cicloturismo em fortalezaPedal Gutural – Fortaleza. Foto: Ítalo Carlos

Possibilidades de cicloturismo em Fortaleza

Quando viajei para Fortaleza para participar do ForCaos, eu estava recém chegada da Dinamarca. Havia morado por um ano na região de Copenhague, onde ia de bike para o trabalho sempre e adorava. Na verdade, essa é uma das coisas que mais sinto falta naquele país. Assim, acho que a minha relação de simpatia com a capital do Ceará começou ali no chão, na faixa vermelha em destaque que reparei em uma das avenidas pelas quais passei após sair do aeroporto. Além de perceber que se tratava de uma cidade plana, vi que não faltavam ciclovias e estrutura para fazer cicloturismo em Fortaleza.

Fissurada em bike que sou, tratei logo de dar um jeito de fazer o test drive das ciclovias fortalezenses para conhecer a cidade sobre duas rodas. Não poderia ter achado melhores comparsas para atender a esse capricho turístico: Amausdon Ximenes [senta que lá vem credencial – vice-campeão cearense de bicicross de 1988, guitarrista da Obskure, presidente da Associação Cearense de Rock (ACR) e organizador do ForCaos] e Lucas Gurgel, músico e também integrante da ACR. Juntos e com ajuda de outros integrantes da associação eles organizam o Pedal Gutural e a biciletada do ForCaos.

As ciclovias em Fortaleza

Fortaleza é uma cidade plana e com o clima agradável da brisa do mar. Apesar de que o sol do dia pode arrancar o seu couro. Pedalar é uma proposta de mobilidade, mas também de lazer e convívio com as belezas locais. Apesar de ter apenas 74 km de ciclovias que nem sempre estão em condições muito dignas- o que pude confirmar – a cidade se organiza em um pretensioso projeto de chegar a ter 500 km de ciclovias, de acordo com o Plano Diretor Cicloviário, que está sendo construído pelo poder local – espero que isso realmente se realize e Fortaleza ofereça um pedalar tão seguro e confortável como acontece em Copenhague, experiência que já te contamos aqui.

Plano Cicloviário Participativo de Fortaleza

Mesmo com problemas de infra estrutura, a vontade dos ciclistas da capital em fazer a cultura da bike se espalhar é bem grande. Existem até mesmo associações, como a Associação de ciclistas urbanos de Fortaleza (Ciclovida). Esta realizou uma contagem em setembro de 2014 e verificou a passagem de 415 ciclistas no período de 1h45, aproximadamente quatro ciclistas por minuto em uma das pistas locais. Ou seja, existe uma vontade da população bem clara demonstrada por esses números.

Várias propostas de cicloturismo em Fortaleza

Esse ano a bicicletada do ForCaos foi marcada para a manhã que antecedia o último dia de festival, o domingo (02/08). A iniciativa acontece desde 2012 e é uma das propostas de cicloturismo na cidade. Na verdade, existem várias: aquelas que envolvem um passeio pelos principais pontos culturais/turísticos da cidade, as que envolvem um roteiro underground histórico, as que te levam para a natureza e as que envolvem álcool =D

A ideia da bicicletada do ForCaos de 2015

Este foi o roteiro cultural/turístico. Os ciclistas se encontraram em frente à estátua da praia de Iracema. Coincidentemente, outro grupo de ciclistas também se concentrava ali. Eles fariam um passeio que é realizado todos os domingos, quando algumas avenidas da orla são fechadas para a turma da bike. A volta também contemplou a região do Centro Cultural Dragão do Mar. Ele estava florido por muitas cores de casas de shows, feiras e restaurantes, local em que o encerramento do festival aconteceria mais tarde.

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O roteiro da cultura alternativa local é uma boa pedida

A primeira biciletada em 2012 foi assim, um passeio pela história daqueles que viveram a cena do metal em Fortaleza desde os seus primórdios. Ali então se incluíam o local do antigo bar Cidadão do Mundo, dedicado ao rock e shows underground, o Casarão, que abrigou os primeiros ForCaos e também reuniões iniciais da ACR, nas proximidades do Centro Cultural Dragão do Mar mais história e diversas casas de shows que serviram ao público underground com memoráveis apresentações. Chegando à praia de Iracema, por exemplo, tinha-se apenas a lembrança do local do antigo centro Massapeense, hoje condomínio de luxo.

Esse vídeo bem bacana, produzido pela equipe da ACR/ForCaos – os queridos Gandhi Guimarães e Vitor Rasga, mostram como é o clima desse pedal.

A proposta de te levar de bike para a natureza em Fortaleza

Além da pedalada na orla da praia, é a do Parque Ecológico Rio do Cocó, um dos pontos preferidos pela galera. O Parque do Cocó fica a menos de 10 Km da área central da cidade. É um passeio entre uma reserva natural e o mar, onde você pode ver de perto um mangue com fauna e flora exuberantes. Há trilhas ecológicas para andar a pé ou de bike, com guia e tudo mais. Sem dúvida um passeio relaxante para se fazer com a magrela.

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Parque do Cocó, Fortaleza – CE. Foto:Wikimedia commons

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Pedal no Parque do Cocó

Tá faltando falar do roteiro que envolve álcool, não é mesmo?

Afinal, se álcool é combustível para carro, por que não pode ser de quem pilota a magrela? Dentro dessa filosofia rola o Pedal Gutural. É um grupo de amigos que se reúne pelo menos 2 vezes por semana para um rolé de pouco mais de 2 horas, em 15 km de cidade e mais uns 15 litros de alcool para cada, hahahaha. Se beber não dirija, mas pedale. Amaudson conta que depois de fazer uma peregrinação pelos bares, a pedalada é uma ótima aliada para ajudar o organismo a processar aquela coisa toda. ” Pedalei tanto que cheguei em casa já tava bonzinho de novo”, disse Amaudson.

Recém chegada, queria pedalar o quanto antes. Então, Lucas e Amaudson me convidaram para o Pedal Gutural. Sem saber muito bem se conseguiria uma bicicleta, vi que não faltam opções pela cidade, como as bikes compartilhadas que ficam em pontos estrategicos da cidade. Mas, logo logo a galera já me veio com um ótima notícia. Eles possuem uma bike reserva, a bike solidária ou siri bike. Perguntei por que siri, me disseram que é porque a bike é muito feia. Ela existe justamente para agregar mais gente à turma, ou emprestar para quem teve algum problema com a própria bike.

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Bike solidária Pedal Gutural

Peguei minha siri bike toda feliz, e parti para o pedal gutural, sem saber muito bem como e se me equilibraria bem depois das doses alcoólicas dos bares da cidade. Desse pedal, além do Amaudson e Lucas, também participou meu amigo conterrâneo de estado, Clinger Carlos, idealizador do programa e site Heavy Metal Online – no início ele estava meio desconfiado ( mineiro, né?!). Mas no final ele aprovou o rolé!

A experiência

Na largada, um frio na barriga por passar lado a lado de carros em uma avenida movimentada, ainda sem ciclovias. O coração dispara e a perna quase vacila no impulso do pedal. Em ambientes pouco iluminados, aquela máxima que muitos falam quando te recebem em Fortaleza também vem à tona. A cidade é perigosa, esconda seus pertences e ande acompanhado. Alguns buracos e irregularidades, bem como a pouca largura da ciclofaixa assustam… mas aí vem a brisa no rosto, o mar grandioso e a endorfina no sangue – todo o resto vira detalhe. Pedalar em Fortaleza à noite é uma das coisas mais legais a se fazer na cidade, desde que em compania de habitantes da cidade que vão te levar para os locais certos.

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Onde fomos “abastecer o tanque”

Entre um trecho e outro da aventura, uma parada para molhar a garganta e escutar rock n’ roll (e até esporadicamente algum metal) em alguns estabelecimentos da cidade de Fortaleza. Na verdade, o que surpreendeu foi a quantidade de bares dedicados ao rock  na capital do Ceará. Nem de longe fomos em todos que existem por lá! Mas a gente te conta rapidamente como são aqueles que visitamos:

Boozers – pub mais engomadinho, mas ninguém virou a cara só por que um bando de gente vestindo roupas de pedalada adentrou o local. A cerveja é um pouco cara. O ambiente é bacana, rola DVD em um telão e uns Djs discotecando rock de variadas épocas. É também um hostel.

All Green’s pub – tem sinuca. Segundo o pessoal, de vez em quando rolam algumas apresentações legais (mas, em geral, esses pubs só tocam cover…)

Boops – tem fliperama e sinuca, ambiente climatizado e ambiente aberto. Não fede nem cheira, mas serve para passar o tempo. Rolam DJs discotecando rock.

At Home – quinta feira, drinks diversos a 5 dilmas, apenas. Ah, o ambiente é realmente para te fazer sentir em casa. Tem até sofá velho, um camarada cantando aqueles covers malhados da cultura do rock e tudo mais. É um hostel também: bebeu, morreu, já tá em casa!

Só para constar, ninguém caiu em nenhum momento. Todos chegaram bem aos seus destinos, hahaha!

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Gracielle Fonseca

Não faço nada na vida sem paixão. Tanto que, pra me formar em Jornalismo, tive que fazer com 2 colegas um TCC sobre metal, o Ruído das Minas: a origem do heavy metal em BH. Também decidi que faria o primeiro documentário sobre as Mulheres no Metal, o Women in Metal, e fiz. Foi por paixão também que larguei um emprego público, para me aventurar pelo mundo dos festivais com a Pri.

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