Eduardo Magalhães/Divulgação

Sai do armário, Circuito BB!

Há algo errado quando a Nação Zumbi toca “Quando a Maré Encher” e o público fica inerte. Na minha longa carreira de ~plateia profissional~ dos mangue boys nunca tinha visto isso acontecer até o último sábado, no Circuito BB aqui em BH. O problema não era com a banda, sempre afiada ao vivo. Também não era do público ali presente, que se identificava com outro tipo de música. Problema de quem então? Suspeito que dos responsáveis por montar a programação do festival.

No ano passado e neste ano, na curta existência do Circuito, vi um público em sua maioria descaradamente jovem, mas não qualquer jovem. É aquele jovem que na linha cronológica está mais próximo (ou menos distante) da adolescência que da fase adulta. Quem comanda o festival sabe disso em partes ou ignora. Sabe que faz um evento para jovens, a ponto de as redes sociais do Circuito exagerarem no uso da palavra irado (eu achava que isso era coisa só de roteirista de Malhação), mas parece se confundir ou não aceitar que há varias camadas nessa coisa de ser jovem.

Nessa confusão, acaba misturando atrações com apelo maior entre a camada majoritária mais nova com nomes que interessam ao pessoal mais velho, que quase não dá as caras no festival. Red Hot Chili Peppers x Yeah Yeah Yeahs no ano passado; Linkin Park + Panic! At the Disco x Nação Zumbi e Titãs (foi preciso chegar ao refrão de “Polícia” para que o público esboçasse uma reação mínima diante de um clássico óbvio do rock brasileiro, e com mensagem ainda tão atual). O resultado: alguns shows absurdamente apáticos, péssimos para a banda, que toca para o vácuo, e para quem tem um mínimo interesse no show, e vê uma apresentação insossa.

Filipe Marques/Divulgação

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Diego Padilha/Divulgação

Diego Padilha/Divulgação

Eu já andei contando por aí que sou uma farofeira musical, e que tenho disposição para ouvir muita coisa diferente (vi pacientemente os shows do Linkin Park e do Panic! At the Disco, duas bandas que ignorei deliberadamente quando estavam em seu auge). Também acho bom quando há mistura no lineup, mas quando a resposta da maioria do público segue na direção contrária, talvez seja o caso de repensar o jeito de montar a programação. O Circuito BB é da moçada (desculpa pelo #malhaçãofeelings), da música que toca na FM, das bandas que ainda produzem tietes. Só que ainda não entendeu ou não aceitou. Se não entendeu, o aviso está dado agora. Se não aceitou, um recadinho do coração: sai do armário e vem ser pop aqui fora, Circuito! A gente aceita, a gente apoia, a gente ama, a gente quer pelo bem de um festival mais bem resolvido e de um público melhor atendido <3

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Fiquem com o show do Linkin Park, que fez a estrutura da esplanada do Mineirão tremer (de verdade) a ponto de dar um medinho (nem no show do Black Sabbath, no ano passado, no mesmo lugar, notei esse abalo). Esse sim é o tipo de música irada que a moçada que vai ao Circuito quer ver.

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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