estande da Smirnoff, o trajeto já estava bem escorregadio. Que bom que gostou do download, agradeça também ao pessoal da página do Skrillex, que deu o compartilhamento inicial 🙂

  3. Lucas 5 janeiro, 2016 at 12:24 Responder

    BASSPOD , trouxe a periferia para o autodromo , o melhor mesmo com chuva e lama , diversão acima de tudo com tropkillaz e GTA tocando , pulei me sujei sem medo e nem vergonha me sujei todo de lama, isso tudo ae é frescura de PATRICINHAS E BOYZINHOS QUE DEVERIA TER FICADO NO NEON GARDEM,
    Foi ótimo a lama dava até mais emoção ao som da “frigideira” que era aquele palco fazendo todos fritarem

  4. Rodrigo Airaf 5 janeiro, 2016 at 14:19 Responder

    Lucas, bass music nunca foi muito periferia, não sei o que você quer dizer com isso. 90% da trap music são branquelos de classe média botando boné gangster na cabeça e indo dançar com os braços em movimento de britadeira igual o Diplo. Se você for olhar como é trap e dubstep lá fora, é basicamente playbas e patys cantando alto algum mashup de Hotline Bing com um drop pesado. O fato é que o pessoal não conseguiu curtir direito porque não dava pra dançar, a lama na pista não devia ser parte do pacote não. Eu pude conversar com alguns DJs que tocaram lá e eles prefeririam um palco mais cheio com gente mais solta também. Todo mundo lidou como pôde, e quem não quis saiu, mas em termos de fritar imagina a loucura que teria sido o pessoal conseguindo dançar direito na pista prestigiando o DJ em vez de ficar a maioria aglomerada nas laterais de concreto perto dos banheiros enquanto a pista tava vazia.

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