Resoluções festivaleiras #2

Vou te contar um segredo aqui: esse treco de resolução de fim de ano não é balela. Ainda mais se as suas motivações são bem sérias. Num final de ano desses eu falei que eliminaria 20 kg, e assim o fiz. No final de 2013, eu e Pri cismamos que iríamos fazer um roIê nos festivais de música da Europa e ainda trabalhar com isso em 2014. Aí nasceu o Festivalando. Esse ano minhas resoluções não serão menos desafiadoras! Ainda há muito o que fazer para deixar o Festivalando e minha vida mais “redondos”. Mas, isso aí já é mais para minha lista pessoal 😉
A que compartilho com vocês é uma lista que talvez possa ser útil para todos os festivaleiros. A pri e eu chamamos de resoluções festivaleiras justamente por isso, pois tem a ver com esse estilo de vida, esse propósito maior que nos une, nos motiva e que traz algumas experiências em comum.

Odiar menos: 

Não é tão clichê quanto parece. Posso dizer que perdi muito tempo odiando à toa nessa primeira temporada de Festivalando. Foram horas odiando a água ruim, o dubstep interminável, o clima quente/frio e a sujeira do Roskilde. Ódio insuperável ao chocolate quente de 88 coroas suecas também durante o Popegoja (fomos ao supermercado e compramos pão, frango e refri para 2 pessoas com o dinheiro que dava para comprar essa odiosa bebida cara). Depois, ódio bem grande às filas do Wacken, às distâncias infinitas entre os palcos e às comidas gordurosas. No Brutal Assault, ódio pela falta de água gratuita, pelos caras tirando foto das nossas bundas e ódio dos colegas mal educados de hotel, que não nos deixaram dormir (ainda que o som tocado fosse o Volume 3 do Black Sabbath a noite inteira, hora de descanso é hora de descanso, né?!). E no Sziget, como já não é mais segredo para ninguém, ódio puro, eterno, a tudo e todos naquele lugar. Aliás, a minha resolução de odiar menos não vale para o Sziget Festival, que fique bem claro. Entretanto, meus caros e caras, o ponto é que todo o nosso ódio infelizmente não vai dar linha nesse tanto de coisa errada aí, nessa zueira toda. Tudo vai continuar do mesmo jeito e nossa cutis só vai piorar. Portanto, odiarei menos. Assim, terei mais tempo para olhar à minha volta, amar coisas diferentes, e amar ainda mais aquelas que já amo!

Comprar menos cerveja e mais material das bandas: 

Uma fortuna. Gastamos simplesmente muita grana com breja. E não é algo tão importante assim para nossa vida. Nos deixa com aquela aparência inchada, fedidos e na sarjeta muitas vezes. E elas são bem caras. Exceto no Brutal Assault que era apenas 1 euro, os demais festivais arrancaram nosso courinho no quesito álcool. Portanto, é algo que pretendo tirar bastante das minhas práticas festivaleiras. E tem um ponto ainda mais importante com relação a isso. Quando você compra menos cervejas, sobra mais grana para você comprar o material das bandas, conhecidas ou não, locais ou não, grandes ou não. Comprando coisas das bandas você fortalece a música, faz com que a atividade continue sustentável e, portanto, contribui indiretamente para que os festivais nunca deixem de existir. Não é lindo?! Já as cervejarias, queridxs, essas existirão independente da sua contribuição, em qualquer evento,em qualquer lugar, para sempre…

Abrir mais meu coração para a categoria não metálica – de músicas e festivais: 

Tá certo que fui numa quantidade até grande de festivais não inteiramente metálicos na primeira temporada de Festivalando. Mas ainda me vi, muitas das vezes, cultivando uma certa preguicinha para com um artista ou outro que não tocava heavy metal. Pois bem, vou parar com isso. Aos poucos. Prometo identificar o argumento “ai que preguiça, num é metal nem um rockzinho…” e levantar minha bunda do gramado e assistir ao show do artista não metálico. Vou tentar também ir a mais festivais cuja temática principal não seja o metal, pelo menos colocar um ou outro como prioridade de agora em diante. Já te falei, a gente pode até sair ganhando nessa jogada. Quando se vai a um festival misto, você acaba assistindo aos shows de artistas que talvez você não assistiria se tivesse que sair de casa só para isso.

Me aprofundar no roteiro europeu do metal: 

Como os planos são ficar por aqui por mais algum tempo (estou morando na Dinamarca), tenho como objetivo ir ao máximo de festivais de metal no continente europeu. Tentarei o que for possível. Os principais e inéditos para mim – Inferno festival, Hellfest, Bloodstock, Sweden Rock, Summer Breeze – já estão na lista. Vou ter que ralar muito para conseguir minha entrada nesses grandes festivais. Afinal, as viagens ainda são caras e os ingressos também. Festivaleiros, à luta!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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