Sören Kohlhuber/Divulgação

Resistência punk em Berlim

Na semana passada, eu estava caminhando pela Potsdamer Platz, aqui na capital alemã, quando vi um jovem casal punk recostado em um dos pedaços restantes do muro de Berlim que ficam expostos no local. De bermuda e regata surradas para suportar o calor, ele acariciava um cachorro. De saia e top cropped pretos e cabelo roxo curtíssimo, ela segurava um pedaço de papelão em que se lia “beer” e “weed”. Isso foi uns dois dias depois de eu ter visitado o Ramones Berlim Museum (vai ter um post só sobre isso em breve), o único museu no mundo dedicado aos Ramones.

Conclusão inevitável: o punk ainda resiste na capital alemã, que cultivou nas últimas quatro décadas uma das cenas mais fortes do movimento. E é justamente por causa do punk que o Festivalando veio parar em Berlim. Estamos aqui para acompanhar o Resist to Exist, um dos maiores festivais dedicados ao gênero (e também ao hard core e ska) na Europa.

De sexta (1º) até domingo (3), vão ser 40 bandas, dentre nomes locais e grupos da Rússia, do México, Estados Unidos, Colômbia, Espanha e Itália. Chegamos numa edição especial, pois neste ano completa-se uma década de Resist (é assim que eu e Gra apelidamos o festival desde que ela o descobriu numa pesquisa pela internet).

É na base da resistência, inclusive, que o festival chega até aqui. Simbolicamente realizado na parte oriental de Berlim, onde o movimento punk foi reprimido até a queda do muro, o evento é feito na base do voluntariado e sem fins lucrativos. Neste ano, o local do festival teve que ser mudado pouco menos de dois meses antes da data marcada devido a rígidas exigências das autoridades locais e organização se virou nos 30 para não cancelar o festival, já amplamente divulgado.

A resistência também se dá contra grupos neo-nazistas, que ainda assombram em algum nível a Alemanha. Além de integrar a militância do “Good Night White Pride”, movimento surgido nos anos 1990 entre as bandas punk alemãs para lutar contra os neo-nazistas, o Resist também realiza no fim de semana, em conjunto com outros festivais, a ação “Love Festivals/Hate Fascism”, que combate o preconceito de gênero e de orientação sexual. Vamos tentar ir fundo nessa e em outras histórias para entender os punks de Berlim. Hey ho, let’s go.

Compartilhe este post

Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

Deixe uma resposta