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Quando e como fazer bate-volta para festivais e shows

Eu não sou muito adepta de bate-volta para festivais e shows. Acho que é muita correria, um desgaste a mais e um “desperdício” de boas oportunidades de turismo. Mas, às vezes, é um mal necessário. Mais que isso, em situações mais extremas, ou é isso ou perder a chance de ver aquela banda de que você tanto gosta ou aquele festival com o qual você sonhou por tanto tempo. Eu mesma, diante dessa situação no passado, naturalmente optei por encarar o bate-volta.

Mas se esse tipo de decisão é simples, armar uma viagem dessas pode acabar não sendo. Parece fácil, sim, fazer um bate-volta, afinal, não tem que reservar hotel, não tem que preparar roteiro, você sequer vai sair do país… É o que eu pensava até a última pesquisa com vocês, leitores do Festivalando. Nas sugestões e comentários, uma pessoa pediu para que a gente desse dicas de bate-volta para shows e festivais e foi então que eu comecei a pensar que esse tipo de viagem pode não ser tão simples assim pra todo mundo.

Quando fazer um bate-volta

Como eu já adiantei no início, bate-volta é bem menos uma alternativa e muito mais uma falta de opção. Vale a pena quando você não tem nem dinheiro nem tempo suficientes para fazer uma viagem normal. Às vezes o dinheiro dá só para o ingresso (e olhe lá!), e em alguns casos a entrada sai bem cara mesmo para quem paga meia. Não dá nem pra pensar em gastar com o hotel nessa situação, não é? Além disso, pode ser que você precise trabalhar no dia seguinte ao festival ou show, ou tenha uma prova importante – festivais e shows acontecem tradicionalmente nos fins de semana, mas há sempre exceções, principalmente com grandes artistas e bandas gringos que veem ao Brasil.

Se você está nessa encruzilhada, não tem outro caminho a seguir senão o bate-volta. Em condições melhores, eu recomendo aproveitar um pouco mais a cidade onde vai rolar o show, conhecer algum lugar, dormir numa cama e evitar a quebradeira (porque shows grandes e festivais já deixam a gente quebradx o suficiente).

A minha história com bate-volta

Eu me lembro de um bate-volta que fiz pra Floripa para ver um show do Paul McCartney. Era numa quarta-feira o show. Trabalhei na terça normalmente, fui direto do trabalho para o aeroporto, cheguei em Floripa na madrugada de terça para quarta, dormi na casa da prima de uma amiga que foi comigo ao show, curti o show na quarta até meia-noite, cheguei às 3h de quinta-feira para pegar minha mochila na casa dela, peguei meu voo de volta pra BH às 6h, cheguei em casa às 11h, me arrumei e fui trabalhar como um zumbi.

Só amor justifica isso, nada mais. O show foi perfeito e Paul um fofo as always (ele ainda me retribuiria tanto amor um ano depois; never forget: the love you take is equal to the love you make). Mas foi triste deixar aquele mar lindo de Floripa pra trás sem poder aproveitar e um HORROR ter que trabalhar quase des-mai-a-da (detalhe: por conta de rotinas internas de produção, as quintas-feiras nesse meu antigo trabalho eram o pior dia da semana, porque a gente NÃO tinha hora pra sair).

Dicas de bate-volta para festivais e shows

Basicamente, para fazer um bate-volta para shows e festivais você vai precisar se preocupar só com o jeito de chegar até lá: você pode fazer tudo por conta própria ou deixar que os outros façam por você.

Por conta própria – de ônibus ou avião

Se você vai arrumar tudo sozinhx, muita atenção à logística e torça para contar com alguma dose de sorte. Seja de ônibus ou de avião, você vai precisar, primeiramente, encontrar passagens com horários de chegada e partida que estejam minimamente alinhados com o horário de começo e término do festival/show. Você não pode comprar uma passagem que vá fazer você chegar muito em cima da hora do começo do evento, pois ainda será necessário se deslocar da rodoviária/aeroporto até o local do festival/show. Tem que considerar a possibilidade de atrasos e trânsito ruim também.

bate-volta para shows e festivais

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Na volta, o horário de partida não pode ser muito próximo do fim do evento por conta dessa questão do deslocamento até a rodoviária/aeroporto. Mas se tiver uma folga muito grande após o fim do festival ou show, pode ser que você chegue tarde demais à sua cidade e compromissos ou tenha que dormir no aeroporto ou rodoviária. Avalie se você está dispostx a fazer isso.

De excursão

Se você quer alguém tomando conta disso pra você, o jeito é recorrer às excursões. Como no Brasil o transporte rodoviário foi muito privilegiado, tem um monte de empresas que se especializaram em organizar excursões para festivais e shows pelo Brasil. Neste caso, o transporte vai te levar direto para a porta do evento e estará lá te aguardando quando tudo terminar. É uma forma de poupar tempo e dor de cabeça. Também é possível ter uma noite de sono minimamente decente, porque você já vai sair de lá direto pra estrada, podendo dormir no ônibus.

Talvez aqui você perca um pouco de liberdade para definir seus horários, principalmente os de chegada no evento. Tem gente que faz questão de chegar cedo e pegar grade, por exemplo. Mas as excursões têm sua programação própria, que nem sempre coincidem com os seus interesses, e é importante em uma excursão você estar sempre junto do grupo para não atrapalhar a programação e provocar transtornos para os demais viajantes. Mais uma vez, avalie se para o seu caso compensa abrir mão de um pouco de liberdade em favor de mais comodidade.

Alguns toques

Certas coisas parecem óbvias, mas não custa ressaltar: leve uma mochila que caiba o essencial, mas que não seja um trambolho. Você vai ter que ficar com ela o tempo todo. Precisa de algo que seja prático e que tenha o que você precisa para passar pouco mais de 24 horas fora de casa:

  • Itens básicos de higiene (um sabonete, enxaguante bucal ou pasta e escova de dente, lenços umedecidos)
  • Uma blusa de frio levinha e uma peça de roupa reserva podem ser providenciais
  • Lembre-se de usar um calçado confortável e que proteja bem seus pés

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora também coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Além de uma das mães do Festivalando, sou colaboradora da Mixmag e do Brasil Post e autora do Porque eu gosto de música. Também ajudei Paul McCartney a falar uai em pleno Mineirão.

2 comments

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  1. Renan 15 março, 2017 at 19:03 Responder

    Eu já fiz vários bate volta e continuo a fazer. Pra quem tem grana para gastar, é bom ficar uns dias a mais depois do show, se hospedar num hotel e conhecer a cidade. Pra quem tá com a grana curta, aí tem que dançar conforme a música e ir e voltar no mesmo dia, principalmente quem tem que trabalhar no dia seguinte. Por falar em trabalho, já fiz algumas vezes esse esquema e é muito cansativo quando você vai encarar o expediente no dia seguinte. Em 2014, no show do Metallica, fui viajei de manhã pra Sampa, cheguei a tarde e deu para ir na exposição do Bowie, depois no show do Metallica no Morumbi e ainda deu para dar uma esticada numa boate na Augusta antes de voltar pra casa. Enfim, tem vezes que compensa viajar pra uma cidade e aproveitar o máximo o que ela tem a oferecer.

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