viajar para festivais também é turismoRafal Kotylak/Brutal Assault/Divulgação

Por que viajar para festivais também é turismo – em 10 razões

“Como assim essas loucas cruzam um oceano e vão de um continente a outro só pra ir num festival de música?”. É o que muita gente deve se perguntar ao conhecer o Festivalando. À primeira vista pode parecer mesmo incomum e até um absurdo dedicar a um festival de música todo o esforço e dinheiro que uma viagem exige. Mas o que eu e Gra concluímos depois da nossa primeira grande jornada festivaleira é que tem muita coisa semelhante entre uma viagem “tradicional” e uma viagem “para festivais” e, sim, viajar para festivais também é turismo.

Ao mesmo tempo, os festivais também proporcionam experiências peculiares e únicas, bem próprias desses eventos. Em resumo: um festival será sempre uma boa atração turística na sua viagem. Se você quer algo nos moldes já conhecidos, pode incluir um festival no roteiro. Se está atrás de uma vivência diferente, pode incluir também.

Neste texto que escrevi para o Papo de Homem eu explico porque festivais proporcionam experiências de viagem diferenciadas. Aqui no site, listo as razões que aproximam os festivais das viagens tradicionais:

1. Você vai conhecer novos lugares (até mais do que você poderia imaginar)

Festivais não acontecem no vácuo. Eles acontecem em uma cidade X, no país Y. Logo, você vai necessariamente conhecer a cidade X e o país Y. O interessante é que alguns festivais não acontecem nos principais centros, o que vai te fazer conhecer mais lugares do que conheceria num roteiro tradicional. Viajar para a República Tcheca significa ir para a Praga, certo? Mas eu e Gra acabamos indo a três cidades tchecas por causa do Brutal Assault, festival de heavy metal que acontece naquele país. Passamos uns dias em Praga. Depois seguimos para Hradréc Králové, onde acontece o festival. Como no meio do caminho de uma para a outra estava Kutná Hora, fizemos um pit stop por lá.

Em alguns casos, você pode se surpreender. Decidi ir para Montreux, na Suíça, atraída única e exclusivamente pelo Festival de Jazz de Montreux. No fim, acabei visitando um dos lugares mais bonitos que conheci até hoje, com uma beleza natural que eu simplesmente ignorava que existia na Suíça. A Gra foi para Aalborg, na Dinamarca, só por causa do Aalborg Metal Festival. Assim que chegou lá, me mandou um inbox falando sobre como a cidade era charmosa. Depois, concluiu que a cidade merece mais que uma só visita.

Vevey, na riviera suíça (esq.), e Aalborg, na Dinamarca (dir.)

Vevey, na riviera suíça (esq.), e Aalborg, na Dinamarca (dir.)

2. Você vai fatalmente visitar os pontos turísticos tradicionais

Você não vai obrigatoriamente gastar todo seu tempo livre dentro de um festival – a não ser que acampe, no caso dos eventos que oferecem esta alternativa, mas isso é uma escolha sua. E se sua opção for dividir o tempo entre atividades distintas, vai sobrar espaço no seu roteiro para conhecer aqueles pontos praticamente mandatórios em determinadas cidades. Fui a Berlim por causa de um festival de punk, o Resist to Exist, mas usei parte do tempo livre para ver os restos do muro, o portão de Brandemburgo, o parlamento e a Siegessäule. Também sobrou tempo para dedicar um dia inteiro a Potsdam, cidade vizinha.

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3. Você vai conviver com locais

Há quem, como nós, viaje para festivais, mas a maioria do público ainda é de habitantes locais. Isso significa ouvir e ler placas no idioma local (mesmo que o inglês seja usado também), se aproximar, se relacionar e perceber bem de perto como se comportam tchecos, dinamarqueses, suecos, etc.

No Roskilde, lá na Dinamarca, eu e Gra viramos praticamente agregadas de um grupo de [email protected] [email protected] que todos os anos monta um acampamento no festival. E uma das graças de viajar é justamente ter contato com outras culturas, não é mesmo?

4. Você vai conhecer a comida e os artistas locais

Festivais de música seguem um modelo de organização meio padronizado, o que fazem deles um espaço razoavelmente globalizado, mas há aspectos locais que são conservados. Vende hambúrguer e Coca como em qualquer fast food do mundo? Vende. Mas vende a mais pura cerveja tcheca e o tradicional trdlo, pão com açúcar e canela feito na hora (Brutal Assault). Ou o currywurst, salsicha com molho curry acompanhada de batata-frita, típico fast food alemão (Resist to Exist, na Alemanha).

Tem atrações mainstream que tocariam em qualquer lugar do mundo, como os Stones ou o Calvin Harris? Tem. Mas também sempre há espaço para quem é da terra. O Sziget, em Budapeste, tinha um palco só com shows de artistas húngaros. O Resist to Exist, em Berlim, tinha um line up formado majoritariamente por bandas alemãs.

5. Você vai tirar selfies

Ponto bem lembrado pela Gra: vai a Paris e tira selfie na Torre Eiffel? Pois bem, se você vai a um festival também tem selfie, baby. E ainda por cima bem menos óbvio, em pontos muito específicos e únicos de cada festival. Foto para o seu Instagram não vai faltar.

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6. Você vai voltar [email protected] de souvenires

Nós já fizemos um #VideoSelfie só para mostrar a quantidade de souvenires que ganhamos/compramos nos festivais. Tem camisa, caneta, bolsa, copo. Todo tipo de lembrancinha que se encontra em lojas para turistas. E ainda tem um souvenir que só alguns festivais têm (majoritariamente os europeus): as pulseiras, a princípio substitutas dos ingressos, mas que acabaram se transformando em item de ~ostentação~ dos festivaleiros.

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7. Você vai precisar de um guia e de um mapa

Alguns festivais são tão gigantescos que o único jeito de você achar o banheiro ou a barraca de comida é se orientando por um mapa. E são tantas atrações oferecidas para além dos shows que é imprescindível ler o guia para ter noção das variadas opções de diversão, como lembrou a Gra. Não funciona assim com as cidades também?

viajar para festivais também é turismo

Priscila Brito/Festivalando

8. Você vai andar, andar e andar só para explorar e conhecer as “redondezas”

Isso também tem a ver com o gigantismo de uns festivais. O Wacken, na Alemanha, e o Roskilde, na Dinamarca, são praticamente festivais-cidade. Eu e a Gra tiramos um dia só para nos familiarizarmos com o Roskilde. Não adiantou muito, porque nos perdemos na hora de ir embora e demos umas voltas desnecessárias (se perder quando está num lugar novo. Quem nunca?). Mas ela teve uma boa sacada, a de usar um moinho de vento como nosso referencial, e assim aprendemos o caminho de volta que nos levava até o trem que seguia para Copenhague. Praticamente como achar um macete pra não errar o caminho até o hotel.

9. Você vai gastar dinheiro e precisar de planejamento

Excetuando-se as pessoas rhycahs, quem é um pobre (em todos os sentidos) mortal precisa se planejar em vários aspectos para fazer uma viagem. Se ela incluir um festival, os preparativos serão os mesmos. E o dinheiro vai embora do mesmo jeito se você não for esperto. Por exemplo, comida em festival vai ser sempre mais cara que num supermercado ou que num restaurante fora de áreas turísticas. Como somos muito legais, vamos fazer um post só sobre as nossas experiências de planejamento para festivais (que requerem passos semelhantes ao de uma viagem típica, mas também atenção a pontos peculiares).

10. Você vai querer voltar

E aquela vontade que a gente sente de voltar para Londres, Buenos Aires ou Berlim outra vez, de tão maravilhosos que são estes lugares? É a mesma que a gente sente em relação ao Roskilde, onde eu e Gra tivemos experiências únicas. Ou, especificamente, o que eu sinto em relação ao Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, e a Gra em relação ao Wacken, na Alemanha, onde tivemos o momento criança-feliz-na-Disney de nossas vidas.

É claro que há o risco de algo sair fora do planejado (o Sziget, na Hungria, é o nosso exemplo). Mas, assim como belas cidades mundo afora, os festivais provaram pra nós que eles podem render boas histórias e memórias de viagem que vamos carregar pra sempre (rende até um site só sobre isso, néam?). E vai ser tudo tão marcante que você vai criar uma relação especial com eles, aquela saudade básica vai bater de vez em quando e você vai se pegar planejando um reencontro. Ou, então, vai procurar novos destinos para viver boas histórias em lugares diferentes. Assim como cidades e países, sempre vai ter um festival desconhecido para desbravar.

Veja nossas dicas para organizar sua viagem pra festival e para montar um mochilão para festivais de música

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Priscila Brito

Sou jornalista e melômana, não sei se nessa ordem. Coleciono ingressos de shows desde 2001. Agora coleciono pulseiras de festival e carimbos no passaporte. Sou uma das mães do Festivalando e fiz Paul McCartney falar uai no Mineirão. Só porque eu gosto de música. Nas horas vagas, faço coisas sérias e tento salvar o jornalismo.

3 comments

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  1. Regina 2 Maio, 2015 at 14:59 Responder

    Minha filha foi para Londres e Escócia ano passado em dois festivais e disse que é muito bom. Eu por tabela fui acompanhando via Google Street todos os lugares que ela foi conhecer.. Loucas não, corajosas, tenho muita vontade de fazer o mesmo.

    • Priscila Brito 2 Maio, 2015 at 19:04 Responder

      Oi, Regina! Com certeza a experiência da sua filha nos festivais deve ter sido maravilhosa, porque o Reino Unido tem um monte de festival e alguns dos melhores do mundo. Não fique só na vontade e arrisque uma viagem para algum festival também, você vai adorar 🙂

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